Domingo, 04 de Outubro de 2026
COLUNA DO JOÃO BOSCO BITTENCOURT

Análise: Ana Paula não amplia voto de Wilder e estreia nas urnas com derrota

Herdeira de Iris Rezende, candidata a vice não conseguiu converter o vínculo com o ex-governador em apoio suficiente para levar a chapa do PL ao segundo turno

João Bosco Bittencourt
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
7c421f3f-39b1-49ec-aa2c-5cf59bd59873

A advogada Ana Paula Rezende chegou à chapa de Wilder Morais (PL) com um sobrenome conhecido na política de Goiás. A expectativa era que a filha de Iris Rezende ajudasse a candidatura a conquistar eleitores além do bolsonarismo. A derrota marca a primeira experiência eleitoral e expõe os limites dessa aposta.

AlWilder precisava ampliar o apoio fora do eleitorado identificado com o PL. Ana Paula poderia aproximá-lo de antigos eleitores de Iris, sobretudo em Goiânia, onde o ex-prefeito construiu parte da trajetória.

Essa aproximação enfrentou uma dificuldade: o MDB, partido de Iris, estava com Daniel Vilela. A candidatura emedebista reunia lideranças e estruturas municipais que também fizeram parte do irismo. Ana Paula levou o vínculo familiar para a chapa de Wilder, mas não levou consigo o partido do pai.

Daniel também disputava essa memória política. Filho de Maguito Vilela, tinha a favor a ligação entre os dois ex-governadores e a continuidade partidária. Para o eleitor que ainda se orienta pela trajetória de Iris, havia razões para permanecer com o MDB.

Ana Paula precisou construir uma candidatura em uma aliança diferente daquela em que o pai atuou. O sobrenome lhe deu reconhecimento, mas a estreia exigia formar vínculos próprios com eleitores e lideranças. A condição de filha de Iris não assegurava a transferência dos votos que ele conquistou ao longo de décadas.

O resultado da chapa, sozinho, não permite medir quantos votos vieram pela presença da vice. Permite concluir que a escolha não produziu a ampliação necessária para levar Wilder ao segundo turno. A tentativa de reunir bolsonarismo e irismo ficou aquém do objetivo eleitoral.

Ana Paula sai da disputa mais conhecida, mas com uma derrota e sem mandato. Se decidir continuar na política, terá de construir uma base própria e definir quais posições pretende defender. O legado de Iris continuará sendo parte da apresentação ao eleitor; a experiência de 2026 mostrou que ele não basta para sustentar uma candidatura.

Categorias:
Política
Tags:
POLÍTICA