Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
HOMENAGEM

Quem foi Amália Hermano, mulher que dá nome ao Jardim Botânico de Goiânia e completaria 110 anos

Professora e pesquisadora, ela se destacou pela atuação na educação e na defesa da preservação ambiental em Goiás

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
amalia

O nome de Amália Hermano Teixeira está nas placas do Jardim Botânico de Goiânia, mas sua relação com a natureza começou muito antes de o espaço receber a homenagem. Professora, jornalista, historiadora, advogada e pesquisadora, ela integrou a Sociedade Botânica do Brasil, presidiu a Sociedade Goiana de Orquidófilos e se dedicou ao estudo das plantas e à defesa da preservação de áreas verdes de Goiânia. Nascida em 23 de setembro de 1916, Amália completaria 110 anos nesta quarta-feira (23).

A ligação com as plantas também fazia parte de sua vida pessoal. Amália mantinha uma coleção de orquídeas na casa onde viveu, na Rua 24, em Goiânia, e ficou especialmente conhecida por sua dedicação ao estudo dessas plantas. Seu nome está associado à variedade de orquídea Cattleya nobilior amaliae, que recebeu essa denominação em sua homenagem.

Pesquisa da Universidade Estadual de Goiás (UEG) identificou textos de Amália sobre a construção da nova capital, o Batismo Cultural e as transformações ambientais de Goiânia. Os estudos também registram sua atuação contra a devastação da natureza e em defesa da preservação das áreas verdes da cidade.

(Foto: Acervo do professor Bento Fleur)

Nascida em Natividade, então município do norte de Goiás e hoje pertencente ao Tocantins, Amália passou parte da infância em Itaberaí e na Cidade de Goiás. Estudou no Lyceu de Goiás entre 1930 e 1934 e formou-se pela Escola Normal Oficial do estado em 1935. No ano seguinte, fez o Curso de Extensão Normal Rural no Rio de Janeiro.

Em 1937, casou com o advogado Maximiano da Matta Teixeira e mudou para Goiânia, onde desenvolveu grande parte de sua trajetória profissional. Foi professora catedrática de Geografia da Escola Normal Oficial e, posteriormente, professora de História da Universidade Federal de Goiás, entre 1962 e 1964.

Sua atuação na educação esteve ligada também aos clubes agrícolas escolares, iniciativas que aproximavam os estudantes do cultivo da terra e do ensino rural. Pesquisas sobre sua trajetória apontam a participação de Amália no movimento escolanovista e sua contribuição para a educação em Goiás.

A atuação de Amália, porém, foi muito além das salas de aula. Ela dirigiu a Imprensa Oficial do Estado, esteve à frente da Revista de Educação de Goiás e escreveu para jornais e revistas. Também desenvolveu trabalhos como advogada, ensaísta, historiadora, produtora cultural, folclorista e pesquisadora.

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Reconhecida entre os amantes das orquídeas

Amália participou ainda da vida intelectual e cultural da nova capital. Pesquisas sobre sua trajetória registram uma ampla rede de relações sociais, institucionais e intelectuais, que incluía nomes ligados à literatura, às artes e à pesquisa. A dissertação da historiadora Luciana da Silva Martins, por exemplo, dedica capítulos à rede de sociabilidade de Amália e às relações dela com figuras como Cora Coralina, Pablo Neruda e Zélia Gattai.

Sua dedicação à botânica também ganhou reconhecimento entre os orquidófilos. Em 1966, a Sociedade Goiana de Orquidófilos realizou sua primeira exposição em Goiânia. Anos depois, o nome de Amália seria associado à Cattleya nobilior amaliae, variedade que passou a preservar sua memória no universo das orquídeas. Registros do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás também apontam sua participação em congressos nacionais de Botânica e em exposições de orquídeas.

Homenagem

Amália morreu em Goiânia em 28 de abril de 1991. Sete anos depois, uma das principais homenagens à sua trajetória foi oficializada pelo município. A Lei nº 7.800, de 5 de maio de 1998, denominou o espaço como Jardim Botânico Amália Hermano Teixeira.

Jardim Botânico

A história do Jardim Botânico, porém, começou antes da homenagem. O espaço já estava previsto no plano original da nova capital, elaborado por Atílio Corrêa Lima, por meio do Decreto-Lei nº 90-A, de 1938. A implantação e a inauguração do Jardim Botânico ocorreram posteriormente, em 1978.

Atualmente, o Jardim Botânico Amália Hermano Teixeira é considerado bem tombado pelo município e está registrado no Sistema Nacional de Registro de Jardins Botânicos do Brasil. A estrutura prevê unidades como herbário, diasporoteca, biblioteca, orquidário e coleções vivas, mantendo justamente um dos elementos que marcaram a trajetória de Amália: o estudo e a preservação das plantas.

A trajetória da pesquisadora voltou a ser revisitada em 2026. Em agosto, a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás promoveu o pré-lançamento do e-book Amália Hermano Teixeira – Ambientalista e Polivalente, publicação que reúne documentos e pesquisas sobre diferentes aspectos de sua atuação. O lançamento ocorreu em agosto, em Goiânia.

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