Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026
LIBERDADE

Vigilante que matou suspeito de furto alega legítima defesa e é solto: ‘só queria preservar minha vida’

Alegação de legítima defesa será apurada em inquérito policial

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Vigilante hospitalar

O vigilante do Hospital Samaritano, no Setor Coimbra, em Goiânia, que matou a facadas um homem suspeito de furtar fios de cobre da unidade de saúde, foi solto horas após o crime, ocorrido na manhã de quinta-feira (15). Durante audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória sem fiança e sem a imposição de medidas cautelares. Ao analisar o caso, o juiz Jesseir Coelho de Alcântara considerou que a prisão em flagrante foi realizada corretamente, mas entendeu que não havia necessidade de convertê-la em prisão preventiva.

Em depoimento, o funcionário afirmou que agiu para preservar a própria vida após o suspeito sacar uma faca e avançar em sua direção. “Na hora que ele me viu, ele se assustou. Aí ele veio até minha direção, ele tirou uma outra faca do bolso dele. Aí eu não consegui nem pensar direito, eu só queria preservar a minha vida. Aí deu no que deu”, relatou.

O caso aconteceu por volta das 5h20. Segundo informações da Polícia Militar (PM), o vigilante surpreendeu o grupo durante a ação, e dois suspeitos fugiram.

Durante o confronto, o terceiro homem entrou em luta corporal com o funcionário e foi atingido por três golpes de faca nas costas. Ele não resistiu aos ferimentos, e a morte foi constatada pelo Corpo de Bombeiros. O vigilante também sofreu um ferimento em uma das mãos.

Ao explicar a dinâmica do episódio, o funcionário afirmou que um dos homens retirava os fios enquanto os outros dois davam cobertura à ação. “O pronto-socorro fica em uma descida e, nessa descida, do lado, tem vários geradores de ar-condicionado, e ele estava roubando essas fiações. Um estava cometendo o ato e os outros dois estavam de vigia”, disse.

O vigilante também afirmou que a faca utilizada pelo suspeito pertencia a ele. Após o confronto, o funcionário conseguiu perseguir e deter outro dos envolvidos na região. O homem foi preso por suspeita de tentativa de furto e permanecia detido até a última atualização do caso. O terceiro suspeito conseguiu fugir.

Defesa alegou legítima defesa

Durante a audiência de custódia, o advogado Eliezer Sousa pediu a concessão da liberdade provisória sem fiança. A defesa argumentou que a prisão preventiva é uma medida excepcional, prevista nos artigos 312 e 315 do Código de Processo Penal, e sustentou que os indícios de legítima defesa deveriam ser considerados.

O defensor destacou ainda que o vigilante tem residência fixa, vínculo familiar e atividade profissional, além de ressaltar que o episódio ocorreu durante o exercício do trabalho. A defesa também solicitou a juntada de documentos médicos referentes às lesões sofridas pelo funcionário.

“A própria autoridade policial, Excelência, consignou a necessidade de apreciação definitiva, depois de tudo isso, pelo Poder Judiciário”, afirmou o advogado durante a audiência. A defesa fundamentou o pedido de liberdade provisória nos artigos 310 e 321 do Código de Processo Penal.

Juiz concedeu liberdade sem medidas cautelares

Após ouvir o Ministério Público de Goiás (MPGO) e a defesa, o magistrado ressaltou que a alegação de legítima defesa deverá ser examinada no decorrer da investigação policial, sem antecipar uma conclusão definitiva sobre a conduta do vigilante.

“Eu, então, concedo a liberdade ao preso, devendo ser expedido o alvará de soltura, para que, então, ele possa ser colocado, conforme mencionado, em liberdade”, declarou o juiz.

Categorias:
Cidades Goiânia
Tags:
Goiânia Vigilante