Adotadas por famílias diferentes, amigas descobrem 30 anos depois que são irmãs: “nossa intuição estava certa”
Jovens foram adotadas quando bebês por famílias diferentes e criadas perto uma da outra
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Quando se conheceram ainda adolescentes, Meena Geltink e Minal Tijssen ficaram impressionadas com a semelhança entre as duas. Adotadas por famílias diferentes na Índia e criadas na Holanda, elas se tornaram amigas, trocaram cartas durante anos e chegaram a se chamar de “irmãs”. Cerca de 30 anos depois, um teste de DNA confirmou que a intuição estava certa: elas são irmãs biológicas.
Nascidas no início da década de 1980, Meena e Minal foram adotadas poucos meses após o nascimento, em dois orfanatos diferentes de Mumbai, na Índia. As famílias adotivas viviam na Holanda e as duas cresceram relativamente perto uma da outra.
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O primeiro encontro aconteceu em um evento organizado pela agência responsável pelas adoções. Na ocasião, as crianças foram reunidas para passar um tempo juntas. Amigos que acompanhavam as duas logo perceberam a semelhança.
“Eles diziam: ‘Se olhem no espelho’. E eu pensei: ‘Meu Deus, ela tem o meu nariz! Nós temos a mesma risada’”, contou Meena, hoje com 43 anos, à BBC.
As duas trocaram telefones e endereços no dia seguinte e começaram uma amizade que duraria anos. Sem saber que tinham qualquer parentesco, passaram a trocar cartas sobre escola, amigos, festas, esportes e música. Descobriram, inclusive, que as duas gostavam dos Backstreet Boys.
A proximidade era tanta que frequentemente se tratavam como irmãs.
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Teste de DNA confirma suspeita décadas depois
Há cerca de 15 anos, porém, as duas perderam contato. Minal se mudou para a França, enquanto Meena estava ocupada com o nascimento do primeiro filho.
Em 2017, Meena participou de um encontro de pessoas adotadas na Índia e ouviu falar sobre testes de DNA. Decidiu fazer um exame, mas não encontrou nenhuma correspondência. No início deste ano, chegou a apagar o aplicativo usado para consultar os resultados porque precisava liberar espaço no celular.
A reviravolta aconteceu em 20 de maio, quando recebeu uma mensagem de Minal pelo Facebook. “Lembra de mim?”, perguntou a amiga.
Minal havia feito seu próprio teste de DNA em abril, durante uma visita aos pais na Holanda, e enviou uma captura de tela do resultado. Meena reinstalou o aplicativo e, nervosa, errou a senha dez vezes antes de conseguir acessar a conta.
O resultado confirmou que as duas compartilhavam os mesmos pais biológicos. Meena chorou ao descobrir a verdade e descreveu Minal como “a peça que faltava” em sua história.
A descoberta também pegou Minal de surpresa. Quando recebeu o resultado, inicialmente não percebeu que a pessoa apontada como sua irmã era a mesma adolescente que conhecera cerca de três décadas antes. Ela só fez a ligação ao rever fotos nas redes sociais.
“Éramos amigas antes de sermos irmãs”, disse Minal, que tem 44 anos e vive na França com o companheiro e dois filhos.
Reencontro após a descoberta

Em agosto, as duas se encontraram pessoalmente pela primeira vez desde a confirmação do parentesco. O reencontro foi marcado por abraços, lágrimas e risadas e terminou com a primeira selfie das duas juntas.
“Foi incrível. Parecia um retorno para casa”, contou Meena, que hoje é mãe de três filhos.
Desde maio, as duas passaram a conversar praticamente dia sim, dia não. Já conheceram os companheiros, filhos, irmãos e pais uma da outra. Segundo Meena, outras pessoas também percebem as semelhanças entre elas, como a maneira de completar as frases, andar e movimentar a cabeça.
“Às vezes conversamos por duas horas e perdemos a noção do tempo”, relatou.
Para Meena, a descoberta também trouxe sentimentos relacionados ao tempo que as duas passaram separadas.
“Houve momentos em que ambas nos sentimos muito sozinhas, como quando perdi meu pai ou passei por uma desilusão amorosa. Lamento que não tenhamos podido estar juntas”, disse.
Agora, as duas planejam voltar juntas ao país onde suas histórias começaram. O desejo é conhecer Mumbai lado a lado e finalmente percorrer as ruas da cidade que, décadas atrás, as separou sem que elas soubessem que eram irmãs.
“Adoraríamos ir à Índia juntas algum dia”, disse Meena.
