Domingo, 04 de Outubro de 2026
ESTRATÉGIA

Pulverização ao Senado favorece Daniel Vilela, mas ameaça dobradinha da base, analisam especialistas

Especialistas veem desperdício de quatro nomes competitivos para duas vagas

Por - Goiânia, GO
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Pulverização ao Senado favorece Daniel Vilela, mas ameaça dobradinha da base, analisam especialistas

A base governista optou por pulverizar as candidaturas ao Senado neste ano, como ocorreu em 2022. Em vez de dois nomes para duas vagas, são quatro candidatos: Gracinha Caiado (União Brasil), Zacharias Calil (MDB), Gustavo Mendanha (PRD) e Vanderlan Cardoso (PSD). O Mais Goiás consultou dois cientistas políticos para avaliar se a decisão foi benéfica para o grupo.

Para o professor Guilherme Carvalho, a medida não foi boa para a base. “A Gracinha mesmo já admitiu que a pulverização fez com que o governo perdesse em 2022.” O analista considera o cenário diferente, com apenas uma cadeira em disputa há quatro anos, mas acredita que, com outra estratégia, o grupo do governador Daniel Vilela (MDB) poderia garantir os dois nomes na Casa Alta do Congresso.

“Eleger apenas um acaba sendo uma derrota, pois são nomes muito grandes. São todos nomes muito competitivos e que, se tivessem ficado na Câmara, talvez estivessem ajudando a multiplicar votos dentro da base.”

Para ele, esse desejo dos próprios candidatos em não cederem mostra o sintoma de uma “base muito inchada, com muitos aliados ao mesmo tempo e sem espaço para todos. Então, alguém vai ficar na cadeira. Isso não faz bem para o governo e pode trazer alguns desgastes, obrigando Daniel, se reeleito, a fazer algumas acomodações”.

A visão do professor e cientista político Marcos Marinho é diferente. Se para os candidatos não é bom, para o governador Daniel Vilela é “excelente”. “Você coloca mais gente motivada, mobilizando equipes e grupos para fazer campanha, levando no nome dele também.”

“Mas pensando em base não é bom, pois você dilui os votos”, continua. Para ele, não há uma base consolidada, mas um grupo de interesse que quer o seu quinhão de poder. “Pensando nisso, o que adianta para o MDB de Daniel eleger um senador que não é de sua legenda? Então, funciona bem para a eleição mandatária, mas individualmente não é o melhor.”

Segundo ele, o ideal para beneficiar a todos seria a campanha do Daniel também puxar votos para dois senadores selecionados. “De transferência de votos, com uma base alargada e diluída, não adianta, pois o governador não pode apontar o dedo para um ou para o outro, senão ele racha. Então, nesse bem bolado, quem levou vantagem foi o Daniel.”

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