‘Acelerado’: estudante de Goiânia vence olimpíada internacional de matemática nos EUA
Com apenas 9 anos e mais de 70 medalhas no currículo, Pedro Farias superou concorrentes de 15 países na etapa global da Copernicus Olympiad
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O estudante de Goiânia Pedro de Oliveira Farias, de 9 anos, conquistou uma medalha de ouro na rodada global da Copernicus Mathematics Olympiad, disputada na Columbia University, em Nova Iorque. O jovem também garantiu a segunda maior nota em sua categoria, chegando ao melhor desempenho entre os membros da delegação brasileira. A prova reuniu alunos de diferentes países na última quarta-feira (29).
Com a premiação, Pedro ultrapassou 70 medalhas em olimpíadas do conhecimento. Foram 33 apenas neste ano. Além disso, ao todo, já são dez conquistas internacionais do jovem que foi “acelerado” e já está no 5º ano. Ao Mais Goiás, a mãe do prodígio, a advogada Raquel Morais, classificou como “emocionante” participar da Copernicus Mathematics Olympiad. “Devo ter falado umas 200 vezes que eu estava passando mal e que achava que desmaiaria”, brincou. Neste momento, a família ainda está nos Estados Unidos e se prepara para a viagem de retorno.
Desde a preparação para a viagem, Pedro precisou enfrentar desafios e até momentos de tristeza. Primeiro, a questão logística e financeira, que só permitiu aos dois fazerem o trajeto. “Nós tivemos muita dúvida sobre vir, porque, embora Pedro tenha um ótimo desempenho em olimpíadas, o investimento é alto e a competição tem um nível elevado (afinal, todos aqui eram os melhores de seus países). Trabalhamos bastante com ele a ideia de que vir para cá e estar aqui já era algo a se comemorar, mesmo se ele não medalhasse”, detalha.
Raquel revelou ao Mais Goiás que, assim que chegaram, soube do falecimento da avó materna dela, o que abalou o filho, que até pensou em voltar. O jovem ainda teve uma crise de rinite durante a madrugada antes da prova. “Então, achávamos que talvez não desse muito certo”, narrou. Mesmo assim, o pequeno resolveu fazer a prova.
A mãe conta que, após o término, ela foi checar o caderno de questões e verificar as respostas com o uso de inteligência artificial. O resultado surpreendeu. “Pelo desempenho dele, já estávamos com bastante esperança de medalha. Eu não esperava ouro, mas achava que poderia vir algo.” Apesar do restante da família não ter viajado, eles acompanhavam tudo pelas redes sociais. “Quando os anúncios de prata acabaram, todo mundo ficou agitado, né? E, na nossa delegação, a mesma coisa. Eu dizia que estava passando mal e eles brincavam que tudo bem se eu desmaiasse, do chão não passaria, me segurariam.”
Quando o anúncio do ouro foi feito e o nome de Pedro foi citado, a alegria tomou conta da mãe e também da família, que acompanhava online. “Aí, depois disso, veio o anúncio do top 3. Como o nome dele foi o terceiro a ser chamado, estávamos desconfiando que ele pudesse ter tido a terceira maior nota. Mas quando veio o anúncio do segundo lugar para ele, de novo, muita festa, muita emoção, muito orgulho, muita alegria mesmo, com a delegação e com a família, no WhatsApp”, diz a mãe orgulhosa.

Rotina de criança
Apesar do talento com os números, Pedro tem rotina de criança, garante a mãe. “Ele é criança em 100% do tempo. Ele vai para a escola, assiste à TV, lê, brinca, corre, pula, conversa, joga… Isso, aliás, é o padrão das crianças aqui também. Ontem, fomos ao Central Park e foi lindo. Corrida no saco, ovo na colher, corrida, futebol, vôlei… Durante nossa trajetória aqui, os adolescentes batiam papo com os menores sobre o álbum da Copa. Meu filho discutiu sobre Pelé, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Cristiano Ronaldo, Neymar, etc. com os novos amigos. Então, são crianças em tempo integral. Mas são crianças e adolescentes com alto potencial, sabe?”
Atualmente, Pedro estuda no Colégio Marista e participa de um projeto para estudantes com altas habilidades no contraturno. Por terem passado para a rodada global, ele teve aulas preparatórias com um professor do fundamental 2 por uma hora nas sextas. “Fora isso, ele é embaixador do Clube Amplexo Educação, o maior clube de enriquecimento curricular on-line.” Um colega de sala dele, Bernardo Martini Mendes, de 11 anos, também brilhou na competição e conquistou a medalha de bronze.
Com esse novo triunfo, Pedro já tem novos compromissos no calendário. Segundo a mãe, ele vai fazer a Copernicus de ciências naturais, a Olimpíada Nacional de Ciências, a OBMEP Mirim e algumas olimpíadas em Singapura. O pequeno sempre pode contar com o apoio dos pais, diz Raquel.
Detalhes
Durante a prova, os alunos tiveram que responder 20 questões em 90 minutos. Pedro concorreu em uma categoria com 48 participantes, estudantes de alto nível convidados para representarem seus países. O top 3 levou medalha de ouro, além de um prêmio da organização. No caso do goiano, que conseguiu a segunda maior nota, ainda foi dado um óculos de realidade virtual conhecido como Meta Quest.
A etapa de Nova Iorque é a fase final da Copernicus Mathematics Olympiad. Antes, os alunos competem com outras crianças de seu próprio país. Os melhores, então, são selecionados e recebem uma carta-convite para representar a nação de origem.
Raquel lembra com carinho de um momento do evento. “Na abertura, havia pessoas de 15 países diferentes, falando os mais variados idiomas. A apresentadora disse uma coisa muito legal: ‘Podíamos falar diferentes línguas, mas todos conseguíamos nos entender na matemática.’ E é incrível testemunhar quão longe a matemática, a educação e os estudos podem levar as pessoas. Tenho certeza que meu filho saiu transformado, inspirado e motivado dessa experiência.”

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