Análise: aliança com Caiado devolve MDB ao governo pelo voto 28 anos depois de Maguito
Daniel Vilela conquista mandato próprio e leva partido de volta à vitória para o governo de Goiás, após assumir o cargo com a saída do aliado
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A vitória de Daniel Vilela encerra um intervalo de 28 anos desde que Maguito Vilela deixou o governo de Goiás, em 1998. O MDB já havia retornado ao comando do Estado com a posse de Daniel, após a saída de Ronaldo Caiado. Agora, conquista nas urnas o direito de permanecer por mais quatro anos.
O retorno tem uma diferença em relação às tentativas anteriores: o MDB venceu aliado ao grupo que antes enfrentava. Em 2018, Daniel disputou o governo contra Caiado. Depois da derrota, aproximou-se do adversário, tornou-se vice em 2022 e recebeu o apoio do então governador para sucedê-lo.
Essa mudança permitiu ao MDB voltar ao poder sem precisar derrotar a administração estadual. Daniel concorreu como candidato da continuidade, com o apoio de Caiado e dos partidos que sustentavam o governo. À estrutura emedebista, somou a rede de prefeitos e lideranças do aliado.
O partido havia passado mais de duas décadas tentando recuperar o comando de Goiás. Nesse período, enfrentou os governos do PSDB e, depois, a ascensão de Caiado. Perdeu duas vezes com Iris Rezende e outras duas com Maguito Vilela. A aliança mudou a posição do MDB: de adversário do governador, passou a integrar a administração e a participar da escolha do sucessor.
Daniel levou para essa composição o sobrenome Vilela, a presidência estadual do partido e os vínculos construídos pelo pai nos municípios. A memória do governo de Maguito ajudou a manter portas abertas no interior, mas a vitória exigiu uma base maior do que aquela que o MDB conseguiu reunir quando disputou sozinho a liderança da oposição.
O apoio de Caiado deu à candidatura o aval da administração que Daniel se comprometia a continuar. O emedebista pôde defender o governo, apresentar-se como sucessor e pedir votos ao eleitorado que havia escolhido Caiado nas duas eleições anteriores.
O MDB recupera, assim, o cargo que perdeu ao fim da gestão de Maguito, mas chega acompanhado de aliados que não pertencem à antiga base.