Entenda a confusão na substituição de Neymar no jogo contra o Coritiba
O quarto árbitro Bruno Mota Correia levantou a placa indicando a saída de Neymar, quando o Santos queria tirar o argentino Escobar de campo.
O lance que mais chamou a atenção na 16ª rodada do Brasileirão foi uma substituição. Aos 19 minutos do segundo tempo, quando perdia por 3 a 0 para o Coritiba, o Santos iria trocar Escobar por Robinho Júnior. Porém, o quarto árbitro Bruno Mota Correia (Rio de Janeiro) levantou a placa indicando a saída de Neymar, que estava recebendo atendimento na panturrilha, fora de campo.
Robinho entrou, a partida foi reiniciada e, quando se deu conta, Neymar tentou voltar ao jogo – levou cartão amarelo por entrar sem autorização -, criando uma situação totalmente inesperada e inacreditável.
Em meio a conversas do árbitro Paulo César Zanovelli (MG) com o quarto árbitro, com atletas e comissão técnica do Santos, Neymar pegou o papel escrito com a substituição e até mostrou para a câmera que estava escrito a saída do 31 (o argentino Escobar), não do camisa 10. Apesar da indignação, o craque foi impedido de voltar – a substiuição já havia sido concretizada – e a partida foi retomada aos 23 minutos.
E a súmula?
O árbitro Paulo César Zanovelli escreveu na súmula da partida que o quarto árbitro foi informado por César Sampaio, assistente técnico do Santos, que Neymar seria substituído e que, após a alteração, foi entregue a papeleta com indicação diferente de mudança. Confira:
“aos 20 minutos o quarto arbitro dessa partida, o sr. bruno mota correia foi informado verbalmente pelo assistente técnico o sr. carlos cesar sampaio campos que haveria uma substituição e que está substituição seria a saída do numero 10 da equipe do santos futebol clube, o sr. neymar da silva santos junior, atleta este que já se encontrava fora do campo de jogo recebendo atendimento médico. após a informação, o quarto arbitro desta partida com a placa em mãos se vira em direção ao assistente técnico do santos futebol clube, onde pergunta novamente a confirmação da substituição do atleta por ele informado e recebe a confirmação verbal e gestual do mesmo, enquanto ele preenche o papel junto ao delegado da partida o sr. guilherme zangari da rocha, que presenciou e escutou tais fatos relatados. após a conclusão da substituição, o mesmo assistente técnico entrega a papeleta de substituição com o numero diferente do que ele havia informado e confirmado. em ato continuo, o quarto arbitro foi abordado pela comissão técnica da equipe do santos que a numeração estava errada, fato esse difere do que informado verbalmente e gestualmente antes de levantar a placa, pelo sr. carlos cesar sampaio campo”
O que falaram os personagens?
Neymar classificou o acontecido como “erro grave de arbitragem” e não escondeu a irritação com o fato. “Os caras já tinham falado que seria o Gonzalo (Escobar) que ia sair. Aí eu fico esperando para voltar para o jogo. O jogo tem que reiniciar para eu poder voltar. Só que o jogo reinicia e eu fico: “Cadê? Não vão me deixar entrar? Eu não sabia que tinha sido substituído, eu não tinha visto a placa. Aí, ele (quarto árbitro) fala que eu tinha saído. Foi um erro muito grave da arbitragem, erro do cara ali que coloca os números. Ele recebe no papel, vocês viram que eu mostrei o papel, né? Foi a prova disso tudo”, destacou.
“Se fosse só no boca a boca, do jeito que ele falou, não pode. Eu perguntei para ele: “Por que você fez isso?”. Ele disse: “O que vale na regra é o que está no papel”. Por isso que eu entro em campo para falar com o árbitro. Eu digo: “O que vale na regra é o que está no papel”‘, explicou o camisa 10 do Santos.
César Sampaio
“Sou o responsável, pois chamei o quarto árbitro para substituição do Juninho (Robinho Jr) pelo Escobar, o 7 pelo 31. Neste momento, o Neymar saiu de campo acusando um pouco de dor (na panturrilha) e eu pedi para o quarto árbitro aguardar para ver poderia voltar ou não. Ele, fora de campo, o quarto árbitro Bruno, com quem até tenho uma boa relação, falou que o Neymar não podia voltar mais. O Bruno estava com o papel na mão, do 7 pelo 31, e acabou se precipitando na substituição. O Ney tentou voltar ainda, mas, mas uma vez o árbitro já procedido, não podia voltar mais atrás. Foi isso que aconteceu. Uma precipitação, penso eu, no calor no jogo ali”
“Isso é com a diretoria (se vai tomar alguma ação contra a equipe de arbitragem). A gente precisa entender isso. Não havia presenciado um ato como esse e que a gente possa aprender com tudo que aconteceu e corrigir”, concluiu o atual auxiliar técnico do Santos.