BLOCO

Tambores do Orum desfilam no Carnaval de Goiânia com enredo sobre o Quilombo dos Palmares

Concentração acontece na Rua W-7, no residencial Morada do Ipê

Tambores do Orum desfilam no Carnaval de Goiânia com enredo sobre o Quilombo dos Palmares
Tambores do Orum - Foto: Mayara Varalho

O bloco Tambores do Orum retorna às ruas do Carnaval de Goiânia nos dias 17 e 21 de fevereiro, com o enredo “Palmares: por uma nação negra brasileira”. Na terça-feira de Carnaval (17/2), a concentração ocorre às 16h, ao lado do Teatro Goiânia, com chegada prevista no Bosque dos Buritis. No sábado (21/2), também às 16h, o bloco se concentra na Rua W-7, no Residencial Morada do Ipê, ao lado do campo de futebol do Itatiaia, e segue até a sede do Orum Aiyê Quilombo Cultural, no Residencial Nossa Morada.

Formado integralmente por pessoas negras, o Tambores do Orum sai pela terceira vez no Carnaval da capital. O bloco integra as ações do Orum Aiyê Quilombo Cultural e foi contemplado pelo Edital de Manifestações Carnavalescas de Goiás nº 7/2025.

LEIA TAMBÉM
Bloco Não é Não leva tema sobre mulheres indígenas ao Carnaval de Goiânia em 2026

Após o desfile do dia 21, está prevista uma programação de encerramento na sede do Orum Aiyê Quilombo Cultural, com apresentação da DJ Iara Kavene, voltada à música negra.

A direção geral do bloco é assinada por Marcelo Marques e Raquel Rocha. A regência é de Noel Carvalho e Weiller Jahmaika. A coreografia é de Setchegnon Sokenou e Codjo Kpade, e o figurino tem criação de Raquel Rocha.

De acordo com a organização, a cada edição o bloco apresenta um enredo voltado à história da população negra a partir de uma perspectiva contra-colonial, com músicas autorais desenvolvidas a partir de pesquisa temática. Sobre o tema de 2026, Marcelo Marques afirma: “No final de 2025, nossa associação foi reconhecida como utilidade pública cultural municipal. Para ratificar nosso posicionamento político-ideológico, o Bloco Tambores do Orum trará para o debate a história da maior e mais duradoura organização contra a escravidão, o Quilombo dos Palmares”.

Segundo o diretor, o Quilombo dos Palmares existiu por cerca de um século, entre o final do século XVI e o final do século XVII. “O espírito palmarista é, inegavelmente, motivo de profundo orgulho para o povo negro brasileiro. Este quilombo representou a materialização da esperança, tornando possível que diversas pessoas negras tivessem a oportunidade de nascer, crescer e viver livres no período do Brasil escravocrata. O legado de Palmares perpetua-se como um farol de resistência, dignidade e autodeterminação”, declarou.

Localizado na região que hoje corresponde ao estado de Alagoas, o Quilombo de Palmares foi formado por um conjunto de mocambos. De acordo com Marcelo Marques, a população chegou a cerca de 20 mil habitantes. “O conjunto de mocambos (aldeamentos) que compunham Palmares chegou a abrigar uma população de cerca de 20 mil habitantes. A título de comparação, isso significava que Palmares era, na época, uma das maiores aglomerações urbanas das Américas, rivalizando em tamanho com muitas cidades coloniais”, afirmou.

A organização social do quilombo contou com lideranças como Ganga Zumba, Aqualtune, Acotirene, Dandara e Zumbi, estruturando práticas políticas, militares e culturais de matriz africana. Segundo o diretor, “Palmares tornou-se o grande símbolo da luta pela liberdade no Brasil, conseguindo impor derrotas humilhantes às expedições militares tanto de Portugal — no auge do seu poderio bélico e econômico — quanto da Holanda”.

ANOTA AÍ
Bloco Tambores do Orum sai às ruas no Carnaval
Data e horário:
17/2, às 16h
Local: Concentração Teatro Goiânia, chegando ao Bosque dos Buritis
Data e horário: 21/2, às 16h
Local: Concentração na Rua W-7, no residencial Morada do Ipê (ao lado do campo de futebol do Itatiaia), chegando à sede do Orum Aiyê Quilombo Cultural, no Residencial Nossa Morada.
Mais informações:
https://www.instagram.com/orumaiyecultural/