Prejuízo de R$ 60 mil: corretor preso em Goiânia recebeu um ano de aluguel antecipado e não repassou dinheiro, diz vítima
Roger Tabata foi preso suspeito de lesar vítimas por meio da própria imobiliária
Ir direto pra matéria
Uma das vítimas do corretor e empresário Roger Tabata, preso na última segunda-feira (28) como suspeito de fraudes imobiliárias, afirma ter tido prejuízo de aproximadamente R$ 60 mil após firmar contrato relacionado ao aluguel de um apartamento de propriedade de suas filhas, no Jardim Goiás, em Goiânia. Amanda Guimarães Lima relata que o corretor, contratado para gerir o contrato, recebeu os aluguéis com um ano de antecedência, além de R$ 5 mil de caução e seguro, mas não fez os repasses.
“O prejuízo é de aproximadamente R$ 60 mil. Assinamos o contrato com ele no final do ano passado. Pra gente, ele falou que os pagamentos eram mensais, mas, com o inquilino, ele fez uma negociação diferente, sem o nosso consentimento. Ele recebeu os aluguéis com um ano de antecedência, bem como o valor da garantia e seguro e ficou com o nosso dinheiro”, explica Amanda. Até o momento, seis vítimas procuraram a Polícia Civil. O prejuízo somado ultrapassa R$ 1,1 milhão.
LEIA TAMBÉM
- Corretor é alvo de operação suspeito de aplicar golpes que chegam a R$ 1,1 milhão em Goiás
- Polícia prende corretor de imóveis por estelionato imobiliário em Goiânia
Ainda de acordo com a vítima, Roger colocou uma cláusula no contrato de que a família não poderia falar com os inquilinos. Ou seja, toda a mediação seria realizada exclusivamente por ele. Amanda teve problemas para receber todos os aluguéis em 2026, exceto do mês de maio. “A gente descobriu o golpe em agosto, mas desde o início não gostamos da forma como ele operava. O aluguel vencia todo dia 25, mas ele pagava três a 12 dias depois. A gente não podia contar com esse dinheiro que é das minhas filhas, porque o apartamento é delas. Em agosto ele parou de pagar definitivamente”, revela Amanda.
Prejuízo de R$ 60 mil
Ainda de acordo com Amanda, Roger havia combinado com a inquilina de descontar, no valor do aluguel, uma taxa de condomínio, que é de responsabilidade do proprietário arcar. No entanto, o valor não era repassado pelo empresário, o que fez com que Amanda ainda precise ressarcir a moradora.
Ao tomar conhecimento da fraude, a proprietária ainda tentou negociar com Roger para reaver o valor. Entretanto, o acordo não foi concretizado e Amanda precisou recorrer à Justiça para rescindir o contrato.
Operação
Conforme a PC, Roger usava a própria imobiliária Tabata Imóveis para praticar os crimes. Ao menos seis vítimas foram identificadas até o momento. As investigações tiveram início há cerca de três meses quando uma vítima procurou a corporação informando que o corretor, então administrador da locação do imóvel dela, passou a se apossar dos aluguéis, a cobrar garantias inexistentes dos inquilinos e exigir adiantamento por parte deles.
Ao tomar conhecimento da atitude criminosa, a PC fez levantamentos e descobriu que Roger é reincidente nesta modalidade de estelionato. A corporação, então, pediu a prisão do empresário, que foi expedida pela 6ª Vara de Garantias. A Justiça também autorizou buscas e apreensões em endereços ligados ao corretor.
A corporação divulgou o nome do investigado para identificar possíveis novas vítimas e também a proporção do prejuízo provocado pelo corretor. Em nota, a defesa de Roger informou que o caso ainda está em investigação e que o corretor vem prestando esclarecimentos aos clientes.
Nota da defesa de Roger Tabata
“A defesa de Roger Kogi Tabata informa que recebeu com surpresa a decretação de sua prisão e já está adotando todas as medidas judiciais cabíveis para assegurar o pleno exercício de seus direitos e garantias constitucionais. É importante esclarecer que as acusações divulgadas ainda serão devidamente apuradas no âmbito judicial, inexistindo, até o presente momento, condenação definitiva contra Roger.
Parte relevante das situações mencionadas envolve relações negociais e obrigações de natureza patrimonial que já vêm sendo discutidas nas vias judiciais próprias. Ao contrário da ideia de que Roger teria deliberadamente se apropriado de valores e posteriormente se esquivado de suas responsabilidades, a defesa esclarece que ele vem tratando individualmente as situações que lhe são apresentadas.
Quando procurado, tem prestado esclarecimentos, participado de tratativas para solução das pendências e constituído advogado para representá-lo nas demandas judiciais existentes. Roger não se ocultou nem abandonou deliberadamente as questões que lhe foram apresentadas.
Pelo contrário, vem comparecendo por intermédio de sua defesa aos processos instaurados e buscando soluções para as controvérsias existentes. Na compreensão da defesa, essa postura é incompatível com a narrativa de uma intenção previamente estabelecida de fraudar terceiros ou simplesmente obter vantagem e desaparecer sem assumir qualquer responsabilidade.
Quanto a alegação de que Roger teria causado prejuízo em vítimas após receber valor referente à entrada de compra de imóveis, tal informação não consta sequer na Decisão que decretou sua prisão. A defesa ainda não teve acesso integral aos autos, e o Roger nunca foi intimado para prestar esclarecimentos.
A defesa ressalta, ainda, que eventuais inadimplementos ou divergências decorrentes de relações contratuais devem ser analisados individualmente, considerando as circunstâncias específicas de cada caso, não sendo possível transformar automaticamente uma controvérsia patrimonial em ilícito criminal sem a demonstração dos elementos exigidos pela legislação penal.
Quanto à prisão, a defesa está analisando seus fundamentos e adotando as medidas processuais cabíveis. Existem aspectos relacionados à medida cautelar que serão questionados perante o Poder Judiciário, ambiente adequado para a discussão técnica acerca de sua legalidade e necessidade.
Roger permanece, por intermédio de sua defesa, à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários e confia que, com o avanço das investigações e a análise integral das provas, os fatos serão devidamente esclarecidos”.