Cassação do prefeito de Britânia é publicada no Diário Oficial do Estado
Edição de segunda-feira (3) traz em sua página 12 o Decreto Legislativo aprovado pela Câmara da cidade que destitui Carlos Cunha (PSDB) do cargo
Ir direto pra matériaO prefeito Carlos Cunha (PSDB), de Britânia, continua no cargo seis dias depois de os vereadores da cidade votarem sua cassação. A decisão da Câmara Municipal foi publicada no dia 30 de setembro no jornal Diário do Estado e na segunda-feira (3) na página 12 do Diário Oficial do Estado (DOE).
O Decreto Legislativo número 14 de 2016 (014/2016) determina a perda do mandato do prefeito Carlos Cunha pela prática dos “atos de improbidade administrativa, por culpa grave, em relação aos atos que geraram prejuízos ao erário e a quebras dos princípios básicos constitucionais e administrativos, em especial aos da moralidade, legalidade e eficiência”.
De acordo com o Decreto Legislativo, a Câmara Municipal reconheceu a materialidade dos fatos e a autoria do prefeito nos casos analisados pela Comissão Processante, que no relatório final julgou procedente a acusação contra Carlos Cunha.
Confusão
O presidente da Câmara Municipal de Britânia, o vereador Gilmar Vieira (PMDB), disse ao Mais Goiás que a votação aconteceu na quarta-feira (28) ao continuar sessão que havia sido suspensa no dia 6 de agosto. “Só que o juiz voltou atrás e retirou a decisão. O desembargador Alan (Sebastião de Sena Conceição, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás) decidiu pela manutenção do juiz, que havia suspendido o início da sessão da Comissão Processante, mas essa decisão foi retirada pelo juiz.”
Com base nessa decisão do desembargador, o presidente da Câmara afirmou que o prefeito tenta se manter no cargo até que a Justiça o comunique oficialmente da cassação. “Ele sabe que foi cassado, inclusive se negou a assinar o ofício encaminhado pela Câmara.”
Em certidão assinada por Adão Paulo de Oliveira Prado na sexta-feira (30/9), o oficial designado descreveu que esteve no prédio da Prefeitura de Britânia, na Avenida Brasília, número 1.489, no Centro da cidade, para notificar o prefeito da decisão da Câmara. “[…] Após tomar conhecimento do conteúdo da presente notificação, o mesmo recusou a assinar, mas mesmo assim aceitou a ficar com uma das vias”, descreveu na certidão.
Como o desembargador negou o agravo da Câmara e manteve a decisão do juiz da primeira instância, que teria, na versão do presidente do Legislativo, revogado a sentença, os vereadores impetraram na segunda-feira (3) um mandado de segurança para que a Justiça obrigue o prefeito a deixar o cargo. “Ele inclusive colocou um policial da reserva armado para vigiar a prefeitura”, afirmou o peemedebista.
Atos de improbidade
Segundo Gilmar, a decisão da Câmara precisa ser cumprida porque as contas da prefeitura já estão bloqueadas, o que deve começar a prejudicar o pagamento dos salários dos servidores, fornecedores e a manutenção de serviços como o transporte escolar.
A Comissão Processante analisou as denúncias de alteração na Lei Orçamentária Anual (LOA), abertura de crédito sem autorização prévia da Câmara, aumento da tarifa de iluminação pública por meio de ofício e não de acordo com tabela de fixação da Celg, fraude em licitações para contratação de empresa de transporte escolar e para realização de concurso público. Por dois desses atos de improbidade, o prefeito foi cassado.