Preso advogado suspeito de ser mentor do incêndio no Fórum de Itapaci
A motivação, segundo a PC, seria destruir os processos criminais que tramitam na Comarca em seu desfavor. Outros três homens participaram do crime que ocorreu em agosto de 2017
Ir direto pra matériaA Polícia Civil prendeu temporariamente, na última segunda-feira (20), o advogado Enes Borges de Mendonça suspeito de ser o mentor do incêndio ao Fórum de Itapaci, cidade da região central de Goiás a 235 km de Goiânia. O crime aconteceu em agosto de 2017, quando quatro indivíduos armados entraram no local, renderam o segurança e atearam fogo no cartório. A motivação do autor, segundo a PC, seria destruir os processos criminais que tramitam na Comarca em seu desfavor.
De acordo com o delegado responsável, Matheus Melo, o advogado era tratado como suspeito desde o início das investigações. Quase dois anos após o crime, a suspeita foi confirmada. No último dia 7 de maio, um dos coautores e familiar de Enes procurou a PC e confessou tudo em detalhes. Na ocasião, afirmou que o advogado foi o mentor e também um dos executores da ação.
Aos policiais, o homem, que não teve a identidade revelada, contou ainda que outros dois familiares participaram dos crimes. Tratam-se de Paulo Henrique Braga Maranhão, genro de Enes, preso temporariamente no dia 13 de maio; e Juatan Alves Borges, ainda foragido.
Segundo o delegado, o advogado tomou conhecimento das declarações um dia após o depoimento e fugiu para Anápolis. Na última segunda-feira (20), porém, ele se apresentou na Delegacia de Homicídios (DIH), de Goiânia, e foi preso temporariamente. No local, alegou ter problemas de saúde, o que inviabilizou a continuidade do interrogatório.
O advogado possui diversas passagens por tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo, coação no curso do processo, supressão de documento, desacato e ameaça. Conforme relato do familiar e coautor do incêndio, Enes tentava destruir processos criminais dos quais é alvo na comarca. “As provas técnicas produzidas durante o decorrer do inquérito são totalmente compatíveis com a versão apresentada pelo familiar do preso”, disse o delegado.
A PC ainda não pediu a prisão do coautor que está colaborando com as investigações, o que, segundo Matheus, deve ocorrer após a conclusão do inquérito policial. Os quatro irão responder pelos crimes de incêndio, inutilização de documentos, roubo e tentativa de homicídio, já que subtraíram a arma de fogo do vigia e o deixaram amarrado próximo as labaredas, assumindo o risco da morte da vítima.
O Mais Goiás aguarda posicionamento da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB/GO) sobre o assunto.
Relembre
O incêndio que atingiu o Fórum de Itapaci ocorreu no dia 8 de agosto de 2017. De acordo com o Corpo de Bombeiros, na época, o fogo teve procedência criminosa e destruiu duas salas do prédio que tinham equipamentos de informática, documentos e alguns processos.
Segundo informações da corporação, os suspeitos dificultaram a chegada a Polícia Militar (PM), colocando correntes no portão de saída das viaturas da PM e stinger para furar os pneus. Os criminosos ainda renderam o vigia do Fórum, que não ficou ferido. Três viaturas foram utilizadas para conter as chamas e a estrutura do prédio não ficou abalada com o incêndio.