Gols e festa da torcida marcam despedida da seleção peruana
Peru vence Austrália por 2 a 0 em seu último jogo no Mundial da Rússia, em que esteve após 36 anos de ausência no torneio
Ir direto pra matériaEliminado antecipadamente da Copa do Mundo por ter perdido para Dinamarca e França nas rodadas iniciais do Grupo C, o Peru teve a despedida considerada perfeita pelos mais de 20 mil torcedores que viajaram até a Rússia para acompanhar a sua seleção. Com gols de Carrillo e do ídolo Guerrero, derrotou a Austrália por 2 a 0, pela rodada final da chave, em Sochi, nesta terça-feira (26).
Sem disputar a Copa do Mundo desde 1982, o Peru atraiu uma multidão de seguidores para a Rússia, sendo que a maioria nunca havia visto a equipe disputando a competição, o que tornou a mera participação um motivo de orgulho, ampliado com o triunfo sobre os australianos, resultado que levou a seleção sul-americana a ficar na terceira posição no Grupo C, com três pontos, atrás das classificadas França e Dinamarca.
Ídolo máximo da sua torcida, Guerrero foi o grande personagem desse triunfo para celebração. Após vencer parcialmente uma batalha judicial para participar da Copa depois de testar positivo em exame antidoping na reta final das Eliminatórias, ele liderou a primeira vitória peruana em Mundiais desde 1978 ao dar uma assistência e marcar o segundo gol em uma atuação precisa do Peru, que aproveitou as chances que teve para definir o jogo.
A Austrália, que chegou a Sochi com chances de classificação às oitavas de final pela primeira vez desde 2006, ficou na última posição no Grupo C, com apenas um ponto. E essa situação foi provocada pelo rendimento fraco do seu setor ofensivo, que marcou gols apenas de pênalti na Rússia – foram dois – e nesta terça-feira foi pouco produtivo, além de desperdiçar algumas oportunidades de gol, mesmo tendo permanecido por maior tempo com a posse de bola e no setor ofensivo.
Mesmo com todo o apoio da sua torcida, o Peru entrou em campo acuado pela Austrália, que precisava da vitória para almejar a classificação à segunda fase da Copa e tratou de manter a posse de bola no campo de ataque e de tentar ignorar os cânticos dos rivais. Só que não adiantou, pois os peruanos foram letais na primeira chegada efetiva ao ataque. Guerrero recebeu longo lançamento, dominou com estilo e acionou Carrillo no lado direito da grande área. Ele bateu de primeira e colocou a sua equipe em vantagem ao marcar um belo gol aos 18 minutos.
Foi, aliás, com Guerrero que o Peru voltou a ameaçar a Austrália, aos 24, em cabeceio após cobrança de falta. Mas o gol só intensificou o cenário visto com o placar em 0 a 0, de mais ações dos australianos no campo de ataque. Mas lhes faltava qualidade, vista apenas em jogadas com a participação de Rogic, como aos 26 minutos, quando driblou três marcadores e parou na defesa de Gallese. E também aos 32, em lance iniciado por ele e que só não terminou em gol de Leckie por causa do corte da defesa peruana.
Após os sustos, o Peru começou mais ligado o segundo tempo e tratou de definir a sua vitória logo aos 4 minutos, em jogada que envolveu jogadores de clubes brasileiros. No lance, Cueva tabelou com Trauco, cortou para o meio e tentou acionar Guerrero. Ele girou e bateu, com a bola desviando em Milligan e entrando na meta de Ryan. Em desvantagem, restou aos australianos lutar. E com as suas armas mais conhecidas: o veterano Cahill, que entrou em campo pela primeira vez na sua quarta Copa do Mundo, e em jogadas aéreas.
Jedinak e Behich tiveram boas oportunidades após cobranças de escanteio, mas não aproveitaram. A entrada de Arzani também aumentou o volume ofensivo australiano, com o atacante ameaçando duas vezes a meta de Gallese. Mas foi muito pouco para conter a apoteose da torcida peruana, que celebrou, orgulhosa, a participação de sua equipe na Copa e a vitória sobre os australianos.
FICHA TÉCNICA:
AUSTRÁLIA 0 x 2 PERU
AUSTRÁLIA – Ryan; Risdon, Sainsbury, Milligan e Behich; Jedinak, Mooy, Lecke, Rogic (Irvine) e Kruse (Arzani); Juric (Cahill). Técnico: Bert van Marwjik.
PERU – Gallese; Advincula, Ramos, Santamaria e Trauco; Tapia (Hurtado), Yotun (Aquino), Carrillo (Cartagena), Cueva e Flores; Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca.
LOCAL – Fisht Stadium, em Sochi (Rússia). ÁRBITRO – Sergei Karasev (Fifa/Rússia). PÚBLICO – 44.073 espectadores.
GOLS – Carrilo, aos 18 minutos do primeiro tempo; Guerrero, aos cinco minutos do segundo tempo.