Terça-feira, 08 de Setembro de 2026
PEDÁGIO

Veja quanto o pedágio da BR-153, em Goiás, subiu desde o início da cobrança em 2022

De Anápolis à divisa com Tocantins, tarifa acumulada para carros passa de R$ 62 para R$ 67,70; até Aliança do Tocantins, viagem custa R$ 89,60 por sentido

Fernanda Cappellesso
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Praça de pedágio da Ecovias do Araguaia na BR-414, em Corumbá de Goiás (Foto: Ecovias do Araguaia)

Viajar pela BR-153 entre Anápolis e a divisa de Goiás com Tocantins tem custado 9,2% mais em pedágios do que no início da cobrança, em outubro de 2022. Um automóvel que atravessa as cinco praças instaladas na rodovia em território goiano desembolsava R$ 62 por sentido. Com as tarifas-cheias vigentes em setembro de 2026, o mesmo percurso custa R$ 67,70. Na ida e volta, a despesa passou de R$ 124 para R$ 135,40, diferença de R$ 11,40.

As cinco praças ficam em Jaraguá, Hidrolina, Campinorte, Estrela do Norte e Porangatu. A concessão segue depois da divisa estadual e o trecho da BR-153 administrado pela Ecovias do Araguaia possui 624,1 quilômetros entre Anápolis e Aliança do Tocantins. No percurso completo, entram também as praças de Alvorada e Aliança, totalizando sete pontos de cobrança na BR-153. As outras duas praças da concessão ficam nas BRs 080 e 414, em Goiás. 

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Até Aliança do Tocantins, pedágio chega a R$ 89,60

No trajeto completo entre Anápolis e Aliança do Tocantins, um automóvel pagava R$ 81,70 quando a cobrança começou, em 3 de outubro de 2022. Em setembro de 2026, a soma das sete praças chega a R$ 89,60 por sentido, aumento de R$ 7,90, ou 9,7%. Para quem faz o percurso de ida e volta, a despesa passou de R$ 163,40 para R$ 179,20. 

Atualmente, as tarifas-cheias para automóveis são de R$ 15,60 em Jaraguá, R$ 14,30 em Hidrolina, R$ 14,30 em Campinorte, R$ 11,50 em Estrela do Norte e R$ 12 em Porangatu. Em Tocantins, os valores são de R$ 12,40 em Alvorada e R$ 9,50 em Aliança. A comparação considera os valores integrais da tabela da ANTT, sem eventuais descontos aplicáveis ao usuário. 

No início da cobrança, em 2022, as mesmas sete praças somavam R$ 81,70. Naquele momento, a tarifa era de R$ 14,20 em Jaraguá, R$ 13,10 em Hidrolina, R$ 13,10 em Campinorte, R$ 10,60 em Estrela do Norte, R$ 11 em Porangatu, R$ 11,40 em Alvorada e R$ 8,30 em Aliança. 

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Carreta de seis eixos supera R$ 1 mil na ida e volta

Para o transporte de cargas, a cobrança aumenta conforme o número de eixos. A categoria de caminhão com reboque ou caminhão-trator com semirreboque de seis eixos utiliza multiplicador seis sobre a tarifa de automóveis. Com isso, uma carreta que percorre as sete praças entre Anápolis e Aliança do Tocantins pagava R$ 490,20 por sentido em 2022 e desembolsa R$ 537,60 pelas tarifas atuais. 

Na ida e volta, o valor passou de R$ 980,40 para R$ 1.075,20, acréscimo de R$ 94,80 por viagem completa. Para uma operação que faça 20 viagens de ida e volta no mesmo percurso ao longo de um mês, a diferença chega a R$ 1.896 em relação ao custo calculado pela tabela que vigorava no início da cobrança.

Ao Mais Goiás, o economista e contador Marcelo Marques explica que o efeito da tarifa sobre o transporte de cargas precisa ser observado de forma acumulada. “Quando se olha uma única viagem, a diferença pode parecer pequena. Para uma transportadora que percorre o trecho diversas vezes no mês, porém, o valor passa a integrar de forma permanente o custo operacional. Pedágio, combustível, manutenção e mão de obra entram na formação do frete e podem repercutir no preço final das mercadorias”, afirma.

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Pedágio sobe menos que a inflação desde 2022

A evolução das tarifas fica abaixo da inflação acumulada desde o começo da cobrança. Considerando o IPCA de outubro a dezembro de 2022, os índices de 2023, 2024 e 2025 e o acumulado até julho de 2026, a inflação chega a aproximadamente 20,2%. No mesmo intervalo, o custo das cinco praças goianas para automóveis aumenta 9,2%, enquanto a soma das sete praças entre Anápolis e Aliança do Tocantins cresce 9,7%. O IPCA acumula 3,44% somente entre janeiro e julho de 2026. 

Marques ressalta que o fato de a variação ficar abaixo da inflação não elimina o peso da despesa para empresas que dependem da rodovia. “Uma única viagem pode representar uma diferença pequena quando comparada a 2022. Quando se multiplica esse valor por 20, 30 ou 50 viagens mensais, ele passa a ter peso no custo operacional da empresa. Pedágio, combustível, manutenção e mão de obra fazem parte da formação do preço do transporte.”

Os reajustes não resultam apenas da aplicação direta do IPCA sobre o preço pago na praça. O contrato prevê revisões tarifárias e fatores destinados a preservar o equilíbrio econômico-financeiro da concessão. Na revisão que passou a valer em 3 de outubro de 2025, por exemplo, a ANTT aplicou mecanismos contratuais além da atualização inflacionária para definir a nova tabela. 

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Nova data-base ocorre em outubro

A Ecovias do Araguaia assumiu a concessão em 8 de outubro de 2021. O contrato tem duração de 35 anos e abrange 850,7 quilômetros das BRs 153, 080 e 414 em Goiás e Tocantins. Desse total, 624,1 quilômetros correspondem à BR-153 entre Anápolis e Aliança do Tocantins. 

A cobrança de pedágio começou em 3 de outubro de 2022 e o contrato estabelece 3 de outubro como data anual de reajuste. Até 7 de setembro de 2026, a ANTT mantém publicada a tabela que entrou em vigor em outubro de 2025. Uma eventual alteração para o próximo ciclo depende da definição regulatória da Agência. 

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