Lula condena ataques dos EUA à Venezuela: ‘ultrapassam linha inaceitável’
Ofensiva foi anunciada por Trump por meio de uma rede social, em mensagem na qual disse que forças americanas realizaram um "ataque de grande escala" e capturaram Nicolás Maduro
(AGÊNCIA O GLOBO) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou neste sábado os ataques à Venezuela anunciados pelos Estados Unidos. Em comunicado, o brasileiro afirmou que os atos “representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, diz a nota. Lula não cita a capturar do líder chavista, Nicolás Maduro, e a da esposa dele, Cilia Flores.
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Segundo Lula, “a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”.
“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”,
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
Atacar países, em…
Nos últimos meses, Lula vinha tentando atuar como um mediador na escalada da crise entre EUA e Venezuela. Em conversa com jornalistas em 18 de dezembro, o presidente brasileiro defendeu “diálogo” para que se evitasse uma “guerra fratricida” na região e disse que tentaria falar com Donald Trump sobre o assunto antes do Natal. Entretanto, não há informações de que a conversa de fato ocorreu.
O ataque à Venezuela foi anunciado por Trump por meio de uma rede social, em mensagem na qual disse que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra o país sul-americano e que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida. Ele não informou, no entanto, para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura.
O governo brasileiro convocou uma reunião de emergência na manhã deste sábado para discutir o ataque de grande escala anunciado pelos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo interlocutores do Itamaraty, a prioridade neste momento é reunir informações detalhadas sobre a operação antes de qualquer posicionamento público.
A avaliação interna é de que ainda há lacunas relevantes sobre as circunstâncias do ataque e, sobretudo, sobre a base legal da captura anunciada pelo presidente americano Donald Trump. Por essa razão, a orientação no governo é de cautela, evitando manifestações precipitadas enquanto os fatos seguem sendo apurados por canais diplomáticos. A reunião foi convocada pela embaixadora Maria Laura da Rocha, a número dois do Itamaraty.
Vídeos divulgados em redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.
As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
A crise diplomática entre os americanos e os venezuelanos vinha escalando nos últimos meses. O governo Trump já havia anunciado um bloqueio naval “total e completo” a petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, intensificando a pressão sobre Caracas ao atingir diretamente o petróleo, principal setor de receita do país, e ampliando as medidas que Washington apresenta como parte de uma campanha contra tráfico de drogas.
Países condenam ataques
Diferentes autoridades mundiais reagiram ao ataque americano à Venezuela na madrugada deste sábado, que capturou o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenaram a ação dos Estados Unidos, enquanto o mandatário argentino, Javier Milei, celebrou a operação.
“O Governo da República da Colômbia observa com profunda preocupação os relatos sobre ataques e atividades aéreas incomuns registradas nas últimas horas na República Bolivariana da Venezuela, assim como o consequente aumento de tensão na região”, afirmou Petro em publicação na rede social X.
Já o chefe de Estado cubano disse, também em postagem na plataforma, que “Cuba denuncia e demanda URGENTE reação da comunidade internacional contra o criminoso ataque dos EUA contra a Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente assaltada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra Nossa América”.
Por outro lado, Milei, aliado de Trump e crítico ao líder venezuelano, comemorou os ataques ao reproduzir uma notícia da captura de Maduro com a frase “A liberdade avança”, que é também o nome do seu partido.
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