Terça-feira, 28 de Julho de 2026
TRAJETÓRIA

Do gramado ao governo: como Daniel Vilela chegou ao Palácio das Esmeraldas

‘Fui desmotivando do futebol porque não era craque’, admitiu Daniel ao trocar os campos pela vida pública e iniciar uma trajetória que o levaria ao governo de Goiás

Por - Goiânia, GO
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Do gramado ao governo: como Daniel Vilela chegou ao Palácio das Esmeraldas

Daniel Elias Carvalho Vilela (MDB) nasceu em 23 de outubro de 1983, em Jataí, filho de Luiz Alberto Maguito Vilela e Sandra Regina Carvalho. No sangue, o ex-presidente estadual do MDB, que assumiu o governo de Goiás em março deste ano, tem tanto a política quanto o esporte, e optou pelos dois em determinado momento. Ambos os caminhos também foram trilhados pelo pai.

Primeiro, veio o futebol, assim como Maguito, que foi jogador do Jataiense e, mais tarde, presidente de honra da Aparecidense e vice-presidente da CBF. Daniel começou a treinar na Escolinha do Goiás Esporte Clube aos 7 anos. Mais tarde, ele seria lançado como profissional pelo Esmeraldino. De fato, Daniel cresceu entre os gramados e o Palácio das Esmeraldas, uma vez que o pai governou Goiás nos 1990 – além de outros gabinetes.

daniel pelé maguito
Maguito, Daniel e Pelé (Foto: Reprodução)

Em 2004, Vilela esteve no elenco que disputou a Série A naquele ano. No estadual, marcou um gol na partida de volta da semifinal contra o Crac. A partida terminou 2 a 0, mas a equipe de Catalão garantiu a vaga na decisão nos pênaltis e se sagrou campeã daquele ano.

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Daniel Goiás
Daniel Vilela atuou pelo Goiás (Foto: Reprodução)

Em 2005, Daniel atuou pelo Gama (DF) e disputou três partidas com a camisa da equipe. Logo após isso, ele novamente resolveu seguir os passos do pai e ingressar na carreira política. Ele relatou, durante entrevista concedida à Rádio Vinha FM, ter percebido que não era “craque” e que precisava deixar o futebol para quem tinha esse talento, motivando sua transição para a vida pública. “Eu fui desmotivando do futebol porque eu não era craque”, afirmou.

Foi em 2009, no mesmo ano em que se graduou em Direito, que Daniel assumiu seu primeiro mandato de vereador por Goiânia. À época, ele teve 8.380 votos. Foi líder do então PMDB na Câmara Municipal. Já no ano seguinte, ele foi eleito deputado estadual, assumindo a cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) em 2011, cumprindo o mandato até o fim. Contudo, não disputou a reeleição, mas uma vaga na Câmara dos Deputados, sendo eleito em 2014.

No Congresso, Daniel foi eleito, em 2018, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Desde sempre, trata-se do principal colegiado da Casa.

Daniel CCJ - Lúcio Bernardo Câmara dos Deputados
Emedebista presidiu a CCJ da Câmara dos Deputados (Foto: Lúcio Bernardo Júnior – Câmara dos Deputados)

Naquele ano, o emedebista tinha uma reeleição considerada simples, mas optou por disputar o governo de Goiás. Ele foi derrotado ainda no primeiro turno pelo governador Ronaldo Caiado (DEM, à época), mas terminou em segundo lugar, à frente do então Chefe do Executivo, Zé Eliton (PSDB).

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Daniel Vilela assumiu seu primeiro mandato de vereador por Goiânia em 2009 (Foto: Reprodução)

Aliança

Daniel até começou uma oposição ao governador Ronaldo Caiado, mas não durou muito. Nos bastidores, avançavam conversas, inclusive, com a articulação do líder maior do MDB, Iris Rezende, para uma aproximação.

Os diálogos renderam um movimento considerado inusitado na política: o anúncio de um vice com mais de um ano de antecedência ao pleito. Em 24 de setembro de 2021, em encontro do MDB em Goiânia, o governador Ronaldo Caiado anunciou que Daniel Vilela seria seu vice. Segundo ele, “Maguito Vilela deixou sucessor e Daniel será meu vice na chapa em 2022”, disse a plenos pulmões.

Naquele momento, Caiado ainda declarou que o MDB lhe deu o maior presente que ele queria nessa data, que foi a aliança para o próximo pleito. Caiado aniversariou um dia depois. “Eu e Daniel nos enfrentamos em 2018, mas tínhamos um ‘inimigo’ em comum”, citou a gestão tucana. Ele ainda emendou que nunca foi adversário do então presidente do MDB.

Daniel e Caiado
Daniel foi anunciado como vice de Caiado em 2021, quase três anos após disputar o governo de Goiás (Foto: Reprodução)

A aliança foi confirmada e, em 2022, Caiado e Daniel se elegeram governador e vice-governador mais uma vez em primeiro turno.

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Afastamentos

A aproximação de Vilela a Caiado também gerou estranhamentos. Naquele momento, o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que tinha sido eleito na chapa de Daniel em 2018, optou por apoiar Major Vitor Hugo (PL) ao governo e Wilder Morais (PL) ao Senado.

Em 2020, Vanderlan já havia se distanciado dos emedebistas e disputou a eleição pela prefeitura de Goiânia contra Maguito, perdendo no segundo turno. Com a aproximação do governador e Daniel, ele foi por outro caminho. Apenas em 2024, ele buscou a reaproximação. Hoje, o senador concorre à reeleição pela chapa governista.

Maguito, Gustavo e Daniel
Maguito, Gustavo Mendanha e Daniel (Foto: Reprodução)

Quem também se afastou de Daniel na época em que ele se alinhou a Caiado foi o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (PRD). Isso, porque o ex-gestor defendia que o MDB concorresse novamente ao Palácio das Esmeraldas. Inclusive, ele disputou, terminando em segundo lugar.

A reaproximação de Mendanha e Daniel não demorou. Em maio de 2023, eles anunciaram as pazes em agenda da qual também participou Ronaldo Caiado.

Perda do pai

Maguito morreu na madrugada de 13 de janeiro de 2021, encerrando uma luta de 83 dias contra a Covid-19. O prefeito eleito não tinha mais a doença no organismo, mas enfrentava sequelas causadas por ela. O político deixou a esposa, Flávia, quatro filhos (entre eles Daniel Vilela) e quatro netos.

Na data do falecimento, Maguito lutava contra a sua segunda infecção pulmonar, detectada em 7 de janeiro. A notícia de que ele havia sido acometido por bactérias no pulmão jogou um balde de água fria em todos que torciam por sua recuperação. Antes disso, ele estava lúcido, assistia a filmes e jogos de futebol no quarto onde estava internado; falava com o suporte de uma válvula (que tampava o orifício aberto em sua traqueia para ventilação mecânica) e recebia visita dos netos.

Daniel e Maguito
Maguito faleceu em janeiro de 2021, após ser eleito prefeito de Goiânia (Foto: Reprodução)

Em 6 de janeiro, o boletim médico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, trouxe pela primeira vez o adjetivo “grave” para falar da infecção contra a qual o prefeito lutava. Disse, também pela primeira vez, que Maguito estava sob efeito de “altas doses” de remédio. Cerca de 7 dias depois, o boletim informava o falecimento do político.

Maguito foi um dos políticos mais longevos de Goiás, além de dono de uma das trajetórias mais bem-sucedidas no território goiano. Foi vereador, deputado estadual e federal, prefeito, senador, vice-governador e governador.

Rompimento com Rogério Cruz

Com a morte de Maguito, quem assumiu a prefeitura de Goiânia foi Rogério Cruz, o vice. Em abril de 2021, 14 auxiliares municipais ligados ao MDB entregaram em carta coletiva os respectivos cargos após a reunião de 5 de abril.

O rompimento teria ocorrido, dentre outras coisas, pela suspensão de asfaltamento na cidade – que motivou a saída do ex-deputado federal Luiz Bittencourt -, além da colocação de uma auditoria sobre contratos, desde 2017. Daniel, à época, afirmou que não foi convidado por Rogério para compor a gestão, o que o prefeito desmentiu.

Rogério e Daniel romperam no começo da gestão (Foto: Reprodução)

Ainda em março, o emedebista já havia afirmado que se a prefeitura desviasse do plano eleitoral vencedor (de Maguito Vilela), o partido deixaria de ter compromisso com a gestão.

Polêmicas

Em meio à sua trajetória, Daniel também se viu envolvido em polêmicas. Em 2017, ele foi citado em delações premiadas da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. Posteriormente, contudo, o caso foi arquivado por falta de provas para sustentar uma denúncia.

Além disso, neste ano, a sogra do agora governador de Goiás chegou a ser presa em uma operação da Polícia Federal que desarticulou uma quadrilha que operava na entrada ilegal de imigrantes nos Estados Unidos. Em nota, o governador afirmou que os fatos são investigados desde meados dos anos 2000 e não têm relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.

Governo de Goiás

O sonho de se tornar governador de Goiás, tentado pela primeira vez em 2018, se concretizou em março deste ano, quando Caiado renunciou para disputar o Planalto. “Assumo o governo com responsabilidade e foco em manter o Estado funcionando sem sobressaltos”, disse ao Mais Goiás, após a solenidade ocorrida no dia 31 daquele mês, na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

A posse de Daniel representou o retorno do MDB ao Palácio das Esmeraldas após quase 30 anos fora do poder. Antes dele foi justamente Maguito Vilela quem governou de 1995 a 1998.

Daniel, ao assumir o governo de Goiás, chorou ao lembrar do pai. “Vou honrar os ensinamentos do meu pai. Vou honrar a história do partido, o MDB de Iris e Maguito. Vou honrar o legado do governador Ronaldo Caiado. Mas, acima de tudo, vou honrar cada cidadão e cidadã do Estado”, afirmou Daniel – que estava acompanhado da esposa, Iara Netto Vilela, dos filhos e da mãe.

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