Terça-feira, 04 de Agosto de 2026
TENSÃO

Ações de bancos brasileiros despencam com declarações de Dino sobre lei Magnitsky

Ministro Flávio Dino afirma que punição dada pelos EUA não tem validade em território brasileiro e empresas projetam escalada de tensão

Da Redação
Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
Ações de bancos brasileiros despencam com declarações de Dino sobre lei Magnitsky (Foto: STF)

(O Globo) As ações de bancos brasileiros se desvalorizam em bloco no pregão desta terça-feira, dando a tônica das negociações da Bolsa. Para analistas, o receio dos investidores é sobre a decisão do ministro Flávio Dino sobre a atuação da Lei Magnitsky no Brasil.

Pouco depois das 14h, os papéis do Itaú (ITUB4) caíam 2,91%; o Bradesco (BBDC4) cedia 3,18%; as Units do BTG Pactual (BPAC11) desvalorizavam 3,51%, enquanto os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) caíam 4,37%. Os papéis da B3 (B3SA3) também operavam em recuo de 4,1%.

Ontem, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que leis e ordens administrativas ou judiciais de outros países não produzem efeitos no Brasil de forma automática. O despacho foi feito após os Estados Unidos sancionarem o ministro Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky, que impõe restrições econômicas, como o bloqueio de contas bancárias e de bens em solo americano.

Na interpretação do mercado, a lei poderia afetar também bancos brasileiros que tenham operações nos EUA, como captações ou ações listadas em Bolsa.

Para Rafael Passos, analista da Ajax Investimentos, a escalada das tensões institucionais sobre o tema pressionam os ativos de forma geral nesta terça, em particular os bancos:

— Desde que tivemos a (institucionalização da) Lei Magnitsky, poderíamos ter esse contágio em prêmio de risco institucional em estatais e bancos. Hoje o que a gente vê nessa pressão mais baixa, principalmente desses bancos, é reflexo dessa escalada aqui entre STF e Estados Unidos. E, de forma generalizada, vemos esse mau humor quando olhamos a curva de juros e câmbio — afirma.

Em relatório, Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, afirmou que o despacho de Dino é inoportuno diante da situação delicada entre o Brasil e os EUA:

“Esse jogo de retórica é extremamente prejudicial, à medida que traz implicitamente uma elevação do risco-país, mitigando investimentos instantaneamente e com efeito prolongado”, diz o economista em trecho da análise.

No mesmo horário, o dólar subia 0,88%, valendo R$ 5,48, enquanto a curva de juros, que precifica a perspectiva de como estarão os juros no futuro, apresentava alta para os contratos entre o início de 2026 e 2031.

Como informou a colunista Malu Gaspar nesta terça-feira, a situação tem causado preocupação não só nos investidores, mas também na cúpula dos bancos brasileiros, já que a decisão pode causar impasse na atuação das instituições financeiras.

Também às 14h, o Ibovespa tocava os 2% de desvalorização, aos 134.601 pontos.

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