Sábado, 24 de Outubro de 2026
VAI À JUSTIÇA

Flamengo se apoia em regra que eliminou o Santos para tentar vaga na final da Libertadores

Rubro-Negro questiona escalação de Marcos Rojo pelo Estudiantes e usa como precedente a punição aplicada ao Peixe em 2018, quando um empate virou derrota por 3 a 0 por decisão da Conmebol

Johann Germano
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
flamengo libertadores

O Flamengo busca nos tribunais uma reviravolta na semifinal da Copa Libertadores e tem como argumento um caso que terminou com a eliminação do Santos em 2018. O clube carioca contesta a escalação do zagueiro argentino Marcos Rojo pelo Estudiantes e defende a aplicação da regra da Conmebol que prevê derrota por 3 a 0 em partidas nas quais seja constatada a utilização irregular de um jogador.

O precedente envolve justamente uma decisão da entidade sul-americana que mudou o resultado de um confronto entre Santos e Independiente, da Argentina. Na ocasião, o Peixe havia empatado por 0 a 0 fora de casa, mas acabou punido após uma reclamação dos argentinos sobre a situação do meia uruguaio Carlos Sánchez.

Carlos Sánchez durante treino do Santos em 2022 (Foto: Ivan Storti/Santos FC)

O Flamengo também empatou por 0 a 0 os dois confrontos com o Estudiantes e foi eliminado na disputa por pênaltis, por 3 a 2. Agora, o clube tenta reverter o desfecho da semifinal com base no entendimento de que a participação de Rojo contrariou o regulamento da competição.

Santos x Independiente é precedente

Em 2018, um dia depois do empate sem gols entre Santos e Independiente, na Argentina, o clube mandante apresentou uma reclamação formal à Conmebol. O argumento era de que Carlos Sánchez havia sido escalado de maneira irregular pelo time brasileiro.

A entidade analisou o caso e decidiu punir o Santos com a perda do resultado obtido em campo. Com a aplicação do placar administrativo de 3 a 0, o Peixe passou a precisar de uma goleada no duelo de volta, no Pacaembu, para seguir vivo na Libertadores.

Gabigol contra o Independiente na Libertadores 2018 pelo Santos (Foto: Ivan Storti/Santos FC)

A equipe paulista, no entanto, não conseguiu reverter a situação. O segundo confronto terminou novamente empatado por 0 a 0, resultado que confirmou a classificação do Independiente e a eliminação santista.

O episódio se tornou um precedente importante para a discussão envolvendo o Flamengo, já que a punição aplicada naquele ano também teve como fundamento a suposta escalação irregular de um atleta.

Carlos Sánchez punido em 2018

A origem do caso remonta a 2015, quando Sánchez defendia o River Plate. Naquele ano, o meio-campista uruguaio foi expulso após agredir um gandula durante a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Huracán.

Em dezembro, o jogador recebeu suspensão de três partidas e multa de US$ 3 mil. Conforme as regras disciplinares da Conmebol, a punição deveria ser cumprida no próximo torneio organizado pela entidade do qual ele participasse, independentemente de uma eventual transferência de clube.

Depois da eliminação do River Plate, Sánchez disputou o Mundial de Clubes de 2015, competição organizada pela Fifa, e posteriormente se transferiu para o Monterrey, do México. Em julho de 2018, foi contratado pelo Santos.

Carlos Sánchez jogou partida na Argentina suspenso e Santos recebeu punição (Foto: Ivan Storti/Santos)

A situação ganhou um novo capítulo após a Conmebol anunciar, em 2016, uma anistia que reduziu suspensões pendentes de clubes e jogadores. A pena de Sánchez passou de três partidas para apenas uma, que ainda precisava ser cumprida.

Como a Libertadores de 2018 era o primeiro torneio da Conmebol disputado pelo uruguaio desde então, a suspensão deveria ter sido cumprida justamente no jogo de ida das oitavas de final contra o Independiente. A escalação do atleta levou à reclamação dos argentinos e, posteriormente, à punição do Santos.

Por que o Flamengo questiona a escalação de Rojo?

O caso envolvendo Marcos Rojo tem origem em sua transferência para o Estudiantes. O defensor deixou o Racing em meio a um conflito com o presidente do clube, Diego Milito, e o negócio foi acelerado diante dos desfalques do sistema defensivo da equipe de La Plata.

O Estudiantes havia perdido dois titulares do setor, Pirez e Tomás Palacios, suspensos para o jogo de ida da semifinal contra o Flamengo. Para viabilizar a contratação de Rojo, o clube teria desembolsado US$ 500 mil, além de prever pagamentos adicionais de US$ 250 mil em caso de classificação à final e US$ 450 mil se conquistasse o título.

O defensor foi inscrito no Campeonato Argentino no lugar do meio-campista Gabriel Neves, que estava lesionado. Entretanto, a inscrição de Rojo na Libertadores foi inicialmente rejeitada porque o prazo previsto para a recuperação do atleta lesionado não atendia aos critérios da Conmebol para a abertura de uma vaga.

Diante da negativa, o Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) e obteve autorização para utilizar o reforço no confronto de volta contra o Flamengo, no Maracanã.

Rojo começou a partida como titular, atuando na lateral esquerda, e permaneceu em campo até os 30 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Tomás Palacios.

Flamengo pede derrota por 3 a 0

A diretoria rubro-negra sustenta que a autorização concedida pelo CAS não elimina a responsabilidade do Estudiantes perante a Conmebol, entidade responsável pela organização da Libertadores.

Segundo o entendimento do Flamengo, o documento que autorizou a utilização de Rojo também atribuía ao clube argentino a responsabilidade pela escalação do jogador em caso de eventual julgamento. Para o Rubro-Negro, a ausência de uma autorização específica da Conmebol representaria uma infração ao regulamento da competição.

O clube pede, por isso, a aplicação da sanção prevista para a escalação irregular de atletas. O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol estabelece que uma equipe considerada responsável pela utilização indevida de um jogador pode ser declarada perdedora da partida pelo placar de 3 a 0.

A estratégia se apoia no caso do Santos, mas a existência de um precedente não significa que o resultado será necessariamente o mesmo. A decisão dependerá da análise das regras aplicáveis, dos documentos apresentados e dos efeitos jurídicos da autorização concedida ao Estudiantes.

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