Polícia prende suspeitos de invadir apartamentos de luxo que ficaram vazios durante o MotoGP em Goiânia
Investigação aponta que grupo de São Paulo monitorava vítimas pelas redes sociais, usava documentos falsos para entrar em condomínios e tinha estrutura para financiar e organizar as ações
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A Polícia Civil prendeu quatro pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa de São Paulo que, no fim de março de 2026, veio a Goiânia para praticar furtos em imóveis de alto padrão no setor Bueno. Os alvos eram pessoas que não estavam interessadas em permanecer na cidade durante a realização de uma das etapas do MotoGP (entre 20 e 22 daquele mês).
A investigação começou depois que quatro apartamentos de dois condomínios do setor Bueno foram invadidos. Conforme a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam documentos falsos e se apresentavam como moradores, parentes de moradores ou pessoas autorizadas a entrar nos prédios. Dessa forma, conseguiam passar pelos controles das portarias sem levantar suspeitas.
Segundo o delegado Gil Bathaus, responsável pela investigação, os imóveis não eram escolhidos ao acaso. Antes de viajar para Goiânia, os integrantes do grupo levantavam informações sobre possíveis vítimas e acompanhavam a rotina delas, principalmente por meio das redes sociais.
Publicações sobre viagens, férias ou períodos fora de casa poderiam indicar que determinado apartamento estaria vazio. A polícia chama esse método de “engenharia social”. Além das informações obtidas na internet, os criminosos contavam com o apoio de pessoas que vivem em Goiás e ajudavam no levantamento dos possíveis alvos.
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Os suspeitos também buscavam informações sobre os sistemas de segurança dos condomínios antes de realizar os furtos. Em alguns casos, de acordo com a polícia, eles tentavam obter dados de moradores se passando por parentes e apresentando documentos falsificados.
Com essas informações, a entrada nos prédios era planejada para parecer uma situação comum. Segundo o delegado, a estratégia permitia aos criminosos reduzir a necessidade de enfrentar diretamente funcionários das portarias ou outros mecanismos de segurança no momento da invasão.
A escolha por apartamentos de alto padrão também tinha relação com o custo das viagens. Como os criminosos precisavam se deslocar de São Paulo para Goiânia, os imóveis eram selecionados com a expectativa de encontrar bens de alto valor e de fácil transporte e comercialização. Entre os principais alvos estavam joias.
Joias eram levadas para um bar
Durante o avanço das investigações, a Polícia Civil chegou ao homem apontado como responsável por organizar parte das ações criminosas. Em um endereço ligado a ele, em São Paulo, os policiais encontraram três frascos utilizados para testar ouro e uma balança de precisão.

Segundo a investigação, o homem era dono do bar e utilizava o estabelecimento como ponto para receber as joias furtadas. A estratégia fazia com que os objetos não fossem levados diretamente para a casa dele, dificultando a identificação da origem dos bens.
A políciatambém descobriu que, em algumas situações, o ouro furtado era derretido e transformado em novas peças. O procedimento dificultava a identificação dos objetos e a localização dos proprietários originais.
Seis mandados de prisão foram expedidos
Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão. Quatro deles foram cumpridos e os presos tiveram as prisões convertidas em preventivas. Outros dois suspeitos ainda são procurados. Entre os investigados estão pessoas apontadas como responsáveis pela execução dos furtos, pelo financiamento das viagens e pela articulação do esquema. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Civil, os investigados têm ligação com uma facção criminosa de São Paulo. Para o delegado, essa conexão reforça a suspeita de que os furtos não eram ações isoladas, mas faziam parte de uma estrutura organizada.
A operação é conduzida pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com a Polícia Civil de São Paulo.
Polícia alerta sobre exposição nas redes sociais
Além de identificar os suspeitos e reconstruir a dinâmica dos furtos, a polícia chamou atenção para o uso de informações publicadas pelas próprias vítimas na internet. Fotos e mensagens sobre viagens podem revelar, mesmo sem intenção, que um imóvel vai ficar vazio por determinado período e criminosos podem utilizar esse tipo de informação para monitorar possíveis alvos e identificar os melhores momentos para agir.
A orientação da polícia é evitar a divulgação antecipada de detalhes sobre viagens, principalmente informações que indiquem datas de saída e retorno, duração da ausência e períodos em que a residência ficará sem moradores.