Coronel da PM que disse que Lula não tomaria posse reconhece vitória do petista
"Bolsonaro reconheceu hoje, acabou, só faltava ele. Oficialmente é isso", disse na sexta
Coronel licenciado da Polícia Militar (PM), Benito Franco, que em meados de dezembro disse que Lula (PT) não tomaria posse, mudou o discurso e, no dia 30 de dezembro, reconheceu a vitória do petista. Em áudios publicados em sua conta no Instagram, ele afirmou que o presidente, que toma posse neste domingo (1º), foi “democraticamente e reconhecidamente” vitorioso conforme os três poderes da República.
Benito Franco é coronel e trabalha Polícia Militar de Goiás há 25 anos. Entre janeiro de 2019 e agosto de 2021, foi comandante do batalhão da Rotam.
No último dia 13 de dezembro, o militar postou um vídeo nas suas redes sociais. O conteúdo viralizou em grupos de WhatsApp. Na publicação, ele disse que Lula não tomaria posse do cargo de presidente e comentou sobre duas notícias: uma da Carta Capital, publicada em 3 de novembro; outra da Folha de São Paulo, publicada no dia 13 do mesmo mês.
O material da Carta Capital tratava de possível razão pela qual o presidente eleito ganhou no segundo turno, com unanimidade em 18 seções eleitorais indígenas. Os especialistas entrevistados pela revista disseram que o fato poderia ser uma resposta às políticas implementadas pelo governo Bolsonaro nos últimos 4 anos. O militar, porém, diz haver indígenas protestando contra a posse de Lula e ironizou o fato da comunidade ter antipatia com atual presidente.
Na notícia da Folha, os jornalistas expuseram como a votação deste ano chamou a atenção, porque, apesar do estado ser o menor colégio eleitoral (366 mil eleitores), foi o local onde o atual presidente teve maior vantagem, com cerca de 76% dos votos. O coronel, entretanto, destaca o fato de Lula ter vencido com 68% dos votos em uma das 15 cidades de Roraima (Uitamutã, com 10 mil habitantes, onde a maioria é indígena).
Em razão de uma notícia sobre suposta fraude, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se manifestou sobre essa questão e informou acerca da unanimidade do atual presidente em 143 seções (48 em territórios indígenas). Nestas seções, Lula teve apenas 16.455 votos (0,77% de vantagem sobre Bolsonaro). Porém, a diferença entre os dois candidatos foi de 2,1 milhões em todo o País.
À época, a Polícia Militar disse que “a manifestação do referido Oficial é de caráter pessoal. Assim que tomou conhecimento dos fatos, a PMGO determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias do caso”.
Além disso, o deputado estadual eleito Mauro Rubem (PT), que é vereador por Goiânia; o advogado Valério Filho e outros; acionaram o Ministério Público (MPGO) e o Ministério Público Federal em Goiás (MPFGO) e o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o coronel por ameaçar o estado democrático de Direito. À época, ele fez novo vídeo atacando os denunciantes e, mais uma vez, não reconhecendo o pleito.
Na última sexta, então, ele falou houve uma “eleição de guerra”, mas que o próprio Bolsonaro reconheceu a derrota. “Bolsonaro reconheceu hoje, acabou, só faltava ele. Oficialmente é isso.” Disse, também, que a Câmara dos Deputados não realizou nenhuma ação contra indícios de “problemas eleitorais” – nenhum destes comprovados, pelo contrário. A informação sobre o reconhecimento foi divulgada pelo O Popular.