Pesquisa da UFG utiliza plantas do Cerrado no tratamento de doenças intestinais
Estudo confirmou potencial medicinal do araticum do campo e do manacá para tratar úlceras gástricas
Ir direto pra matériaA humanidade utiliza plantas como medicamento muito antes do surgimento da ciência moderna. Se apropriando desse conhecimento popular, uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) analisou o potencial medicinal do araticum do campo (Annona coriacea) e do manacá (Spiranthera odorantissima) para o tratamento de doenças intestinais. O estudo confirmou o alto potencial das plantas do Cerrado contra a úlcera gástrica e a retocolite ulcerativa.
De acordo com o professor do Departamento de Ciências Biológicas da Regional Catalão da UFG, Anderson Luiz Ferreira, o araticum do campo demonstrou atividade antiulcerogênica já com doses baixas do extrato. Como os pesquisadores utilizam fármacos de referência a título de comparação, eles identificaram atividade biológica da planta muito semelhante ao de diversos medicamentos comerciais. Os testes com o manacá também demonstraram boa resposta e a equipe já está isolando o composto responsável pela eficácia.
Anderson Luiz Ferreira destacou a importância do conhecimento popular para o avanço da ciência. Segundo ele, os pesquisadores fizeram um levantamento com a comunidade local sobre quais espécies eram mais utilizadas para tratar essas doenças. Só depois a equipe realizou a coleta e a preparação dos extratos, verificando assim as atividades farmacológicas das plantas. “Com a indicação popular, os resultados costumam ser quase sempre satisfatórios”, afirmou.
Cautela
A experiência acumulada em pesquisas com plantas medicinais preocupa o professor quanto ao uso indiscriminado desse tipo de alternativa. “É preciso desmistificar a ideia de que remédio natural não faz mal. Às vezes, a maneira do preparo de alguma planta pode potencializar metabólitos tóxicos. Planta pode fazer mal também”, pondera. Além do aspecto medicinal, a pesquisa também chama a atenção para a preservação do Cerrado, uma vez que a exploração sem planejamento e controle pode levar a diminuição ou extinção de espécies.