‘Pisou na minha filha’: mãe relata agressões contra criança em CMEI de Senador Canedo
Mães denunciaram profissionais do CMEI Dom Fernando por maus-tratos. Uma das crianças chegou a sofrer com dores do braço
Uma das mães que denunciou supostos maus-tratos contra crianças de 3 anos no CMEI Dom Fernando, em Senador Canedo, conversou com o Mais Goiás e relatou que a filha sofreu agressões de servidoras da unidade. A jovem Sarah Christina Pimentel, de 25 anos, disse que uma das profissionais do local chegou a pisar na criança, que se queixou por dias de dores no braço. O caso foi registrado na Polícia Civil e é investigado. As responsáveis pelos crimes foram afastadas.
Antes de tomar conhecimento dos maus-tratos, a mãe Sarah Christina acreditava que a filha poderia ter se machucado durante uma brincadeira, visto que é uma criança energética.
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“Quando escutei os áudios do choro (enviados por outra mãe), vi que era a minha filha. Mandei para a avó dela, para o pai, para ter certeza e todos confirmaram que se tratava da voz dela. Minha filha ficou 40 minutos chorando e eles não me comunicaram”, conta ao afirmar que houve negligência por parte da diretoria do CMEI.
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A agressão contra a criança, de acordo com Sarah, ocorreu após a menina responder a uma das investigadas. A mãe conta que são quatro profissionais que ficam responsáveis pela turma de cerca de 15 alunos, sendo duas pessoas pela manhã e outras duas à tarde.
As funcionárias alvo da investigação e das denúncias fazem parte do período matutino, conforme a mãe. Além da apuração policial, a prefeitura também abriu um Procedimento Administrativo para responsabilizar as profissionais, caso as irregularidades sejam comprovadas.
“As professoras à tarde são um amor de pessoa. Dá para ver o carinho que elas têm pelas crianças. Minha filha entrou no CMEI esse ano. Antes eu pagava a escola particular e o que eu mais temia que podia acontecer com ela, aconteceu”, reforça.
Surpresa e indignação
Sarah diz que foi pega de surpresa com a notícia das agressões por parte das profissionais, o que a deixou “transtornada”. Ela conta que precisou se acalmar para conseguir ir à delegacia fazer a denúncia e que chegou a levar a criança pessoalmente ao local,.
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Senador Canedo informou que instaurou inquérito policial para apurar todas as circunstâncias do crime de maus-tratos. As investigadas e as crianças devem ser ouvidas nos próximos dias (veja nota completa abaixo).
“Estou indignada com o que fizeram com a minha filha, vocês não têm noção da dor que estou sentindo. Quase não consegui dormir essa noite. Foi uma imprudência eu ficar sabendo pela boca dos outros ao invés da gestão”, concluiu.
Mesmo com a abertura da investigação, algumas das mães pretendem deixar os filhos no local. Os profissionais envolvidos com as supostas agressões foram afastados pela prefeitura após o caso ser registrado na Polícia Civil (PC) na última quarta-feira (25).
Nota da Prefeitura de Senador Canedo
“A Secretaria Municipal de Educação de Senador Canedo informa que, após o episódio no CMEI Dom Fernando, afastou imediatamente os profissionais envolvidos e instaurou um Processo Administrativo para apuração dos fatos.
A SEMED esclarece que a situação denunciada vai contra as diretrizes implementadas na rede municipal de ensino.
A Secretaria se solidariza com os pais, responsáveis e comunidade escolar, reafirmando seu compromisso com a formação cidadã, sempre com olhos no futuro”.
Nota Polícia Civil de Goiás
“A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Senador Canedo instaurou inquérito policial para apurar todas as circunstâncias do crime de maus-tratos.
Para apuração do caso, estão sendo realizadas diligências visando a identificar o remetente anônimo das mensagens.
Foi determinada a expedição de ofício à Secretaria Municipal de Educação dando ciência formal da instauração do Inquérito Policial e requerendo a remessa das informações profissionais e disciplinares das professoras envolvidas.
Também serão realizadas oitivas dos envolvidos e testemunhas bem como análise de imagens de câmeras de segurança”.
A Polícia Civil encaminhou representação por medida cautelar ao Poder Judiciário para que as vítimas sejam ouvidas com as cautelas necessárias à sua faixa etária”.