golpe da comparação

Criminoso do Paraná mantem adolescente de Rio Verde em “cativeiro digital”; entenda

Mesmo com tornozeleira eletrônica por crimes digitais anteriores, reincidente usava perfis fakes e acesso remoto para controlar jovem

Imagem do preso
Suspeito preso no Paraná é reincidente em crimes cibernéticos e violava as restrições da tornozeleira eletrônica (Divulgação PCGO)

Uma investigação da Polícia Civil de Goiás revelou que uma adolescente de 14 anos era submetida a um verdadeiro “cativeiro digital”, sofrendo violência psicológica, física e abusos constantes por meio de plataformas da internet. O esquema foi desarticulado por meio da Operação Rastro Virtual, realizada pelo Grupo Especial de Investigação Criminal (GEIC) de Rio Verde, que cumpriu ordens judiciais de prisão e busca e apreensão na cidade de Paiçandu, no Estado do Paraná. O suspeito utilizava monitoramento remoto, ameaças e chegava a extorquir a vítima exigindo pagamentos em criptomoedas.

De acordo com o delegado Matheus Dutra, responsável pelas investigações no GEIC, o caso começou a ser apurado no início deste ano, após a denúncia de que a menor, residente em Rio Verde, vinha sendo alvo de perfis falsos em uma rede social. O criminoso utilizava uma tática conhecida como “golpe da comparação” para enredar a vítima.

“Ele utilizava fotos sexuais de adolescentes e enviava para essa vítima, afirmando que seria foto dela e que, para que ela comprovasse que não fosse ela, a vítima deveria então enviar fotos de caráter íntimo, a fim de não ser divulgado esse material”, explicou o delegado.

A partir do momento em que obteve as imagens reais da adolescente, o investigado instalou o que a polícia chamou de um verdadeiro cativeiro digital, baseado em severa coação e na ameaça constante de expor os arquivos para familiares e terceiros. Submissa ao controle do agressor, a jovem passou a ser obrigada a executar ordens extremas.

Dutra relatou que a vítima era forçada a praticar atos de violência física, psicológica e sexual contra si mesma. “Desde violências físicas, psicológicas, sexuais, introdução de objetos em órgãos genitais, até a ingestão de água de vaso sanitário. Algo bem pesado”, detalhou o delegado.

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Monitoramento remoto e extorsão

O avanço das investigações indiretas apontou que o controle do criminoso ia além das chantagens por mensagens. O delegado informou que o homem obrigou a adolescente a instalar um aplicativo de acesso remoto em seu próprio celular. Com isso, o agressor conseguia monitorar à distância a localização exata da menor e os horários em que ela utilizava o aparelho. Em paralelo à tortura psicológica, ele também tentou extorquir dinheiro da vítima, crime que se materializou na modalidade tentada, embora os valores não tenham sido efetivamente pagos.

Segundo a Polícia Civil, os fatos mais graves foram cometidos em um período de quatro meses, entre maio e agosto do ano passado. Após um complexo trabalho de inteligência cibernética, a equipe do GEIC conseguiu reunir elementos suficientes para quebrar o anonimato dos perfis falsos e identificar o real autor por trás das telas, localizado em território paranaense.

Prisão no Paraná

Diante das provas, a polícia cumpriu os mandados de prisão e busca na manhã de hoje em Paiçandu (PR), onde apreendeu um notebook e um celular. Segundo Matheus Dutra, os eletrônicos passarão por perícia “para analisar e identificar outras possíveis vítimas ou se a conduta dele persistia”.

A investigação revelou que o acusado é reincidente. Ele já havia sido preso em dezembro do ano passado por armazenamento de pornografia infantil, mas respondia em liberdade provisória e usava tornozeleira eletrônica quando fez a nova vítima.

O homem foi indiciado por induzimento à automutilação, invasão de dispositivo, extorsão, estupro virtual, armazenamento de conteúdo sexual infantojuvenil e tortura. Somadas, as penas podem chegar a 40 anos de reclusão.

O caso segue em andamento na Delegacia Regional de Rio Verde para a análise dos dados apreendidos. Na delegacia, o suspeito preferiu não colaborar. “Até o momento, ele não se manifestou no seu interrogatório. O procedimento ainda continua, mas ele se encontra em silêncio sobre os fatos”, concluiu o delegado.

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