JUSTIÇA

Mais de 420 ex-funcionários da Drogaria Santa Marta aguardam rescisões há anos em Goiás

Empresa fiz que que não está inerte e requereu "reiteradamente" ao Poder Judiciário a liberação de valores

Mais de 420 ex-funcionários da Drogaria Santa Marta aguardam rescisões há anos em Goiás
Mais de 420 ex-funcionários da Drogaria Santa Marta aguardam rescisões há anos em Goiás (Foto: Reprodução)

Com Diogo Luz

Mais de 420 ex-funcionários da rede Drogaria Santa Marta aguardam as verbas rescisórias desde o fechamento das unidades da empresa em Goiás, em março de 2023. À época, a empresa entrou em recuperação judicial. As informações foram repassadas pelo  Sindicato dos Farmacêuticos de Goiás (Sinfargo), que realizou um protesto público na última semana devido à situação.

A empresa, por sua vez, esclarece que não está inerte e requereu “reiteradamente” ao Poder Judiciário a liberação de valores, visto que “os bens, ativos e recursos financeiros da empresa estão submetidos ao controle do Juízo Recuperacional”. Disse, ainda, que, também na última semana, a Justiça autorizou o levantamento de valores justamente para viabilizar o pagamento dos créditos trabalhistas, reconhecendo a necessidade da medida (confira a nota completa no fim da matéria).

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Enquanto os ex-funcionários cobram a solução para os pagamentos pendentes, o Sindicato estuda medidas jurídicas para acessar o patrimônio dos ex-proprietários. Advogado do Sinfargo, Gustavo Pelá disse ao Mais Goiás que ocorreram duas levas de demissões: a primeira em 2023, atingindo cerca de 275 funcionários que até hoje não receberam os acertos trabalhistas integralmente; e a segunda após mais de um ano, que afetou cerca de 150 trabalhadores, sendo ao menos 75 farmacêuticos. Parte dos trabalhadores da primeira leva chegou a receber valores parciais após a venda de imóveis dentro do processo de recuperação judicial.

verba rescisória
(Foto: Agência Brasil)

Para o presidente do sindicato, Fábio Basílio, os ex-donos têm condições de honrar as dívidas, mas se esquivam da responsabilidade. “Quem foi demitido em 2024 e 2025 não recebeu nada, nada, nada. A gente sabe que os antigos proprietários têm condições de honrar com esse pagamento, e estão jogando tudo em cima da recuperação judicial”, declarou Basílio. Ele explica que o departamento jurídico pretende acessar bens diretamente vinculados aos antigos proprietários, fora do guarda-chuva da recuperação, para tentar garantir o pagamento dos ex-funcionários.

O sindicato, contudo, teme que a Justiça decrete a falência da Drogaria Santa Marta em breve. Ele diz que, com isso, a recuperação dos valores seria ainda mais difícil para os trabalhadores.

Desabafo dos ex-funcionários

Uma ex-funcionária que atuou por 25 anos na empresa revela que saiu em 2024. Segundo ela, uma pequena parte foi paga em 2024, mas nada mais depois disso. “O fato de sair sem receber toda a verba rescisória me deixou profundamente triste, decepcionada, pois sempre vesti a camisa da empresa. Não tiveram respeito conosco”, declarou.

“O que ficamos sabendo é que tem dinheiro e bens bloqueados, que dariam para quitar com todos os funcionários, pois dizem que nós somos a prioridade. O que nós funcionários não entendemos é porque o juiz que está cuidando do caso não libera esses valores. O meu maior questionamento hoje é com a Justiça.”

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Outro ex-funcionário disse ao portal que deixou a empresa no fim de 2024 após 9 anos e 6 meses de dedicação. “Nos primeiros meses, até arrumar outro trabalho fixo, fiz moto Uber para ter renda para sobreviver”, revelou. Quanto à possibilidade jurídica de chegar aos bens dos ex-proprietários, ele vê como “mais uma promessa como as outras que foram feitas e não foram cumpridas”.

Mais uma ex-trabalhadora, demitida há cerca de dois anos, diz que sua saída foi traumática. Após 9 anos de atuação, ela afirma que perdeu dinheiro ao ser “desligada com aviso prévio sem cumprimento”. “Cheguei a denunciar no Ministério do Trabalho”, relatou. Segundo ela, o não pagamento do acerto fez com que ela entrasse em depressão.

“Todos sabem que o trabalho em drogaria é muito desgastante. Ajudamos com toda a presteza nos momentos ruins em que demitiram a maioria dos funcionários. Pagar o que é diretamente nosso não é favor e nem reconhecimento. Foi muito difícil ver colegas que saíram e aquela era a única renda de uma família toda”, desabafou.

Acerca da falência da empresa, ela acredita que a situação pode piorar. “Se eles quisessem nos pagar, já poderiam ter feito, mas preferem ficar na sombra da Justiça que, em muitos casos, tarda. E eles continuam por aí sem pelo menos nos dar uma satisfação. Só ficamos sabendo de alguma coisa pelo advogado.”

Nota do departamento jurídico da Drogaria Santa Marta:

A assessoria jurídica da Santa Marta Distribuidora de Drogas Ltda. – em recuperação judicial – tomou conhecimento de que o Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de Goiás (SINFARGO) vem realizando manifestações públicas sobre a situação da empresa e de ex-colaboradores vinculados à recuperação judicial.

Em razão disso, gostaríamos de solicitar, respeitosamente, que eventual publicação sobre o tema seja precedida do devido contraditório e da apuração integral dos fatos, considerando que algumas informações divulgadas pelo sindicato apresentam contexto processual incompleto e podem induzir terceiros a conclusões equivocadas acerca da conduta da companhia.

A Santa Marta encontra-se em regular processamento de recuperação judicial nos autos nº 5154206-22.2023.8.09.0011, perante a 5ª Vara Cível de Aparecida de Goiânia/GO, sendo importante esclarecer que os bens, ativos e recursos financeiros da empresa estão submetidos ao controle do Juízo Recuperacional.

A empresa não permaneceu inerte quanto às obrigações trabalhistas. Ao contrário, requereu reiteradamente ao Poder Judiciário a liberação de valores destinados ao pagamento dos créditos alimentares dos trabalhadores, inclusive nos eventos 1479, 1527 e 1575 da recuperação judicial.

Além disso, no âmbito do Agravo de Instrumento nº 5204589-96.2026.8.09.0011, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás autorizou, no final da última semana, o levantamento de valores justamente para viabilizar o pagamento dos créditos trabalhistas, reconhecendo a necessidade da medida.

Por esse motivo, entendemos ser essencial que qualquer abordagem jornalística contemple o contexto processual completo, evitando interpretações que possam transmitir ideia de abandono deliberado, descaso, ocultação patrimonial ou recusa voluntária ao pagamento das obrigações trabalhistas, circunstâncias que não correspondem à realidade dos autos.

Nos colocamos integralmente à disposição para encaminhar documentos processuais, decisões judiciais e esclarecimentos técnicos, a fim de contribuir para uma cobertura precisa, equilibrada e fiel aos fatos.

Qualquer divulgação baseada em informações inverídicas, descontextualizadas ou sem a devida checagem poderá ensejar responsabilização pelos danos causados à imagem e à reputação da empresa.”