Trump e Delcy afirmam que Venezuela ainda não está pronta para nova eleição
Declaração de Trump e Delcy ocorre após acordo para controle de Washington sobre parte do petróleo da Venezuela
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(Folhapress) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (2) que a Venezuela ainda não está pronta para realizar eleições, nove meses após a captura do ditador Nicolás Maduro por forças americanas em Caracas no dia 3 de janeiro.
“Simplesmente não me parece que eles estejam prontos ainda. Sabe, é algo muito recente. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o governo”, disse Trump, em referência à líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Logo em seguida, Delcy afirmou o mesmo: que haverá eleições na Venezuela quando o país estiver preparado. Nenhum dos dois líderes detalhou que condições determinariam esse momento.
“Delcy está fazendo um trabalho muito, muito bom. Nós queremos isso [eleições], eles também, Delcy quer isso. Mas eles não estão prontos. Em breve [haverá eleições], estamos ansiosos por isso”, disse Trump.
Delcy afirmou também nesta quarta-feira que seu país e o governo de Donald Trump estão trabalhando para retirar as sanções de Washington contra o país sul-americano.
Com Caracas sob tutela do governo americano, o republicano anunciou, na última sexta-feira (28), que os EUA haviam chegado a um acordo petrolífero com a Venezuela.
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Na plataforma Truth Social, Trump escreveu que o pacto garante o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, “sem nenhum custo para o contribuinte americano”.
Ele disse que os termos foram acordados pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, “trabalhando em estreita colaboração com a respeitadíssima presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez”.
O acordo firmado entre EUA e Venezuela prevê que a empresa Nabep (North American Blue Energy Partners) deve conceder licenças ou criar joint ventures com grupos de energia para desenvolver 17 campos de petróleo venezuelanos por meio de concessões de 100 anos, segundo um documento da Casa Branca relatado pelo jornal britânico Financial Times.
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O governo americano deve adquirir uma participação de 35% na Nabep, liderada por Alejandro Betancourt, controverso empresário venezuelano proprietário da segunda maior empresa privada de petróleo do país. Isso daria aos EUA o direito de comprar, a preço de custo de produção, uma parcela garantida de 20% de todo o petróleo extraído dos campos atuais e futuros operados pela empresa.
A Casa Branca considera que o acesso de longo prazo ao petróleo venezuelano, próximo do país e distante de áreas de grande conflito e instabilidade política, como o Oriente Médio, ganha importância, como demonstra o atoleiro em que os EUA se encontram na guerra contra o Irã.
As declarações dos dois líderes nesta quarta e o anúncio recente do acordo de petróleo ocorrem paralelamente a negociações entre o regime e parte da oposição venezuelana, sob o olhar do Departamento de Estado americano, para a volta das eleições no país e o início de um processo de transição.
Reflexo da evidente tutela americana, o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, nesta quarta à Fox Nex que uma nova rodada de negociações entre as parets será realizada em breve. “A próxima fase dessas conversas de transição, facilitadas por nós, ocorrerá em cerca de 10 dias”, afirmou Rubio. O primeiro desses encontros foi realizado em agosto.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, estava em Caracas nesta quarta-feira em reunião com Delcy para concluir o acordo petrolífero, que coloca nas mãos dos EUA cerca de um quinto das reservas de óleo do país sul-americano.
Ao falar sobre a transição política, Rubio afirmou que “não levará tanto tempo quanto no Leste Europeu, mas aquela região precisou de quatro ou cinco anos para concluir sua transição. Aqui podemos conseguir isso muito mais rapidamente. Estamos trabalhando nisso incansavelmente”, prosseguiu o secretário de Estado americano.
“Eleições democráticas não se resumem simplesmente à realização de um pleito”, afirmou Rubio, contudo, refletindo a declaração do chefe.
Ao falar sobre o acordo energético, o secretário destacou que ele traria “certas vantagens de curto prazo, mas também garante que sejam os EUA —e não a China, a Rússia ou o Irã— a ocupar uma posição estratégica diante do maior produtor de petróleo” do continente americano.