Toque de recolher e escassez de combustível: goiano relata desafios em viagem de moto ao Alasca
Comerciante goiano enfrenta crises na estrada, mas destaca receptividade e aprendizados
O comerciante goiano Wilney Ribeiro de Almeida, de 48 anos, conhecido como “Presi”, retomou em fevereiro a expedição “Da Antártida ao Alasca”, projeto pessoal documentado em formato de websérie nas redes sociais. A nova fase, intitulada Alasca, o Retorno, marca a tentativa de concluir o trajeto interrompido em 2022, quando ele foi impedido de entrar na Nicarágua por incompatibilidade na documentação da motocicleta.
Na época, o país exigia o documento físico do veículo, modelo que já não é mais emitido no Brasil, o que inviabilizou a continuidade da viagem. Agora, mais experiente, o viajante voltou à estrada com planejamento e a expectativa de finalizar o percurso. O custo total para concluir o trajeto pode chegar a R$ 140 mil.
Atualmente em Bogotá, na Colômbia, Wilney enfrenta um dos principais obstáculos da rota: a travessia do Estreito de Darién, região sem ligação terrestre entre a Colômbia e o Panamá. Para seguir viagem, é necessário transportar a motocicleta por via aérea, um processo considerado caro e burocrático.
Burocracias
Segundo ele, o envio da moto sofreu aumento recente e passou de cerca de 2.400 para aproximadamente 4.000 dólares. O impacto, de acordo com o viajante, está relacionado ao cenário geopolítico internacional e seus reflexos no transporte aéreo. Em um dos custos mais recentes, Wilney afirma ter desembolsado cerca de R$ 17 mil apenas para garantir o transporte da motocicleta de Bogotá até a América Central.
Além do valor elevado, ele relata entraves burocráticos que exigem tempo de espera. Há 28 dias em viagem, o goiano permanece na capital colombiana enquanto aguarda a liberação para envio da moto, que também passa por manutenção em uma concessionária. A expectativa é permanecer no local por pelo menos mais 15 dias até a conclusão dos trâmites.
“Passar daqui para a América Central de avião não é uma coisa fácil. É caro e burocrático”, afirma.

Durante esse período, Wilney destaca que tem aproveitado a estadia em Bogotá, considerada por ele um destino com custo mais acessível e boa oferta de alimentação. Ainda assim, reforça que essa etapa representa um divisor de águas na expedição, especialmente pelos desafios logísticos e financeiros.
Após a liberação, o plano é seguir de avião até Tegucigalpa, em Honduras, onde deve reencontrar a motocicleta e retomar o trajeto por terra rumo ao Alasca.
Toque de recolher e escassez de combustível
Além das dificuldades logísticas, o trajeto também tem sido marcado por instabilidades em diferentes países. Durante a passagem pelo Peru, o viajante relata ter enfrentado escassez de combustível, chegando a pagar cerca de R$ 30 por litro para conseguir seguir viagem. Já no Equador, lidou com medidas de segurança como toque de recolher em meio à crise relacionada ao narcotráfico. Na fronteira com a Colômbia, encontrou tensão devido a conflitos na região e bloqueios realizados por grupos indígenas.
Apesar do cenário adverso, Wilney destaca a receptividade encontrada ao longo do caminho e afirma que as experiências culturais fazem parte do propósito da expedição. “Viajar de moto é isso: sempre estar enfrentando crises, sejam psicológicas, materiais ou imateriais. Mesmo assim, a gente consegue chegar 1 km à frente e lograr êxito em nossos objetivos.”
Viagens e metas
A relação com o motociclismo começou cedo. Wilney iniciou as viagens aos 18 anos e, desde então, transformou a estrada em estilo de vida. Formado em Análise de Sistemas, ele concilia as expedições com a administração de uma empresa familiar de empacotamento de farináceos, atividade que, segundo ele, garante autonomia para seguir viajando.
Ao longo da trajetória, o goiano já percorreu todos os 13 países da América do Sul, além de viajar pela América Central e por todo o território brasileiro, do Oiapoque ao Chuí. Até o momento, ele soma cerca de 700 mil quilômetros rodados e mantém a meta de alcançar 1 milhão até os 50 anos.
A atual expedição deve adicionar entre 40 mil e 60 mil quilômetros ao percurso total, considerando o trajeto entre a Antártida e o Ártico, com retorno ao Brasil. Nas redes sociais, onde reúne mais de 150 mil seguidores, ele compartilha episódios da jornada e mantém uma comunidade engajada, que contribui voluntariamente para a continuidade do projeto.