Terça-feira, 18 de Agosto de 2026
INVESTIGAÇÃO

Polícia prende suspeitos de invadir apartamentos de luxo que ficaram vazios durante o MotoGP em Goiânia

Investigação aponta que grupo de São Paulo monitorava vítimas pelas redes sociais, usava documentos falsos para entrar em condomínios e tinha estrutura para financiar e organizar as ações

Por - Goiânia,GO
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ouro x dinheiro

A Polícia Civil prendeu quatro pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa de São Paulo que, no fim de março de 2026, veio a Goiânia para praticar furtos em imóveis de alto padrão no setor Bueno. Os alvos eram pessoas que não estavam interessadas em permanecer na cidade durante a realização de uma das etapas do MotoGP (entre 20 e 22 daquele mês).

A investigação começou depois que quatro apartamentos de dois condomínios do setor Bueno foram invadidos. Conforme a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam documentos falsos e se apresentavam como moradores, parentes de moradores ou pessoas autorizadas a entrar nos prédios. Dessa forma, conseguiam passar pelos controles das portarias sem levantar suspeitas.

Segundo o delegado Gil Bathaus, responsável pela investigação, os imóveis não eram escolhidos ao acaso. Antes de viajar para Goiânia, os integrantes do grupo levantavam informações sobre possíveis vítimas e acompanhavam a rotina delas, principalmente por meio das redes sociais.

Publicações sobre viagens, férias ou períodos fora de casa poderiam indicar que determinado apartamento estaria vazio. A polícia chama esse método de “engenharia social”. Além das informações obtidas na internet, os criminosos contavam com o apoio de pessoas que vivem em Goiás e ajudavam no levantamento dos possíveis alvos.

Os suspeitos também buscavam informações sobre os sistemas de segurança dos condomínios antes de realizar os furtos. Em alguns casos, de acordo com a polícia, eles tentavam obter dados de moradores se passando por parentes e apresentando documentos falsificados.

Com essas informações, a entrada nos prédios era planejada para parecer uma situação comum. Segundo o delegado, a estratégia permitia aos criminosos reduzir a necessidade de enfrentar diretamente funcionários das portarias ou outros mecanismos de segurança no momento da invasão.

A escolha por apartamentos de alto padrão também tinha relação com o custo das viagens. Como os criminosos precisavam se deslocar de São Paulo para Goiânia, os imóveis eram selecionados com a expectativa de encontrar bens de alto valor e de fácil transporte e comercialização. Entre os principais alvos estavam joias.

Joias eram levadas para um bar

Durante o avanço das investigações, a Polícia Civil chegou ao homem apontado como responsável por organizar parte das ações criminosas. Em um endereço ligado a ele, em São Paulo, os policiais encontraram três frascos utilizados para testar ouro e uma balança de precisão.

Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Segundo a investigação, o homem era dono do bar e utilizava o estabelecimento como ponto para receber as joias furtadas. A estratégia fazia com que os objetos não fossem levados diretamente para a casa dele, dificultando a identificação da origem dos bens.

A políciatambém descobriu que, em algumas situações, o ouro furtado era derretido e transformado em novas peças. O procedimento dificultava a identificação dos objetos e a localização dos proprietários originais.

Seis mandados de prisão foram expedidos

Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão. Quatro deles foram cumpridos e os presos tiveram as prisões convertidas em preventivas. Outros dois suspeitos ainda são procurados. Entre os investigados estão pessoas apontadas como responsáveis pela execução dos furtos, pelo financiamento das viagens e pela articulação do esquema. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Segundo a Polícia Civil, os investigados têm ligação com uma facção criminosa de São Paulo. Para o delegado, essa conexão reforça a suspeita de que os furtos não eram ações isoladas, mas faziam parte de uma estrutura organizada.

A operação é conduzida pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com a Polícia Civil de São Paulo.

Polícia alerta sobre exposição nas redes sociais

Além de identificar os suspeitos e reconstruir a dinâmica dos furtos, a polícia chamou atenção para o uso de informações publicadas pelas próprias vítimas na internet. Fotos e mensagens sobre viagens podem revelar, mesmo sem intenção, que um imóvel vai ficar vazio por determinado período e criminosos podem utilizar esse tipo de informação para monitorar possíveis alvos e identificar os melhores momentos para agir.

A orientação da polícia é evitar a divulgação antecipada de detalhes sobre viagens, principalmente informações que indiquem datas de saída e retorno, duração da ausência e períodos em que a residência ficará sem moradores.

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