SAÚDE

Goiás investiga primeira morte por suspeita de chikungunya

Estado acumula 3.290 notificações em dois meses. Caldas Novas concentra mais de 80% das confirmações e decretou calamidade pública

dengue
Mosquito Aedes aegypti é um dos vetores de transmissão da dengue, chikungunya e zika (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) investiga a primeira morte com suspeita de chikungunya em 2026, registrada em Caldas Novas. Até o momento, nenhum óbito foi confirmado oficialmente pela pasta, mas os casos estão em análise epidemiológica.

As investigações ocorrem em meio a um avanço acelerado da doença neste início de 2026. De janeiro a 27 de fevereiro deste ano, Goiás já registrou 3.290 casos notificados de chikungunya. Destes, 1.496 foram confirmados, o que representa 72% de todas as 2.071 confirmações de 2025.

A situação mais crítica está em Caldas Novas, que concentra 83% das confirmações da doença no estado. Sozinha, a cidade contabiliza mais de 2,2 mil notificações e 1.059 casos confirmados. Em termos proporcionais, a cada dez diagnósticos positivos em Goiás, pelo menos oito são de moradores do município.

Diante do cenário, a prefeitura decretou situação de calamidade pública na última semana. A decisão foi tomada após exames laboratoriais confirmarem que o vírus predominante na cidade é o da chikungunya e não o da dengue, como se suspeitava inicialmente.

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O decreto permite acelerar medidas emergenciais, ampliar a capacidade de atendimento nas unidades de saúde e reforçar o combate ao Aedes aegypti, transmissor da doença.

Morte em Goiânia

Até a terça-feira (03), eram três óbitos em investigação epidemiológica, mas a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) descartou os outros dois casos suspeitos. Segundo a pasta, até o momento, não há óbitos confirmados nem mortes em investigação por chikungunya em Goiânia.

O Distrito Sanitário Sul concentra a maior incidência da doença na capital. Atualmente, o município registra 46 casos notificados, dos quais 26 foram confirmados. No ano passado, Goiânia contabilizou 255 notificações, com 163 diagnósticos positivos, e não houve registro de mortes relacionadas à doença em 2025.

Medidas e alerta

Entre as ações adotadas estão a eliminação de criadouros do mosquito, aplicação de inseticidas em áreas consideradas críticas e reorganização do fluxo nas unidades de saúde para reduzir o tempo de espera da população. Ao todo, 26 municípios goianos já registraram casos de chikungunya em 2026, mas nenhum se aproxima da situação observada em Caldas Novas.

A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti e provoca sintomas como febre alta e dores intensas nas articulações. Em quadros mais graves, especialmente em idosos e pessoas com doenças pré-existentes, pode haver complicações e risco de morte.

A Secretaria Estadual de Saúde reforça que a população deve eliminar qualquer recipiente com água parada e procurar atendimento médico ao apresentar sintomas compatíveis com a doença.