Terça-feira, 18 de Agosto de 2026
FLORADA DO CERRADO

Veja fotos de ipês brancos que floresceram no condomínio do cantor Marrone, em Goiânia

Florada curta chama a atenção de moradores e visitantes; capital tem cerca de 50 mil ipês, mas prefeitura não informa quantos são brancos

Fernanda Cappellesso
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Ipês-brancos florescem e mudam a paisagem do Condomínio Granville, em Goiânia (Foto: Maurício Aparecido Mariano da Silva/@NeguinhoDoBem)

Uma visita ao cantor Marrone terminou em uma série de fotografias dos ipês-brancos que floresceram no Condomínio Granville, em Goiânia. Assessor do sertanejo, Maurício Aparecido Mariano da Silva seguia para encontrar o artista, que mora no residencial, quando percebeu a concentração de árvores floridas. Ele interrompeu o trajeto e registrou a paisagem ainda de dentro do carro. As imagens foram cedidas ao Mais Goiás.

As fotografias mostram os ipês alinhados ao longo das ruas e áreas verdes do condomínio. Sem folhas, as copas aparecem cobertas de flores brancas, enquanto as pétalas que caíram formam uma camada clara no chão. O contraste com o céu azul levou Maurício a fotografar diferentes pontos do caminho. O compromisso de trabalho ganhou, por alguns minutos, outro foco.

Por que os ipês ficam cobertos de flores

O ipê-branco, de nome científico Tabebuia roseoalba, é uma árvore decídua, classificação dada às espécies que perdem as folhas em determinada época do ano. A redução da folhagem durante a estiagem diminui a perda de água. Quando a floração começa, os galhos estão expostos e as flores passam a ocupar visualmente toda a copa. O Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG classifica o processo como explosivo e de curta duração.

“A perda das folhas faz parte da adaptação da espécie ao período seco. Como as flores surgem quando a copa está sem folhagem, o resultado visual é mais evidente. No Granville, vários exemplares entraram nessa fase ao mesmo tempo, o que criou a sequência registrada nas fotografias”, explica a bióloga Mariana Moura.

A floração ocorre principalmente entre agosto e setembro, segundo informações botânicas reunidas pela Câmara dos Deputados. O ciclo pode se repetir em um intervalo curto, mas não acontece na mesma data em todas as árvores. Temperatura, disponibilidade de água, luminosidade, idade e condições do solo interferem no processo. Vento, calor e chuva também influenciam a permanência das flores nos galhos.

Ipê-branco não é necessariamente raro

Ipês-brancos formam um corredor de flores pelas ruas do Condomínio Granville, em Goiânia (Foto: Maurício Aparecido Mariano da Silva/@NeguinhoDoBem)
Ipês-brancos formam um corredor de flores pelas ruas do Condomínio Granville, em Goiânia (Foto: Maurício Aparecido Mariano da Silva/@NeguinhoDoBem)

A espécie ocorre em Goiás e em outros estados brasileiros, além de áreas da Bolívia, do Paraguai e do Peru. A árvore pode atingir entre 7 e 16 metros de altura, com flores brancas ou levemente rosadas e manchas amarelas no interior. Abelhas participam da polinização, enquanto o vento dispersa as sementes produzidas depois da florada. A distribuição geográfica ampla impede que a espécie seja chamada de rara apenas com base na cor.

“Não existe um inventário de Goiânia que separe os ipês por cor e permita medir a quantidade de exemplares brancos. O que ocorre com menor frequência é encontrar várias árvores completamente floridas ao mesmo tempo. A duração reduzida da florada também limita a oportunidade de observar uma concentração como a do Granville”, afirma Mariana.

A Agência Municipal do Meio Ambiente estima que Goiânia tenha cerca de 50 mil ipês. O número inclui árvores amarelas, roxas, rosas, brancas e verdes plantadas em ruas, parques, praças e canteiros. O amarelo é o mais encontrado na capital. A prefeitura não informa quantos exemplares brancos integram o levantamento.

Ipês integram arborização de Goiânia

Os ipês fazem parte de uma cobertura vegetal que coloca Goiânia entre as capitais mais arborizadas do país. Dados do Censo de 2022 mostram que 89,6% dos moradores vivem em vias com pelo menos uma árvore, conforme levantamento publicado pelo Mais Goiás. O percentual deixa a cidade atrás apenas de Campo Grande, onde o índice chega a 91,4%. A média brasileira é de aproximadamente 66%.

Além do efeito sobre a paisagem, as flores do ipê fornecem néctar e pólen para insetos durante uma época de menor oferta floral. As copas também podem servir como abrigo e ponto de passagem para aves. Depois da floração, os frutos liberam sementes leves, transportadas pelo vento. A presença de espécies nativas mantém parte das relações ecológicas do Cerrado dentro do espaço urbano.

“O ipê-branco não exerce apenas uma função ornamental. A árvore participa do ciclo dos polinizadores e mantém uma referência da vegetação regional na cidade. O plantio de espécies nativas amplia a diversidade da arborização e reduz a dependência de poucas espécies”, diz Mariana.

Estudo aponta adaptação ao ambiente urbano

Uma pesquisa apresentada no Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia, em 2021, acompanhou 13 ipês-brancos plantados no campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O crescimento médio anual chegou a 0,5 metro na altura, 1,6 centímetro no diâmetro do tronco e 1,3 metro quadrado na área da copa. Alguns exemplares apresentaram a primeira floração abundante aos quatro anos. Entre as árvores acompanhadas por sete anos, foram necessários dois ciclos leves de poda.

Os pesquisadores consideraram a espécie adequada para projetos de arborização devido ao porte, ao crescimento da copa e à necessidade limitada de intervenções observada na amostra. Os resultados, contudo, foram obtidos no Paraná e não podem ser transferidos integralmente para Goiânia. Clima, solo e manejo alteram o desenvolvimento das árvores. O estudo oferece parâmetros, mas o plantio local precisa de avaliação técnica.

A manutenção também interfere na sobrevivência dos exemplares. Mudas dependem de irrigação, espaço para as raízes e proteção durante os primeiros anos. A adaptação de uma árvore adulta ao período seco não significa que plantas jovens possam ficar sem água. Distância da rede elétrica, largura da calçada e presença de tubulações também precisam ser avaliadas.

Um caminho registrado no momento certo

A passagem de Maurício pelo Granville coincidiu com o momento em que diferentes ipês estavam cobertos de flores. A mesma rua pode apresentar outra aparência depois da queda das pétalas e do início da recomposição da folhagem. O registro preserva uma etapa limitada do ciclo das árvores. Também mostra como um trajeto cotidiano pode revelar mudanças sazonais na paisagem de Goiânia.

Marrone, integrante da dupla Bruno & Marrone, era o motivo da visita ao condomínio. Os ipês, porém, acabaram dividindo a atenção do assessor no caminho. Maurício fotografou as árvores e compartilhou o material para mostrar a concentração de flores no residencial. A visita ao cantor também virou um registro da temporada de ipês-brancos na capital.

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