Sociedade Goiana de Veterinária se manifesta após casos de agressão e ameaças
Segundo a entidade, profissionais têm enfrentado agressões, ameaças e intimidações durante atendimentos
A Sociedade Goiana de Veterinária (Sogove) divulgou, na quarta-feira (8), uma nota de repúdio após episódios de agressões, ameaças, intimidações e outros atos de violência contra médicos veterinários durante o exercício da profissão. A entidade ressaltou que divergências sobre atendimentos, frustrações ou o sofrimento provocado pela condição clínica de um animal não justificam atos violentos, ofensas ou constrangimentos contra profissionais ou equipes de assistência.
Ao Mais Goiás, o presidente da Sogove, Thiago Augusto Lourenço, afirmou que a manifestação da entidade não foi motivada por um episódio isolado, mas por uma sequência de ocorrências que reacenderam o debate sobre a segurança e a saúde mental da categoria.
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Casos em Goiânia
Entre os casos citados por Thiago estão duas ocorrências registradas em Goiânia nos últimos dias. No primeiro episódio, uma médica-veterinária denunciou ter sido agredida por uma cliente durante um atendimento em um pet shop no Jardim Novo Mundo. Segundo a profissional, a confusão começou após a cliente contestar a cobrança de uma taxa adicional pelo serviço de banho e tosa. A veterinária afirmou que teve os braços segurados, foi puxada por cima do balcão e atingida por objetos arremessados pela mulher. O caso foi registrado pela Polícia Civil e está sendo investigado.
O segundo caso ocorreu na clínica veterinária Aupet Heinsten, que funciona 24 horas. Após a morte de um cachorro, o tutor foi até o estabelecimento em busca de atendimento de emergência. Em nota, a clínica afirmou que o homem tentou acessar uma porta lateral que estava interditada havia cerca de três meses, arrombou a grade de proteção e entrou no local sem camisa, descalço e usando apenas um short de banho, comportamento que teria assustado as funcionárias.
Segundo a Aupet, as colaboradoras acionaram a Polícia Militar após se sentirem ameaçadas. A clínica também informou que o animal estava em um ponto cego das câmeras de segurança e que, durante o acompanhamento clínico, a equipe havia orientado mais de uma vez sobre a necessidade de internação para tratamento intensivo, mas a família optou por dar continuidade ao tratamento em casa. A empresa lamentou a morte do animal e repudiou ataques direcionados aos funcionários após a repercussão do caso.
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Segundo Thiago, profissionais da área convivem diariamente com situações de pressão, ameaças e intimidações por parte de tutores. “Gritos, ameaças, intimidações, ofensas, acusações injustas e até ameaças de morte fazem parte da realidade de muitos profissionais.”
Thiago também ressaltou que o sofrimento dos tutores diante da perda ou da gravidade da doença de um animal é legítimo, mas não pode resultar em violência contra quem presta assistência. O presidente ainda chamou atenção para a vulnerabilidade das clínicas veterinárias, que, na maioria das vezes, não contam com equipes de segurança, e para o impacto psicológico causado pela exposição e pelos ataques sofridos pelos profissionais.
Thiago afirmou que a Sogove busca representar os médicos-veterinários e dar visibilidade a uma realidade que, segundo ele, muitas vezes permanece invisível para a sociedade. O presidente ressaltou que a entidade não pretende defender eventuais erros nem antecipar julgamentos sobre casos específicos, mas defender que todas as investigações ocorram de forma responsável e imparcial, garantindo que nenhum profissional tenha sua integridade física, moral ou psicológica colocada em risco pelo exercício da profissão.
“Quem cuida da vida dos animais também merece respeito, segurança e dignidade para continuar cuidando. Isso não é apenas uma defesa da categoria; é uma defesa da própria qualidade da Medicina Veterinária oferecida à sociedade”, concluiu.
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