‘Pareciam ser amigáveis’: Homens são presos por aplicar ‘Boa Noite, Cinderela’, em Goiânia
Polícia Civil prendeu dois homens suspeitos de dopar e abusar de duas jovens, em Goiânia
Dois homens foram presos suspeitos de dopar duas jovens com “Boa Noite, Cinderela”, a fim de cometer crimes sexuais, em Goiânia. Uma das vítimas narrou que a dupla “parecia ser confiável”. A Polícia acredita que Wilker Carlos Silva e Danivaldo Duarte possam ter feito outras vítimas.
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Os dois foram presos na última segunda-feira (6), após as vítimas procurarem a PC ainda sob efeito do “Boa Noite, Cinderela”. O Mais Goiás conversou com uma das jovens, de 19 e 27 anos, que pediu anonimato, a fim de entender como agiram os investigados.
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Segundo a vítima, ela e a amiga conheceram Wilker e Danivaldo em uma boate do Setor Nova Esperança. A dupla ofereceu carona para as jovens, que estavam indo embora a pé depois de deixarem o estabelecimento durante a madrugada.
“Esses dois caras abordaram a gente. Eles pareciam ser muito amigáveis, muito gente boa. Conseguiu ganhar a gente na lábia. Em nenhum momento demonstrou ter interesse na gente ou nada do tipo. Realmente parecia ser uma amizade”, explica a jovem.
Ao entrarem no veículo, um dos investigados afirmou que precisava passar na casa de uma tia para pegar uma bermuda. Logo em seguida, as vítimas foram convidadas a ingerir bebidas alcoólicas e fazer um churrasco na casa de um dos agressores.
A todo momento, os suspeitos afirmaram que as vítimas poderiam ir embora quando quisessem, o que encorajou as jovens a aceitarem a proposta. No entanto, ao chegar no imóvel, as mulheres descobriram que um dos investigados fazia uso de tornozeleira eletrônica.
“Isso me assustou, me deixou com muito medo. Perguntei porque estava usando aquela tornozeleira, e ele falou que tinha sido por causa de um roubo de um celular, que não tinha sido ele que roubou. Essa história não colou nem para mim, nem para minha amiga”, relembra.
“Estão drogando a gente”
Ao tomar conhecimento da situação, a vítima informou a amiga que pretendia ir embora, mas decidiram esperar para não levantar suspeitas de que estavam com medo. No entanto, foi neste momento em que perceberam que estavam sendo drogadas.
“Minha cerveja estava cheia de comprimidos. Mandei uma mensagem para a minha amiga no celular falando que estavam drogando a gente. Ela disfarçou, foi lá para fora e, na hora que olhou na cerveja dela, estava completamente azul. Ela começou a desesperar e tentei acalmar ela”, afirma.
Para conseguirem sair do local, as jovens informaram aos homens que tinham parentes nas forças de segurança pública e que estavam ligando para eles. Neste momento, Wilker e Danivaldo se ofereceram para levá-las para casa.
Conforme a mulher, se aproveitando de que a dupla estava “fora de si”, os investigados tentaram a todo momento beijar e tocar as partes íntimas das vítimas, que se recusaram a ceder. Ao chegaram em casa, elas se deslocaram à PC, ainda sob efeito das drogas.
“Chegando em casa, a gente começou a passar muito mal. A gente mal conseguia parar em pé. Tínhamos levado as latinhas para apresentar à delegacia. Eles tiraram fotos da gente e mandaram em um grupo. Eles tinham nossos rostos, nossos nomes. Estávamos morrendo de medo”, concluiu.
O caso segue sob investigação. A Polícia autorizou a divulgação da imagem dos suspeitos por acreditar que eles possam ter feito novas vítimas. O Mais Goiás não conseguiu localizar as defesas de Wilker Carlos Silva e Danivaldo Duarte para que se posicionassem.
A divulgação da imagem e da identificação dos investigados foi realizada nos termos da Lei nº 13.869/2019, da Portaria nº 02/2020 – PC, e conforme despacho da autoridade policial responsável pela investigação, com fundamento na possibilidade de surgimento de novas vítimas e de obtenção de informações sobre outros crimes eventualmente praticados pelos investigados.