DESFALQUE

Espanha perde atacantes de lado de campo e terá que improvisar

Sem Nico Williams, Yeremy Pino e Victor Muñoz, técnico da Espanha, Luís da la Fuente terá que centralizar jogo do time

Técnico da seleção da Espanha, Luis de la Fuente (Foto: Instagram)
Técnico da seleção da Espanha, Luis de la Fuente (Foto: Instagram)

(O Globo) Com três de seus quatro pontas fora dos treinamentos a apenas quatro dias da partida da fase de 32 avos de final da Copa do Mundo contra a Áustria, o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, é obrigado a recorrer a jogadores mais centralizados para complementar a crescente inspiração de Lamine Yamal, o único ponta disponível.

Nico Williams e Yéremy Pino, que se lesionaram na vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai na sexta-feira e ainda têm presença incerta, além de Víctor Muñoz, que sequer estreou no torneio por causa de problemas musculares, ficaram fora do treino coletivo deste sábado.

Ou seja, três dos quatro pontas da equipe estão indisponíveis justamente quando a competição entra em sua fase decisiva.

Nico Williams, um dos desfalques mais importantes da Espanha (Foto: Instagram)

Para preencher os lados do ataque, De la Fuente conta com opções saudáveis como Álex Baena, autor do gol da vitória sobre o Uruguai, Ferran Torres, que durante anos atuou como centroavante, e Dani Olmo, um camisa 10 de origem que vive grande fase nesta Copa do Mundo.

Cinco decisões para Lamine

Pela direita, Lamine Yamal é intocável e segue sendo o principal alvo das marcações adversárias.

O prodígio de 18 anos vem evoluindo no torneio, aumentando gradualmente sua carga de minutos para recuperar o ritmo após uma lesão muscular.

Mas a Espanha poderá disputar até cinco partidas eliminatórias em apenas 18 dias, todas com possibilidade de prorrogação, caso queira chegar à final do dia 19 de julho, em Nova Jersey.

O primeiro desafio será na próxima quinta-feira, às 19h, em Los Angeles, diante da Áustria, que garantiu vaga graças a um gol aos 51 minutos do segundo tempo na vitória sobre a Argélia.

De la Fuente sabe que precisa encontrar soluções para compensar justamente o fator que fez a diferença na conquista da Eurocopa há dois anos: o brilho dos pontas.

“Não vamos mudar nossa ideia de jogo. Seria completamente diferente deslocar alguns jogadores para essas posições. Estamos um pouco limitados em opções por ali”, admitiu o treinador após o triunfo sobre o Uruguai, no Estádio de Guadalajara.

Oyarzabal, atacante da Espanha (Foto: Instagram)

Na Eurocopa conquistada em 2024, a combinação do tradicional jogo de posse espanhol, o tiki-taka, com a velocidade e o drible de Lamine Yamal e Nico Williams deu uma nova dimensão ao time, que venceu todos os grandes adversários até levantar o troféu.

Dois anos antes, porém, a Espanha havia sido eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo do Catar após dominar a posse de bola diante do Marrocos, mas sem conseguir criar chances efetivas. O empate por 0 a 0 persistiu após 120 minutos, e os espanhóis acabaram eliminados nos pênaltis.

Escalações condicionadas

Nesta Copa do Mundo de 2026, o processo de recuperação física dos jogadores de lado tem influenciado as escolhas de De la Fuente desde a estreia, alimentando um debate sobre a conveniência de convocar atletas que não chegaram totalmente recuperados ao torneio.

Na primeira rodada, contra Cabo Verde (0 a 0), Gavi atuou improvisado como falso ponta pela esquerda, enquanto Ferran Torres jogou aberto pela direita. A experiência não deu certo.

Seis dias depois, diante da Arábia Saudita (vitória por 4 a 0), Lamine Yamal estreou como titular ao lado de Álex Baena na ponta esquerda, dupla repetida contra o Uruguai.

‘Criar situações de desequilíbrio’

Com poucos pontas disponíveis e a necessidade de utilizar atacantes que preferem atuar por dentro, os laterais ganharam ainda mais importância no esquema espanhol.

Pela esquerda, Marc Cucurella, recém-contratado pelo Real Madrid pouco antes da estreia contra Cabo Verde, confirmou sua condição de titular absoluto. Seguro na defesa, participa constantemente das jogadas ofensivas.

Na direita, Marcos Llorente teve dificuldades na estreia, mas melhorou diante do Uruguai. Contra a Arábia Saudita, foi substituído por Pedro Porro, que agradou pela boa atuação e pela sintonia demonstrada com Lamine Yamal.

Além dos problemas com lesões, o principal desafio da Espanha é elevar seu nível de atuação. Até aqui, a equipe mostrou seu melhor futebol apenas no primeiro tempo contra a Arábia Saudita, quando abriu 3 a 0 em apenas 23 minutos.

“Precisamos fazer a bola circular na velocidade à qual estamos acostumados para criar situações de desequilíbrio em diferentes zonas do campo”, reconheceu De la Fuente.