Porta-voz nº1 da direita bolsonarista em Goiás, Gayer se elege senador
Gayer deverá ser peça-chave no cumprimento da agenda bolsonarista no Congresso Nacional, sobretudo na luta contra STF
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Deputado federal e porta-voz nº1 da direita bolsonarista em Goiás, Gustavo Gayer (PL) se elegeu senador neste domingo (4) com desempenho melhor do que projetavam as pesquisas.
Nos dias que antecederam a eleição, eleitores de centro e de esquerda iniciaram um movimento nas redes sociais que pregava ‘voto útil’ em Zacharias Calil (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD) com o objetivo de impedir que Gayer conquistasse o mandato, mas não funcionou.
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Gayer deverá ser peça-chave no cumprimento da agenda bolsonarista no Congresso Nacional, sobretudo na tentativa de aprovar o impeachment de Alexandre de Moraes e de outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Das redes sociais à disputa pelo Senado
A candidatura de Gustavo Gayer (PL) ao Senado representa mais um passo em uma trajetória política relativamente curta e marcada pela forte presença nas redes sociais e pela identificação com o bolsonarismo.

Professor de inglês, empresário do setor de educação e produtor de conteúdo digital antes de ocupar cargos públicos, Gayer começou a ganhar projeção política nacional na internet. A partir de 2015, passou a produzir conteúdos sobre política e posteriormente se aproximou do movimento que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República.
A primeira candidatura veio somente em 2020. Filiado à Democracia Cristã (DC), Gayer concorreu à Prefeitura de Goiânia e terminou a eleição em quarto lugar, com 45.928 votos, equivalentes a 7,62% dos votos válidos.
Apesar da derrota, o resultado colocou Gayer no cenário político goiano. Ele ficou atrás de Maguito Vilela (MDB), Vanderlan Cardoso (PSD) e Adriana Accorsi (PT), mas saiu daquela eleição com uma base eleitoral que seria ampliada de forma significativa dois anos depois.
Em 2022, já filiado ao PL e identificado como um dos principais representantes do bolsonarismo em Goiás, Gayer concorreu a deputado federal.
Foi eleito com 200.586 votos, a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados no Estado naquele ano. Ficou atrás somente de Silvye Alves, que recebeu 254.653 votos.

Gayer recebeu votos nos 246 municípios goianos. Goiânia respondeu pela maior parcela de sua votação, com 83.604 votos, seguida por Aparecida de Goiânia, com 14.547, e Anápolis, com 11.654.
A votação representou um salto em relação à primeira experiência eleitoral e levou Gayer diretamente de uma candidatura municipal derrotada para a Câmara dos Deputados.
Mandato marcado pela oposição ao governo Lula
Gayer tomou posse como deputado federal em fevereiro de 2023 e construiu o mandato como integrante da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na Câmara, tornou-se um dos parlamentares goianos mais associados ao grupo político de Jair Bolsonaro e manteve nas redes sociais uma das principais ferramentas de comunicação com sua base eleitoral.

Temas como liberdade de expressão, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), segurança pública, redução de impostos e oposição ao governo federal estiveram entre as principais bandeiras apresentadas pelo deputado durante o mandato.
A atuação digital que havia impulsionado sua entrada na política continuou ocupando papel central depois da chegada a Brasília. Gayer manteve uma estratégia de comunicação baseada na publicação frequente de vídeos e comentários sobre temas nacionais e no confronto político com integrantes e apoiadores do governo Lula.
Ao mesmo tempo, ampliou a inserção dentro do PL e do núcleo bolsonarista no Congresso.
Essa identificação política foi novamente explorada na campanha de 2026. Na disputa pelo Senado, Gayer apresentou-se ao eleitorado como representante do campo bolsonarista em Goiás e alinhado ao projeto nacional do PL.
De uma eleição municipal ao Senado em seis anos
A candidatura ao Senado veio apenas seis anos depois da estreia de Gayer nas urnas.
Em 2020, quando disputou a Prefeitura de Goiânia, ele ainda não havia ocupado nenhum cargo eletivo. Dois anos depois, conquistou uma das maiores votações de Goiás para deputado federal.
O mandato na Câmara ampliou sua projeção para além do Estado e fortaleceu a ligação política com o grupo de Jair Bolsonaro.
Em 2026, em vez de buscar a reeleição para deputado federal, Gayer decidiu disputar uma das duas cadeiras de Goiás no Senado.
A escolha colocou o parlamentar em uma eleição majoritária estadual pela primeira vez. Diferentemente da disputa de 2020, restrita ao eleitorado de Goiânia, Gayer chegou à campanha com uma base eleitoral já distribuída por todo o Estado e com a exposição proporcionada pelo mandato de deputado federal.
Disputa apertada pelas duas vagas
Gayer permaneceu durante a campanha entre os principais candidatos às duas vagas destinadas a Goiás no Senado.
A disputa teve como característica a concentração das intenções de voto principalmente em torno de Gracinha Caiado (União Brasil), Gayer e Zacharias Calil (MDB), além de nomes como Gustavo Mendanha (PRD) e Vanderlan Cardoso (PSD).
Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 22 de setembro mostrava Gracinha com 23% e Gayer com 20% no cenário consolidado, que considera os dois votos para o Senado. Os dois estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Zacharias aparecia com 13%, enquanto Gustavo Mendanha registrava 12% e Vanderlan, 8%.
Levantamentos realizados na reta final também indicaram uma disputa apertada pelas duas cadeiras, especialmente entre os candidatos que ocupavam as primeiras posições.
Para Gayer, a eleição também representou um teste da capacidade de transformar em votos para um cargo majoritário estadual a projeção conquistada nas redes sociais e durante o mandato na Câmara dos Deputados.
Quem é Gustavo Gayer
Gustavo Gayer Machado de Araújo nasceu em Goiânia em 13 de abril de 1981. Antes de ingressar na política eleitoral, trabalhou como professor de inglês e empresário na área de educação.
Ele também é filho de Maria da Conceição Gayer, que teve trajetória na política goiana. Delegada de polícia, ela foi vereadora por Goiânia e deputada estadual por Goiás.
Gayer começou a produzir conteúdo político na internet na década passada e ganhou audiência principalmente entre o público de direita.
A aproximação com o bolsonarismo tornou-se um dos elementos centrais de sua identidade política e permaneceu durante sua passagem da atuação nas redes sociais para a política institucional.
Depois da primeira candidatura, à Prefeitura de Goiânia em 2020, foram necessários apenas dois anos para chegar à Câmara dos Deputados e mais quatro para disputar uma cadeira no Senado.
A eleição de 2026, independentemente do resultado, consolidou essa mudança de dimensão eleitoral: de uma candidatura municipal com 45,9 mil votos em 2020 para uma disputa por uma das duas cadeiras de Goiás no Senado seis anos depois.