caso jehan

“Perdemos a nossa alegria”, diz pai de estudante morto durante festa em Anápolis há dez anos

Julgamento do acusado de matar Jehan Paiva está marcado para começar nesta terça-feira, a partir das 8h30

José e Helena Paiva, pais de Jehan (Foto: Arquivo da família)
José e Helena Paiva, pais de Jehan (Foto: Arquivo da família)

Os pais do estudante Jehan Paulo José de Paiva, que morreu com um golpe de canivete no coração durante uma festa universitária em Anápolis, no dia 7 de junho de 2013, esperam angustiados pelo começo do julgamento do responsável pela morte do filho, marcado para as 8h30 desta terça-feira (7). O pai, o dentista José de Paiva, afirma que a dor e o sentimento de perda se agravaram com a proximidade do júri.

“Não tem sido fácil, porque esse júri foi marcado há um ano atrás, mas as coisas vêm se afunilando nos últimos dias. Isso acaba mexendo com a gente, ver o movimento das pessoas. Mexe com o emocional. A Helena [mãe de Jehan] está sob efeito de medicamentos. Eu tento ser mais forte, mas às vezes não consigo. E tem que enfrentar, não tem outro jeito”, diz o pai ao Mais Goiás. “Nesses dez anos, eu estudei esse processo o tempo todo e sonhava com esse dia chegar. O que eu quero é só a Justiça, é o meu direito”.

José afirma que a condenação do médico veterinário Paulo Victor Sousa Gomes vai acalmar um pouco o coração da família, embora não vá trazer Jehan de volta. “O que eu mais quero é que ele seja condenado. Que a Justiça seja feita com a condenação dele e que ele pague na cadeia por ele ter acabado com o projeto de uma família. Por ter tirado a minha paz, a alegria da minha esposa. Pela dor, pelo sofrimento. Ele sendo condenado, vai pelo menos minimizar um pouco a nossa dor”.

Jehan, estudante do 8º período de odontologia da Unievangélica, era o organizador de uma festa para alunos do curso e tentou apartar a briga de Paulo Victor com um rapaz que teria tentado furar a fila do chopp. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o veterinário teria se irritado com a intervenção de Jehan e lhe dado um golpe de canivete no tórax. Em interrogatório, Paulo Victor diz que agiu em legítima defesa, mas o pai contesta: “Quem quer se defender dá uma facada na perna, no braço. Não no coração. Ele atacou para matar”.

Finados
Jehan foi sepultado em Santa Terezinha de Goiás, cidade da mãe dele. No dia de Finados, a família passou o dia no cemitério recebendo o carinho de parentes e amigos. “. A maioria das pessoas passa por nós e para pra conversar. Já é tradição nossa. Pessoal comove muito com a nossa história e a gente recebe muito apoio de amigos, parentes. Difícil, triste, sofrido, mas vamos honrar a memória dele. Ele merece”.