Domingo, 04 de Outubro de 2026
VITÓRIA DA DIREITA

Porta-voz nº1 da direita bolsonarista em Goiás, Gayer se elege senador

Gayer deverá ser peça-chave no cumprimento da agenda bolsonarista no Congresso Nacional, sobretudo na luta contra STF

Por - Goiânia, GO
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Senador eleito Gustavo Gayer

Deputado federal e porta-voz nº1 da direita bolsonarista em Goiás, Gustavo Gayer (PL) se elegeu senador neste domingo (4) com desempenho melhor do que projetavam as pesquisas.

Nos dias que antecederam a eleição, eleitores de centro e de esquerda iniciaram um movimento nas redes sociais que pregava ‘voto útil’ em Zacharias Calil (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD) com o objetivo de impedir que Gayer conquistasse o mandato, mas não funcionou.

Gayer deverá ser peça-chave no cumprimento da agenda bolsonarista no Congresso Nacional, sobretudo na tentativa de aprovar o impeachment de Alexandre de Moraes e de outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Das redes sociais à disputa pelo Senado

A candidatura de Gustavo Gayer (PL) ao Senado representa mais um passo em uma trajetória política relativamente curta e marcada pela forte presença nas redes sociais e pela identificação com o bolsonarismo.

Gustavo Gayer e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Professor de inglês, empresário do setor de educação e produtor de conteúdo digital antes de ocupar cargos públicos, Gayer começou a ganhar projeção política nacional na internet. A partir de 2015, passou a produzir conteúdos sobre política e posteriormente se aproximou do movimento que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República.

A primeira candidatura veio somente em 2020. Filiado à Democracia Cristã (DC), Gayer concorreu à Prefeitura de Goiânia e terminou a eleição em quarto lugar, com 45.928 votos, equivalentes a 7,62% dos votos válidos.

Apesar da derrota, o resultado colocou Gayer no cenário político goiano. Ele ficou atrás de Maguito Vilela (MDB), Vanderlan Cardoso (PSD) e Adriana Accorsi (PT), mas saiu daquela eleição com uma base eleitoral que seria ampliada de forma significativa dois anos depois.

Em 2022, já filiado ao PL e identificado como um dos principais representantes do bolsonarismo em Goiás, Gayer concorreu a deputado federal.

Foi eleito com 200.586 votos, a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados no Estado naquele ano. Ficou atrás somente de Silvye Alves, que recebeu 254.653 votos.

Gustavo Gayer e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Gayer recebeu votos nos 246 municípios goianos. Goiânia respondeu pela maior parcela de sua votação, com 83.604 votos, seguida por Aparecida de Goiânia, com 14.547, e Anápolis, com 11.654.

A votação representou um salto em relação à primeira experiência eleitoral e levou Gayer diretamente de uma candidatura municipal derrotada para a Câmara dos Deputados.

Mandato marcado pela oposição ao governo Lula

Gayer tomou posse como deputado federal em fevereiro de 2023 e construiu o mandato como integrante da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na Câmara, tornou-se um dos parlamentares goianos mais associados ao grupo político de Jair Bolsonaro e manteve nas redes sociais uma das principais ferramentas de comunicação com sua base eleitoral.

Gayer discursa ao lado de Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Temas como liberdade de expressão, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), segurança pública, redução de impostos e oposição ao governo federal estiveram entre as principais bandeiras apresentadas pelo deputado durante o mandato.

A atuação digital que havia impulsionado sua entrada na política continuou ocupando papel central depois da chegada a Brasília. Gayer manteve uma estratégia de comunicação baseada na publicação frequente de vídeos e comentários sobre temas nacionais e no confronto político com integrantes e apoiadores do governo Lula.

Ao mesmo tempo, ampliou a inserção dentro do PL e do núcleo bolsonarista no Congresso.

Essa identificação política foi novamente explorada na campanha de 2026. Na disputa pelo Senado, Gayer apresentou-se ao eleitorado como representante do campo bolsonarista em Goiás e alinhado ao projeto nacional do PL.

De uma eleição municipal ao Senado em seis anos

A candidatura ao Senado veio apenas seis anos depois da estreia de Gayer nas urnas.

Em 2020, quando disputou a Prefeitura de Goiânia, ele ainda não havia ocupado nenhum cargo eletivo. Dois anos depois, conquistou uma das maiores votações de Goiás para deputado federal.

O mandato na Câmara ampliou sua projeção para além do Estado e fortaleceu a ligação política com o grupo de Jair Bolsonaro.

Em 2026, em vez de buscar a reeleição para deputado federal, Gayer decidiu disputar uma das duas cadeiras de Goiás no Senado.

A escolha colocou o parlamentar em uma eleição majoritária estadual pela primeira vez. Diferentemente da disputa de 2020, restrita ao eleitorado de Goiânia, Gayer chegou à campanha com uma base eleitoral já distribuída por todo o Estado e com a exposição proporcionada pelo mandato de deputado federal.

Disputa apertada pelas duas vagas

Gayer permaneceu durante a campanha entre os principais candidatos às duas vagas destinadas a Goiás no Senado.

A disputa teve como característica a concentração das intenções de voto principalmente em torno de Gracinha Caiado (União Brasil), Gayer e Zacharias Calil (MDB), além de nomes como Gustavo Mendanha (PRD) e Vanderlan Cardoso (PSD).

Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 22 de setembro mostrava Gracinha com 23% e Gayer com 20% no cenário consolidado, que considera os dois votos para o Senado. Os dois estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Zacharias aparecia com 13%, enquanto Gustavo Mendanha registrava 12% e Vanderlan, 8%.

Levantamentos realizados na reta final também indicaram uma disputa apertada pelas duas cadeiras, especialmente entre os candidatos que ocupavam as primeiras posições.

Para Gayer, a eleição também representou um teste da capacidade de transformar em votos para um cargo majoritário estadual a projeção conquistada nas redes sociais e durante o mandato na Câmara dos Deputados.

Quem é Gustavo Gayer

Gustavo Gayer Machado de Araújo nasceu em Goiânia em 13 de abril de 1981. Antes de ingressar na política eleitoral, trabalhou como professor de inglês e empresário na área de educação.

Ele também é filho de Maria da Conceição Gayer, que teve trajetória na política goiana. Delegada de polícia, ela foi vereadora por Goiânia e deputada estadual por Goiás.

Gayer começou a produzir conteúdo político na internet na década passada e ganhou audiência principalmente entre o público de direita.

A aproximação com o bolsonarismo tornou-se um dos elementos centrais de sua identidade política e permaneceu durante sua passagem da atuação nas redes sociais para a política institucional.

Depois da primeira candidatura, à Prefeitura de Goiânia em 2020, foram necessários apenas dois anos para chegar à Câmara dos Deputados e mais quatro para disputar uma cadeira no Senado.

A eleição de 2026, independentemente do resultado, consolidou essa mudança de dimensão eleitoral: de uma candidatura municipal com 45,9 mil votos em 2020 para uma disputa por uma das duas cadeiras de Goiás no Senado seis anos depois.

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