Quinta-feira, 23 de Julho de 2026
DINHEIRO DO ACORDO

Advogada goiana é presa na Bahia suspeita de aplicar golpe de R$ 650 mil em clientes

Segundo a Polícia Civil, 17 vítimas foram identificadas e contaram que ela ficava com o dinheiro dos acordos nas ações judiciais

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Advogada Rina Campbell é presa em resort de luxo na Bahia acusada de dar golpes em Goiás (Foto: Reprodução)

Uma advogada de Goiás foi presa preventivamente em um resort na Bahia, suspeita de se apropriar de dinheiro de clientes que a contrataram para atuar em ações de revisão de financiamentos imobiliários. Segundo a Polícia Civil, ao menos 17 pessoas foram identificadas como vítimas, com um prejuízo que chega a R$ 650 mil.

A investigada foi identificada como Rina de Oliveira Campbell Pena. Além da prisão, policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (23) no escritório da advogada, no Setor Oeste, em Goiânia.

O Mais Goiás não localizou a defesa de Rina Campbell Pena até a publicação desta reportagem.

De acordo com as investigações, o esquema seria praticado desde 2014. A suspeita, segundo a polícia, concentrava a atuação em pessoas de baixa renda que haviam financiado imóveis de menor valor, como casas populares e lotes.

A estratégia consistia em oferecer ações revisionais de contratos de financiamento. Ela alegava às vítimas que os juros cobrados eram abusivos e que seria possível reduzir o valor das parcelas por meio de uma negociação judicial.

Após a assinatura dos contratos, porém, a advogada pedia que os clientes entregassem dinheiro sob a justificativa de que os recursos seriam utilizados para firmar acordos com as instituições financiadoras.

Enquanto acreditavam que as negociações estavam em andamento, as vítimas deixavam de pagar as prestações do financiamento. Com isso, as dívidas continuavam crescendo devido à incidência de juros e encargos, segundo a investigação.

Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado Douglas Pedrosa, responsável pelo caso, afirmou que a suspeita conquistava novos clientes por meio de captadores e também por indicação de antigos atendimentos.

“Ela conseguia vítimas por meio de captadores e também no boca a boca. Estava há bastante tempo no mercado. Convencia esses clientes a entrarem com ações revisionais de contrato ou a fazerem acordos com imobiliárias onde possuíam dívidas. Depois disso, encontrava uma forma de se apropriar do dinheiro dessas vítimas”, afirmou.

O delegado acredita que o número de vítimas pode ser ainda maior e pede que outras pessoas que tenham passado por situação semelhante procurem a Polícia Civil.

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que acompanhou a Operação Causa Própria, por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), e ressaltou que apura todas as infrações que chegam ao seu conhecimento, adotando as medidas cabíveis para preservar a dignidade da advocacia, sempre com respeito ao direito de defesa e ao contraditório. A entidade acrescentou que não comenta prisões ou condenações de advogados inscritos.

Prejuízo de R$ 54 mil

Também à TV Anhanguera, o mecânico Leidimar de Melo Leal contou que perdeu R$ 54 mil após contratar a advogada.

Segundo ele, havia recebido uma proposta de acordo imobiliário naquele valor, mas foi orientado pela própria advogada a não aceitar e seguir com a ação judicial.

Com o passar do tempo, desconfiou da demora na conclusão do processo e descobriu que a advogada havia firmado um acordo sem sua autorização e recebido o dinheiro.

“Ela mesma me aconselhou a não aceitar a proposta e continuar com a ação. Depois de um tempo, comecei a estranhar a demora. Ela parou de atender minhas ligações e responder mensagens. Foi quando descobri que ela já tinha pegado o dinheiro”, relatou.

Processos

Ainda conforme a Polícia Civil, a investigada costumava apresentar diferentes justificativas para evitar prestar informações aos clientes sobre o andamento dos processos. Entre as desculpas, alegava problemas de saúde e dizia, por exemplo, que estava internada.

A advogada permanece presa na Bahia e deverá ser recambiada para Goiás nos próximos dias, onde ficará à disposição da Justiça. As investigações continuam para identificar possíveis novas vítimas e apurar a extensão do prejuízo causado pelo suposto esquema.

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