Análise: Ana Paula não amplia voto de Wilder e estreia nas urnas com derrota
Herdeira de Iris Rezende, candidata a vice não conseguiu converter o vínculo com o ex-governador em apoio suficiente para levar a chapa do PL ao segundo turno
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A advogada Ana Paula Rezende chegou à chapa de Wilder Morais (PL) com um sobrenome conhecido na política de Goiás. A expectativa era que a filha de Iris Rezende ajudasse a candidatura a conquistar eleitores além do bolsonarismo. A derrota marca a primeira experiência eleitoral e expõe os limites dessa aposta.
AlWilder precisava ampliar o apoio fora do eleitorado identificado com o PL. Ana Paula poderia aproximá-lo de antigos eleitores de Iris, sobretudo em Goiânia, onde o ex-prefeito construiu parte da trajetória.
Essa aproximação enfrentou uma dificuldade: o MDB, partido de Iris, estava com Daniel Vilela. A candidatura emedebista reunia lideranças e estruturas municipais que também fizeram parte do irismo. Ana Paula levou o vínculo familiar para a chapa de Wilder, mas não levou consigo o partido do pai.
Daniel também disputava essa memória política. Filho de Maguito Vilela, tinha a favor a ligação entre os dois ex-governadores e a continuidade partidária. Para o eleitor que ainda se orienta pela trajetória de Iris, havia razões para permanecer com o MDB.
Ana Paula precisou construir uma candidatura em uma aliança diferente daquela em que o pai atuou. O sobrenome lhe deu reconhecimento, mas a estreia exigia formar vínculos próprios com eleitores e lideranças. A condição de filha de Iris não assegurava a transferência dos votos que ele conquistou ao longo de décadas.
O resultado da chapa, sozinho, não permite medir quantos votos vieram pela presença da vice. Permite concluir que a escolha não produziu a ampliação necessária para levar Wilder ao segundo turno. A tentativa de reunir bolsonarismo e irismo ficou aquém do objetivo eleitoral.
Ana Paula sai da disputa mais conhecida, mas com uma derrota e sem mandato. Se decidir continuar na política, terá de construir uma base própria e definir quais posições pretende defender. O legado de Iris continuará sendo parte da apresentação ao eleitor; a experiência de 2026 mostrou que ele não basta para sustentar uma candidatura.