FINANÇAS

Sextou: gasto do goiano com lazer está acima da média brasileira, diz pesquisa

Psicóloga explica que o comportamento pode estar relacionado a fatores culturais e emocionais

Custo de vida sobe, mas goianos mantêm gastos com lazer acima da média nacional (Foto: Freepik)

Um levantamento realizado pelo Serasa mostra que 7 em cada 10 pessoas afirmam que as despesas subiram nos últimos 12 meses, em Goiás, a percepção é a mesma. No Centro-Oeste, o gasto médio mensal chega a R$ 3.660, acima dos R$ 3.520 registrados na média nacional. Mesmo diante do cenário de pressão financeira, os goianos mantêm investimentos em lazer acima da média do país. No estado, a despesa mensal com essas atividades é de R$ 360, enquanto a média nacional é de R$ 340.

Em entrevista ao Mais Goiás, a psicóloga organizacional Aline da Mata explicou que esse comportamento pode estar ligado não apenas ao consumo, mas também a fatores culturais e emocionais.

Ela explica que o lazer não é apenas superficialidade, ele faz parte da alta performance. Assim como precisamos dormir bem, nos alimentar adequadamente e praticar atividade física, o descanso e os momentos de convivência são essenciais para a saúde mental e para a produtividade. “Pessoas que vivem em isolamento têm maior tendência à depressão, à solidão e até a enfermidades”, afirma.

Segundo ela, pesquisas já demonstram que pessoas que têm tempo de qualidade para descanso e lazer tendem a apresentar melhor desempenho no trabalho e maior equilíbrio emocional. Para Aline, aspectos culturais ajudam a explicar por que os goianos mantêm investimentos em lazer e convivência social, mesmo diante do aumento das despesas.

“Goiás tem uma cultura muito forte de vínculo, de família, de indicação, de proximidade. É uma cidade em que as pessoas se conhecem, constroem relações próximas. Isso fortalece encontros sociais, reuniões entre amigos e familiares, eventos e celebrações”, destaca.

Reflexo da pandemia

A especialista aponta ainda que, após o período de isolamento social na pandemia, houve uma valorização maior das relações presenciais. “A pandemia evidenciou o quanto as relações sociais são fundamentais para a constituição do sujeito. Depois do isolamento, observamos um boom de eventos, restaurantes e shows lotados. Isso revela uma necessidade reprimida de convivência.”

Impacto do mercado de trabalho

Outro fator que influencia o cenário econômico local é o aquecimento do mercado de trabalho. De acordo com Aline, Goiás tem atraído novas empresas, o que aumenta a competitividade por mão de obra qualificada.

Ela afirma que tem observado um movimento de “leilão salarial”. Para contratar um profissional que já está empregado, muitas empresas precisam oferecer remunerações mais altas e pacotes de benefícios mais estruturados. Segundo ela, isso eleva a percepção de renda, mas também vem acompanhado de um aumento no padrão de consumo.

A pesquisa aponta que mesmo com o aumento dos custos, apenas 11% dos entrevistados da região Centro-Oeste consideraria mudar de cidade para reduzir despesas.

Para a psicóloga, a manutenção das atividades sociais está diretamente ligada à saúde mental. Ela afirma que pessoas que têm rede de apoio, família, amigos ou participação em grupos religiosos ou culturais tendem a ser mais longevas e emocionalmente equilibradas. Segundo a especialista, o ser humano precisa se relacionar, e o isolamento prolongado pode impactar negativamente a saúde mental.

O levantamento foi realizado entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026 e ouviu 6.063 pessoas em todo o país. A margem de erro é de 1,2 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%.