MAIS CARA

Passagem de ônibus pode ficar mais cara em 2021 por causa da pandemia

Defasagem no setor em todo país é de 70%. Presidente da CMTC afirmou que, se não houver ajuda do governo, tarifa vai aumentar “com certeza”

Pandemia pode aumentar valor da passagem de ônibus em 2021
Ônibus do transporte coletivo de Goiânia (Foto: Cláudio Augusto/ Ônibus Brasil)

A redução do número de passageiros nos ônibus, causada pela pandemia de Covid-19, pode levar a um grande aumento da passagem no próximo período. É o que afirma a Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Em todo o país a defasagem do setor está em 70%, de acordo com a entidade.

A NTU acredita que a tendência é nacional, uma vez que várias prefeituras e governos dos estados orientaram a redução do transporte coletivo em virtude da pandemia da Covid-19.

De acordo com o presidente da entidade, Otávio Vieira da Cunha Filho, a baixa da taxa de ocupação dos ônibus em todo o país vai levar exigir uma nova estruturação da entidade.

“A tarifa vai aumentar porque se pega o custo do ônibus, do serviço, da garagem, soma tudo e divide pelo número de pessoas transportadas. Quando se tem menos gente dentro do ônibus e o custo fica mantido, a tarifa aumenta”, disse o presidente.

Uma das saídas encontradas por empresas e gestores é pressionar o poder público ajudar no custeio dessas passagens. No início da pandemia, as entidades apresentaram um conjunto de medidas para socorrer o setor. Uma delas, chamada Transporte Social, propõe que o governo federal compre R$ 2,5 bilhões por mês em passagens enquanto durar a crise da Covid-19.

“Uma parte tem que ser a tarifa e a outra um complemento pago por uma fonte extra tarifária, como subsídio, criação de uma fonte pelo poder público, imposto pela gasolina que o transporte individual pode pagar para manter a qualidade do coletivo, cobrança de pedágio, taxas sobre estacionamentos, são várias soluções que países desenvolvidos fazem hoje que permitem que a tarifa caiba no bolso do usuário e que haja um serviço de altíssima qualidade, porque a outra parte do custo está sendo paga pelo governo”, avaliou Otávio.

Aumento bem maior do que a inflação em Goiânia

Em entrevista ao Mais Goiás, o presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), Benjamin Kennedy Machado da Costa, afirmou que não há parâmetros para realizar o cálculo da passagem em 2021. Mas ressaltou também que poderá haver um grande aumento se o custeio ficar só por conta da tarifa.

“Com certeza (a pandemia) vai refletir no valor da tarifa. Em Goiânia temos apenas 38% da demanda habitual. Se continuarmos nesse mesmo sistema, no qual a tarifa custeia tudo, o reajuste será bem maior do que qualquer tipo de parâmetro, como a inflação, por exemplo”.

Benjamin afirmou também que a saída é buscar receitas extra-tarifárias com o poder público. “O transporte público é um serviço essencial. Existe um movimento nacional para que prefeituras, governos e união contribuam com essa questão para que os custos não caiam somente no bolso do passageiro. A ideia é buscar essas receitas para que que o usuário não precise pagar e até mesmo trazer melhorias”, concluiu.