TRE mantém cassação contra vereador de Aparecida de Goiânia por compra de votos
Helvecino Moura (PT) estava em seu oitavo mandato. Segundo o MPE, esquema utilizava da influência do político em unidade de saúde da cidade
Ir direto pra matériaO vereador de Aparecida de Goiânia Helvecino Moura da Cunha (PT) teve sua cassação mantida em decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A sentença do colegiado foi unânime em relação ao pedido de condenação por compra de votos nas eleições de 2016 e abuso de poder político e econômico, proposta pelo Ministério Público Eleitoral. Além da cassação do diploma do parlamentar, o Tribunal determinou a inelegibilidade do político por oito anos, além da aplicação de multas. Os valores não foram divulgados.
Helvecino, que ainda compõe o quadro de vereadores da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, era o mais veterano entre os 25 parlamentares e estava em seu 8° mandato. Ele será substituído pelo suplente Daniel Rodrigues (PCdoB), o qual obteve 1.007 votos. A nomeação do novo vereador deve ocorrer dentro dos próximos 15 dias.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, os crimes ocorriam no comitê político de Helvecino, com ajuda de sua esposa Ana Paula Rodrigues da Silva Moura; e no Ambulatório Multiprofissional de Aparecida de Goiânia (Amag), onde sua filha, Elisângela Moreira Moura, era coordenadora técnica. Ambas estavam envolvidas no esquema de compra de votos. O grupo atuava por meio da concessão de “encaixes” de consultas médicas e procedimentos na unidade de saúde para quem declarasse voto em Helvecino, atendimento que – normalmente – poderia levar até um ano para ser realizado, em razão da grande fila de espera.
Esquema
De acordo com o procurador Alexandre Moreira Tavares dos Santos, a família teve ajuda de outras três pessoas, com ajuda das quais procediam a burla do sistema de fila virtual de atendimentos do ambulatório. “Dependendo da especialidade procurada, a espera poderia durar mais de um ano. Houve profissionalização da conduta ilícita, adotando formulários próprios de solicitação, estruturação do grupo para recebimento e marcação dos atendimentos a serem realizados no âmbito do Amag”.
Segundo a denúncia, as provas revelam que os recorrentes tinham acesso aos sistemas de agendamento de consultas e procedimentos e providenciavam as solicitações que lhes eram requisitadas. “Só eram atendidas de determinados eleitores, aqueles que ainda estavam em dúvida quanto a quem votar. [Há] provas robustas de diversos atendimentos marcados à margem do sistema normal de agendamentos e efetivamente realizados”, afirma o promotor na peça.

Além da cassação, parlamentar teve direitos políticos anulados e deverá pagar multa. Valores não foram divulgados. (Foto: reprodução/internet)
As outras três pessoas são Cínthia Pereira Lima, Sidilene Pereira Lima e Michelle Bruna Lopes Barbosa, cujo envolvimento na campanha ficou comprovado, também tiveram suas condenações, inelegibilidade e multas, mantidas.
Segundo a denúncia, Sidilene e Michelle trabalhavam da Amag e eram responsáveis pelos “encaixes” em favor dos eleitores de Helvecino. Cìnthia, às vezes recebia os pedidos, os quais eram encaminhados à dupla. “Tudo isso também era realizado dentro do comitê político de Helvecino. Tudo era feito com a conivência do candidato reeleito, que só não recebia as folhas de solicitação de atendimento preenchidas pelos eleitores, como também repassava às suas cúmplices os pedidos de agendamento”.
A reportagem do Mais Goiás tentou contato com Helvecino em quatro números de celular distintos. Em dois deles, um homem que não se identificou afirmou que o celular não era do político, mas dele. “Estava com ele, mas o número é meu”, afirmou e desligou em seguida. A assessoria de comunicação da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia ressaltou que o contato com o vereador cassado seria difícil, pois ele não quer falar com a imprensa.
A redação também tentou contato com Cínthia, Sidilene e Michele, mas ao ligar no Amag, foi informada de que não há funcionários com esses nomes no local. O Mais Goiás aguarda posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia sobre o assunto.
Histórico

Investigações foram iniciadas em 2016 pela Polícia Federal (Imagem: reprodução)
Durante o período eleitoral em 2016, o vereador teve sua casa e seu comitê eleitoral revistados pela Polícia Federal. Na época, a corporação cumpriu um mandado de busca e apreensão e agentes foram vistos deixando o local com dois malotes de documentos. Na época, a investigação tentava comprovar um “suposto” crime eleitoral.