FLUXO DE CLIENTES

Bares e restaurantes admitem frustração com MotoGP em Goiânia: ‘abaixo do esperado’

Bloqueio no trânsito, poucos estrangeiros e desinteresse pela gastronomia foram alguns pontos apontados pelos proprietários

Melt Cozinha de Fogo (Foto: Divulgação)

Proprietários de bares e restaurantes de Goiânia revelaram ao Mais Goiás nesta segunda-feira (23) que o movimento registrado no fim de semana do Grande Prêmio do Brasil de Motovelocidade (MotoGP) ficou “abaixo do esperado”. Os estabelecimentos, que haviam investido na ampliação de equipes, treinamento para atendimento aos estrangeiros e adaptação de cardápios, analisam os fatores que frustraram as expectativas criadas para o evento.

Antes da realização do Grande Prêmio, a aposta do setor gastronômico era de um aumento expressivo no fluxo de clientes não apenas durante os dias de corrida, mas também nas semanas que antecederiam e sucederiam o evento. “A expectativa de todo o setor era bem maior, nos informaram que teria um aumento no movimento da cidade 15 dias antes e 12 dias após a corrida. Só começamos a sentir o impacto do evento a partir de quinta”, explicou Ricardo Siqueira, proprietário do Kabanas.

Poucos estrangeiros

No Kabanas, o movimento ficou dentro do esperado, sem o crescimento mais amplo que havia sido projetado. Segundo ele, houve um aumento de cerca de 30% no faturamento apenas entre sexta e domingo, mas a expectativa era de maior movimentação ao longo da semana. Outro ponto que chamou a atenção foi o perfil do público. “Esperávamos mais turistas de fora, mas na prática, 90% dos clientes eram brasileiros”, completou.

O diretor do Piquiras, Frederico Batista, destacou que, embora o fluxo de pessoas tenha sido intenso, ele ficou dentro do esperado e não se traduziu exatamente em aumento proporcional no faturamento. Segundo ele, houve mudança no comportamento do consumidor durante o evento. “O consumo de alimentação caiu, enquanto o de bebidas aumentou bastante”, afirmou.

Ele também ressaltou que a expectativa inicial, de atrair visitantes interessados na experiência gastronômica, não se confirmou. “Esperávamos mais pessoas interessadas em conhecer a culinária e a cozinha dos nossos restaurantes. Nesse quesito, entendemos que não foi o interesse do público que veio à cidade.”

Bloqueios no trânsito

No Melt Cozinha de Fogo, a localização, que a princípio era uma vantagem, se tornou um problema. O gestor Luis Junior explicou que, apesar de ser o único restaurante próximo ao autódromo, o estabelecimento registrou movimento abaixo do esperado. Um dos principais fatores foi a confusão gerada pelas informações sobre bloqueios no trânsito durante o evento.

A sexta-feira do GP fechou com uma receita menor que uma sexta comum. Já o sábado e o domingo, teve um bom desenvolvimento, mas nada acima do esperado”, contou. “Perdemos clientes habituais, que evitaram sair de casa por receio dos bloqueios, e também não conseguimos atrair novos clientes”, explicou.

Segundo Luis, como os espectadores utilizavam transporte coletivo e o estabelecimento não era um ponto de parada, o deslocamento até o local foi prejudicado, limitando o movimento de clientes.