Suspeito de matar estudante após se arrepender de relação vira réu em Goiânia
Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e apontou que há indícios suficientes de autoria e materialidade. Acusado também vai responder por furto
O homem acusado de matar o estudante de medicina veterinária Luciano Milo de Carvalho, de 27 anos, após afirmar que se arrependeu de ter mantido uma relação sexual com a vítima, se tornou réu na Justiça. O juiz Eduardo Pio Mascarenhas da Silva, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e determinou a abertura da ação penal contra Walison Ascanio Tito, de 31 anos. Ele vai responder por homicídio qualificado e furto. O magistrado também determinou que o investigado seja citado para apresentar defesa no prazo de 10 dias.
Na decisão, o juiz entendeu que a denúncia reúne elementos suficientes para dar início ao processo criminal. Segundo o documento, há provas da materialidade do crime e indícios de autoria baseados no laudo cadavérico, que confirmou que Luciano morreu por asfixia mecânica provocada por estrangulamento, e nas investigações da Polícia Civil, que identificaram o acusado por meio de imagens de câmeras de segurança.
As gravações mostram Walison chegando ao condomínio acompanhado da vítima, na manhã de 10 de maio, e deixando o prédio cerca de duas horas depois sozinho. Nas imagens, ele aparece carregando o notebook de Luciano, duas latas de cerveja e usando um tênis pertencente ao estudante.

Além de aceitar a denúncia, o magistrado autorizou novos pedidos feitos pelo Ministério Público para aprofundar a investigação, entre eles a elaboração do laudo do local do crime e a extração de dados do celular da vítima. O suspeito foi preso quando estava no terminal rodoviário de Trindade, três dias após o crime.
Confissão
Durante as investigações, Walison confessou o assassinato. Segundo a Polícia Civil, ele contou que conheceu Luciano pouco antes do crime e foi convidado para ir ao apartamento do estudante. Antes de seguirem para o imóvel, os dois passaram por uma distribuidora para comprar bebidas alcoólicas.
Em depoimento, o investigado afirmou que, após manter relação sexual com Luciano, se arrependeu do encontro e decidiu matar o jovem utilizando o carregador de um notebook para estrangulá-lo.
De acordo com o delegado Danilo Wendel, responsável pelo inquérito, a apuração indica que a intenção inicial não era roubar a vítima. Notebook e outros objetos pessoais só foram levados depois da morte. O computador foi vendido pelo suspeito por R$ 100, quantia que, segundo ele próprio declarou, foi utilizada para comprar drogas.
O corpo de Luciano foi encontrado por uma prima, que foi até o apartamento após o pai do estudante estranhar a falta de contato com o filho. A porta estava fechada, mas destrancada. Durante a perícia, os policiais localizaram no imóvel uma tornozeleira eletrônica rompida, deixada pelo autor.
Câmeras ajudaram na identificação
As imagens do sistema de monitoramento do condomínio foram consideradas fundamentais para a investigação. Elas registraram o momento em que Luciano entra no prédio dirigindo o próprio carro, acompanhado de Walison, e também a saída do suspeito sozinho, levando pertences da vítima.

Segundo a Polícia Civil, essas imagens, somadas aos laudos periciais e à confissão do investigado, embasaram a denúncia apresentada pelo Ministério Público e agora recebida pela Justiça.
Histórico criminal
Ainda conforme a Polícia Civil, Walison já cumpria pena por outro homicídio e utilizava tornozeleira eletrônica, que foi rompida antes do assassinato de Luciano. Ele também possui antecedentes por roubo e receptação.
Além disso, o investigado chegou a responder por outro homicídio ocorrido em 2018, em Ouro Verde de Goiás. Na ocasião, o Ministério Público o acusou de participar de uma emboscada em que um jovem foi morto a facadas e pedradas para que seu carro fosse roubado. O corpo da vítima foi colocado no porta-malas do veículo e abandonado em uma área rural de Petrolina de Goiás.
Apesar da gravidade das acusações, a Justiça concluiu que as provas produzidas naquele processo eram insuficientes para levar os acusados a julgamento pelo Tribunal do Júri. O caso foi arquivado após a decisão ser mantida pelo Tribunal de Justiça de Goiás.
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