INVESTIGAÇÃO

MP recomenda suspender concurso da Câmara de Goiânia por 90 dias após suspeita de fraude

A recomendação foi enviada ao presidente da Casa, Romário Policarpo, com prazo de 10 dias para resposta

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O Ministério Público de Goiás (MPGO) pediu a suspensão do concurso da Câmara de Goiânia por 90 dias para que possíveis fraudes sejam investigadas. A recomendação foi enviada ao presidente da Casa, Romário Policarpo, com prazo de 10 dias para resposta.

Organizado pelo Instituto Verbena (ligado à UFG), o certame acumula denúncias sobre falhas de segurança nas provas, como ausência de biometria, detector de metais e controle de candidatos.

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A denúncia mais grave envolve aprovados com ligação com a banca organizadora. Um dos casos citados é de um candidato classificado em 1º lugar no cargo administrativo. Luã Lírio de Souza Cruz, servidor da Universidade Federal de Goiás (UFG), mantinha vínculos ativos com o Instituto Verbena até as vésperas da prova.

Ele teria prestado serviços ao Instituto Verbena como bolsista, sendo responsável, inclusive, pela elaboração de questões e pela representação da banca em contratos. De acordo com o MP, ele teria ainda participado de um evento institucional do próprio Instituto Verbena apenas cinco dias antes da realização da prova objetiva. Além disso, seu marido presta serviços ao Verbena desde 2018 em diversas funções ligadas à logística e fiscalização, e seu sobrinho é empregado do instituto e atua justamente no setor de logística.

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Outro caso

Outra candidata apontada foi aprovada em 6º lugar para o cargo de revisor de texto. Segundo ex-diretoras do Instituto Verbena ouvidas pelo MP, a mulher presta serviços habitualmente à banca e é amiga próxima de uma das responsáveis pela revisão de texto do próprio concurso. O documento do órgão também lista mais de dez outros candidatos aprovados entre os dez primeiros lugares em diferentes cargos, que teriam algum tipo de vínculo com o Verbena, com a Universidade Federal de Goiás (UFG) ou com a própria Câmara Municipal.

O MP alerta que, se a recomendação for ignorada, gestores podem ser responsabilizados.

Outro lado

Em nota anterior, o Instituto Verbena afirmou que o candidato teria relatado o risco de conflito de interesses antes do certame e que, por isso, teria sido afastado de funções sensíveis e tido seus acessos ao sistema bloqueados.

Anteriormente, a Câmara Municipal de Goiânia disse que o presidente da Casa, Romário Policarpo, determinou o envio da denúncia anônima ao MP e acionou o Instituto Verbena-UFG a tomar as providências necessárias para apuração do caso.