Três motivos que explicam o porquê de o Brasil ter ficado no “quase” no vôlei feminino
Vice da Liga das Nações pela quinta vez mostra um cenário de uma equipe competitiva, mas que ainda busca uma grande conquista
Ir direto pra matéria
A seleção brasileira feminina de vôlei continua entre as principais forças do mundo, mas tem encontrado dificuldades para transformar boas campanhas em títulos. O último ouro olímpico foi conquistado nos Jogos de Londres, em 2012, e a equipe ainda busca uma conquista inédita no Campeonato Mundial e na Copa do Mundo.
Na Liga das Nações, a história recente mostra um cenário de proximidade com o título, mas sem a confirmação no momento decisivo. O Brasil chegou à final da competição cinco vezes e ficou com a medalha de prata em todas elas: 2019, 2021, 2022, 2025 e 2026.
No último domingo (26/7), a seleção comandada por José Roberto Guimarães voltou a bater na trave. Na decisão da VNL, o Brasil foi derrotado pela Turquia e terminou novamente com o vice-campeonato. Apesar do resultado, a equipe segue em alta no cenário internacional e ocupa atualmente a segunda colocação do ranking mundial, atrás apenas da Itália.
Três fatores ajudam a explicar o momento do Brasil.
1. O Brasil continua competitivo, mas falta transformar campanhas em títulos
Diferentemente do momento vivido pela seleção masculina, o time feminino segue entre as principais equipes do mundo. O problema não é chegar às fases decisivas, mas conseguir dar o último passo e conquistar os troféus mais importantes.
Nos últimos ciclos, o Brasil acumulou resultados expressivos: foi vice-campeão mundial em 2022, conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e disputou cinco finais da Liga das Nações. Os números mostram uma equipe constante, mas que ainda busca uma conquista capaz de marcar uma nova era.

2. A renovação após uma geração histórica
A seleção feminina também passou por uma importante mudança de geração. Jogadoras que marcaram época, como Fofão, Sheilla, Fabiana, Jaqueline, Dani Lins e Fernanda Garay, deixaram um legado de títulos e liderança dentro de quadra.

Com a saída dessas atletas, uma nova geração assumiu a responsabilidade de manter o Brasil no topo. Nomes como Gabi, Ana Cristina, Julia Bergmann, Rosamaria e Júlia Kudiess passaram a ser protagonistas de um novo ciclo.
O talento existe, mas a equipe ainda busca uma conquista que consolide essa geração. Diferentemente da equipe bicampeã olímpica de 2008 e 2012, o grupo atual ainda procura um título de grande expressão para marcar sua história.
3. A dependência de Gabi nos momentos decisivos
Uma das grandes referências do vôlei mundial, Gabi se tornou a principal peça ofensiva da seleção brasileira nos últimos anos. A ponteira assumiu o protagonismo após a saída de outras importantes atacantes, como Natália e Tandara.

O problema aparece quando as adversárias conseguem limitar a atuação da capitã brasileira. Em jogos equilibrados, a seleção ainda sente falta de encontrar outras opções ofensivas para dividir a responsabilidade e decidir partidas de alto nível.
A evolução de jogadoras como Ana Cristina e Julia Bergmann diminuiu essa dependência, mas a busca por um maior equilíbrio coletivo continua sendo um dos desafios do Brasil.
Leia também: Por que o Brasil perdeu a hegemonia no vôlei masculino? Veja 3 motivos