Vereador de Jandaia é investigado por importunação sexual contra servidora da Câmara
Segundo a vítima, o crime ocorreu em dezembro de 2025
O vereador de Jandaia Hélio Sardinha de Souza (União Brasil), conhecido como “Helinho do Ônibus”, é investigado pela Polícia Civil de Goiás por importunação sexual contra uma servidora da Câmara Municipal que compõe, no Sudoeste do estado. Relato da vítima aponta que, durante o expediente, o parlamentar teria insistido que ela fosse até a sala dele e, diante da recusa, a segurado pelo braço, tocado suas partes íntimas e tentando conduzi-la à força. A situação ocorreu diante de testemunhas, que corroboram a versão da vítima em depoimentos à Polícia Civil. O político nega as acusações.
Conforme consta no inquérito policial, ao qual o Mais Goiás teve acesso, o episódio teria ocorrido em 11 de dezembro de 2025, por volta das 14h30, dentro do prédio da Câmara Municipal. A investigação, por sua vez, foi instaurada em 19 de janeiro de 2026 e é conduzida pelo delegado Daniel Gustavo Gonçalves de Moura. O caso apura, em tese, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal.
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Depoimento
Em depoimento, a servidora relatou que estava em seu local de trabalho quando se dirigiu a uma sala onde estavam outras funcionárias. No ambiente, também se encontrava o vereador, que, segundo ela, apresentava sinais de embriaguez, como forte odor de álcool.
Ao questionar o motivo da presença do parlamentar no local, a servidora recebeu uma resposta ríspida. Em seguida, o vereador teria insistido para que ela fosse até sua sala. Diante da recusa, ele a teria segurado pelo braço, tentando conduzi-la à força.
A servidora afirmou ainda que o parlamentar a envolveu pelo pescoço por trás, realizou toques indevidos na região torácica sem consentimento e proferiu comentários invasivos e inadequados ao ambiente de trabalho, questionando se ela teria recebido um ‘chupão’ no pescoço. A vítima relatou que a situação causou intenso constrangimento, violação de sua dignidade e abalo emocional.
Após o ocorrido, a vítima relata ter deixado o local em estado de choque. A servidora também informou que não seria a primeira vez que o vereador compareceu ao local de trabalho sob efeito de álcool. Ao final do depoimento, a vítima manifestou formalmente o desejo de representar criminalmente contra o parlamentar.
Testemunhas confirmam versão
Duas servidoras que estavam no local confirmaram à Polícia Civil os fatos narrados pela vítima. Uma delas afirmou que presenciou o momento em que o vereador segurou a servidora pelo pescoço, tocou sua região torácica e tentou levá-la à força para sua sala, mesmo diante da recusa, o que teria deixado a vítima visivelmente constrangida.
A outra testemunha declarou que o vereador aparentava estar “visivelmente alcoolizado”, com comportamento grosseiro e mal-educado. Ela afirmou ter ouvido a insistência para que a servidora o acompanhasse até sua sala e confirmou que a vítima ficou extremamente constrangida após o episódio.
Uma terceira testemunha informou que não presenciou diretamente os fatos, pois estava em uma sala com a porta fechada, mas confirmou ter ouvido a conversa ocorrida no local.
Defesa nega acusações
Durante interrogatório, acompanhado por sua advogada, o vereador negou todas as acusações. Questionado diretamente sobre a imputação, afirmou que os fatos não seriam verdadeiros. Sobre o consumo de bebida alcoólica no dia do ocorrido, preferiu não se manifestar.
Em sua defesa final, Hélio Sardinha afirmou que pretende apresentar provas no momento oportuno e alegou que a acusação seria motivada por perseguição política.
O inquérito policial foi concluído em 28 de janeiro de 2026 e encaminhado ao Poder Judiciário, onde será analisado pelo Ministério Público, que poderá decidir pelo oferecimento ou não de denúncia criminal.
Nota defesa
“Prezados,
Os advogados Dra. Natalha Pires e Dr. Danilo Vasconcelos, constituídos pelo Sr. Hélio Sardinha de Souza, informam, por meio desta, que o referido investigado declara-se inocente e que toda a situação vivenciada, inclusive a indevida exposição de inquérito que deveria tramitar sob sigilo, configura evidente retaliação de natureza política.
Ressalta-se que a apuração dos fatos deve ocorrer exclusivamente nos autos do procedimento legal, e não no ambiente de exposição pública, evitando-se julgamentos precipitados, prejulgamentos sociais ou distorções da verdade.
Diante disso, requer-se a publicação deste esclarecimento como forma de assegurar o direito de resposta e a correta informação ao público”.
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