Taxa de testamentos em Goiás é 38% maior que a média do Brasil
Levantamento mostra que Goiás registra 25 testamentos por 100 mil habitantes, ante 18 na média brasileira; estado teve 1.859 atos em 2025.
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Goiás registrou proporcionalmente mais testamentos que a média brasileira. Levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), encaminhado ao Mais Goiás, aponta que 1.859 testamentos foram registrados no estado em 2025.
A reportagem cruzou o número com as estimativas populacionais de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e com o total nacional de testamentos. O resultado é de 25,04 testamentos para cada 100 mil habitantes em Goiás, ante 18,15 para cada 100 mil habitantes no Brasil.
Na comparação proporcional, a taxa goiana é 37,96% maior que a nacional, percentual arredondado para 38%. O cálculo permite comparar o comportamento de Goiás com o restante do país sem a distorção provocada pelas diferenças populacionais entre os estados.
Estimativas
Goiás tinha população estimada em 7.423.629 habitantes em 1º de julho de 2025. O Brasil tinha 213.421.037 moradores, segundo a mesma estimativa do IBGE.
Com isso, Goiás reunia cerca de 3,48% da população brasileira. Os 1.859 testamentos registrados no estado, porém, representam aproximadamente 4,8% dos 38.740 testamentos contabilizados no país em 2025.
O total nacional foi divulgado pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal. Segundo a entidade, os 38.740 atos fizeram de 2025 o ano com maior número de testamentos da série nacional.
A diferença mostra que o peso de Goiás nos testamentos brasileiros é superior à própria participação do estado na população nacional. Em termos proporcionais, são cerca de 25 atos para cada 100 mil goianos, diante de 18 para cada 100 mil brasileiros.
Número triplicou
A série histórica encaminhada ao Mais Goiás mostra que Goiás passou de 527 testamentos em 2007 para 1.859 em 2025. O crescimento acumulado no período é de 252,8%.
Isso significa que, em 18 anos, o número anual de testamentos passou a ser aproximadamente 3,5 vezes o registrado no início da série.
O avanço não é completamente novo. Em fevereiro deste ano, o Mais Goiás mostrou que os registros de testamentos haviam aumentado 35,9% em cinco anos, segundo dados então fornecidos pelo Colégio Notarial do Brasil – Seção Goiás. Naquele levantamento, eram 1.364 atos em 2020 e 1.855 em 2025.
A base mais recente encaminhada à reportagem apresenta pequena diferença nos números absolutos, com 1.366 atos em 2020 e 1.859 em 2025, mas mantém a mesma tendência de crescimento.
Pandemia marca mudança de patamar
A série apresenta um salto a partir do início da década. Goiás registrou 1.123 testamentos em 2019, número que passou para 1.366 em 2020 e 1.719 em 2021.
O movimento já aparecia durante a pandemia. Em julho de 2021, o Mais Goiás mostrou que os cartórios de notas do estado haviam registrado 658 testamentos apenas nos cinco primeiros meses daquele ano, alta de 72% em relação ao mesmo período de 2020.
Depois, a atual série registra 1.618 atos em 2022, 1.723 em 2023 e 1.913 em 2024, maior volume anual entre os dados analisados. Em 2025, houve redução para 1.859 registros, queda de cerca de 2,8% em relação ao ano anterior.
Mesmo com o recuo, o número de 2025 ainda ficou 36,1% acima do registrado em 2020.
Crescimento em Goiás supera o nacional

No Brasil, o número de testamentos aumentou 20,8% entre 2020 e 2025, chegando aos 38.740 atos no ano passado, segundo dados dos Cartórios de Notas divulgados pelo Colégio Notarial do Brasil.
Em Goiás, a nova série encaminhada ao Mais Goiás aponta crescimento de 36,1% no mesmo intervalo, de 1.366 para 1.859 testamentos.
Assim, o crescimento goiano foi cerca de 15 pontos percentuais superior ao avanço nacional no período. Além de ter uma taxa por habitante maior, Goiás também apresentou expansão mais rápida nos últimos cinco anos.
2026 começa com nova alta
Os dados dos seis primeiros meses de 2026 mantêm a tendência de crescimento. Goiás registrou 973 testamentos entre janeiro e junho, ante 898 no mesmo período de 2025.
A alta é de aproximadamente 8,4%.
Foram 138 testamentos em janeiro, 124 em fevereiro, 186 em março, 184 em abril, 169 em maio e 172 em junho.
O levantamento recebido pela reportagem também contém informação referente a julho, mas o Mais Goiás optou por não incluí-la na comparação porque o volume registrado para o mês é muito inferior à série recente e pode refletir uma base ainda não consolidada.
O que um testamento pode definir
O testamento permite que uma pessoa estabeleça disposições para depois da morte. As regras gerais estão previstas no Código Civil, que determina que a legítima dos herdeiros necessários não pode ser incluída na parcela livremente destinada pelo testador.
Quando existem herdeiros necessários, metade da herança fica reservada a eles. A legislação considera nessa categoria descendentes, ascendentes e cônjuge.
A outra metade pode ser destinada por testamento, observadas as demais regras legais. O documento também pode conter disposições de caráter não patrimonial.
Casos envolvendo testamentos frequentemente chegam aos tribunais. Em 2025, o Mais Goiás mostrou decisão do Superior Tribunal de Justiça que validou o testamento de uma viúva sem filhos que destinou duas fazendas avaliadas em cerca de R$ 1 bilhão a parte dos parentes.
Herança também envolve tributação

O planejamento sucessório não se limita à escolha dos beneficiários. A transmissão de patrimônio também envolve o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), tributo estadual incidente sobre heranças e doações.
O Mais Goiás já mostrou os impactos das mudanças na legislação tributária sobre o ITCMD. Goiás já trabalhava com alíquotas progressivas quando a discussão da reforma tributária avançou no Congresso.
Outra discussão recente envolveu a previdência privada. O Mais Goiás mostrou a decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou inconstitucional a cobrança de ITCMD sobre valores de planos VGBL e PGBL repassados aos beneficiários após a morte do titular.
Por que Goiás está acima da média?
Os números mostram uma diferença clara entre Goiás e o país, mas não são suficientes, isoladamente, para explicar a causa. A taxa goiana de 25,04 testamentos por 100 mil habitantes é 38% superior à brasileira, e o crescimento desde 2020 também supera o nacional.
No cenário brasileiro, especialistas ouvidos pelo Colégio Notarial associam a maior procura por testamentos à preocupação com segurança jurídica, prevenção de conflitos familiares e maior conhecimento sobre planejamento patrimonial.
Determinar por que Goiás se distancia ainda mais da média exige outra etapa de apuração. Características como composição patrimonial, sucessão de propriedades rurais, envelhecimento populacional e transformação das estruturas familiares podem ser investigadas, mas não podem ser apresentadas como causa sem dados que sustentem essa relação.
O levantamento abre ainda outra pergunta: se Goiás está 38% acima da média brasileira, qual posição o estado ocupa entre as 27 unidades da Federação quando o número de testamentos é calculado proporcionalmente à população?
Metodologia
O Mais Goiás utilizou o levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) encaminhado à reportagem, que registra 1.859 testamentos em Goiás em 2025.
O número foi cruzado com a estimativa oficial do IBGE, de 7.423.629 habitantes em Goiás em 1º de julho de 2025. O resultado é de 25,04 testamentos para cada 100 mil moradores.
Na comparação nacional, a reportagem considerou os 38.740 testamentos registrados no Brasil em 2025, segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal, e a população brasileira de 213.421.037 habitantes estimada pelo IBGE. O resultado é de 18,15 atos para cada 100 mil habitantes.
A comparação entre as duas taxas aponta diferença de 37,96%, arredondada para 38%.