Peixoto reúne Conselho de Ética para debater confusão entre Amauri Ribeiro e Major Araújo
Encontro nesta terça-feira deve traçar os primeiros passos do colegiado após protocolo de representação de um contra o outro
O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado Bruno Peixoto (UB), deve se reunir nesta terça-feira (19) com o presidente do Conselho de Ética da Casa, deputado Charles Bento (MDB), para definir os próximos passos sobre a situação envolvendo os deputados Amauri Ribeiro e Major Araújo, ambos do PL.
A reunião deve estabelecer as linhas de condução a partir das representações protocoladas pelos dois parlamentares, que trocaram acusações e ofensas nas últimas sessões. Cada um já acionou o Conselho de Ética contra o outro. As denúncias servirão de base regimental para a análise de eventual punição, conforme previsto no Regimento Interno.
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Peixoto confirmou que as representações sobre as trocas de insultos em plenário já foram encaminhadas ao colegiado, que classificou como o foro adequado para deliberar sobre possíveis excessos. “Essa presidência não aceitará insultos na tribuna desta Casa”, afirmou. Segundo ele, já houve alinhamento com o Conselho para adoção de medidas destinadas a conter a indisciplina.
O presidente também fez um apelo ao decoro parlamentar e destacou que não hesitará em interromper oradores ou cassar a palavra em caso de reincidência. “Precisamos manter o respeito e a dignidade”, pontuou, ao afirmar que o comportamento hostil compromete a imagem da instituição e prejudica o andamento dos trabalhos legislativos. O presidente do Conselho de Ética já declarou que, diante das representações formais, o órgão adotará as providências cabíveis.
Escalada de tensão
As últimas sessões da Alego foram marcadas por bate-boca entre os parlamentares, e ao menos duas precisaram ser encerradas em razão das provocações. Em um dos episódios, houve intervenção da Polícia Legislativa para conter os ânimos. Um vídeo registrou Major Araújo ainda exaltado se dirigindo a Amauri: “Põe a mão em mim para você ver. Amanhã você amanhece morto, rapaz”.
Nos bastidores, a avaliação é que o clima já vinha deteriorado desde a filiação de Amauri ao PL, após deixar o União Brasil. Interlocutores apontam que a tensão não estaria ligada apenas à atuação parlamentar, mas também às disputas internas de grupos políticos.
Vídeo mostra o bate-boca
O embate ganhou novo fôlego após Amauri questionar a ausência do senador e presidente do PL em Goiás, Wilder Morais, na votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parte do PL esperava voto contrário à indicação. A ausência foi interpretada de maneiras distintas pelos grupos.
Antes do auge da crise, os dois deputados também protagonizaram troca de acusações sobre quem representaria de forma mais legítima a direita no eestado. Amauri afirmou: “Eu não me lembro de ver o senhor na porta dos quartéis, não me lembro de ver a Polícia Federal na sua casa por dizer na tribuna que apoiava as pessoas no quartéis. Não me lembro também de ver o senhor gritando na tribuna, como grita comigo, quando a esquerda chama Bolsonaro de genocida, quando bateram palmas pela prisão das pessoas que estavam no 8/1. Muito pelo contrário, eu vejo o senhor sorrindo e sentando para pessoas que sequer dou a mão”.

Major rebateu: “o senhor sempre esteve aliado aos inimigos do PL. Seu partido [se referindo a antiga sigla de Amauri, o União Brasil] tem três ministérios e sempre deu sustentação ao PT. O senhor é um personagem, uma direita trans. O senhor nunca foi da direita, sempre foi centrão, aliado do Caiado. O senhor parece direita, mas o coração aceita qualquer coisa. O senhor veio [para o PL] e manteve os cargos [no governo]. Nós somos oposição nessa casa. Direita não é lugar para quem se vende”.
Pressão por solução
Apesar da promessa pública de punição, há parlamentares que acreditam que a crise pode ser solucionada nos bastidores, em conversa reservada entre a presidência e os envolvidos, com o objetivo de evitar novas provocações em plenário.
Um deputado ouvido pela reportagem avaliou que, caso a situação não tenha um desfecho claro, “fica feio é para o Bruno”. Na visão dele, é inadmissível que sessões ordinárias, consideradas o momento mais relevante da semana legislativa, sejam interrompidas por conflitos pessoais. Para esse parlamentar, a condução firme do presidente será determinante para preservar a autoridade da Mesa Diretora.
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No último fim de semana, Major e Amauri participaram de encontro de pré-candidatos do PL em Goiás, liderado por Wilder Morais. A reunião, porém, ocorreu de forma tranquila, sem qualquer registro de atrito entre as lideranças. . A expectativa da presidência da Alego é que o comportamento visto fora do plenário se repita nas próximas sessões.