Beatriz Winck: caso de idosa que desapareceu no Santuário de Aparecida completa 14 anos sem solução
Marido de Beatriz morreu em novembro de 2025, aos 95 anos, sem descobrir o que aconteceu com a esposa
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Há 14 anos, uma viagem ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, terminou com uma pergunta que nunca foi respondida: o que aconteceu com Beatriz Joanna Von Hohendorff Winck? Aos 77 anos, a idosa desapareceu durante uma excursão ao local e nunca mais foi encontrada. No próximo dia 21 de outubro, o caso completa 14 anos sem solução.
Beatriz estava acompanhada do marido, Delmar Winck, e de outros integrantes da excursão. Os dois eram casados havia décadas e estavam juntos quando ela desapareceu. O caso mobilizou buscas no Santuário e em diferentes instituições, além de uma ampla campanha de divulgação da imagem da idosa, mas nenhuma pista foi capaz de esclarecer seu paradeiro.

Beatriz desapareceu enquanto marido fazia uma compra
Naquele domingo, Beatriz e Delmar estavam em uma loja de artigos religiosos dentro do complexo do Santuário de Aparecida. Enquanto o marido aguardava na fila, a idosa permaneceu do lado de fora do estabelecimento.
Segundo relatos de pessoas que participavam da mesma excursão, Beatriz conversou com uma companheira de viagem. Entre as últimas informações conhecidas sobre ela está o relato de que teria dito que havia perdido o marido e estava cansada.
Quando Delmar deixou a loja, porém, não encontrou mais a esposa. A diferença entre os momentos em que Beatriz foi vista e a percepção de que ela havia desaparecido foi estimada em cerca de sete minutos.
Familiares e integrantes da excursão passaram a procurá-la pelo Santuário, mas Beatriz não foi localizada.

200 mil romeiros
O desaparecimento ocorreu em um dia de grande movimentação no Santuário. Reportagens publicadas na época estimaram que cerca de 200 mil romeiros estavam na região naquele domingo. E isso dificultou tanto as buscas quanto a reconstrução dos últimos passos de Beatriz.
A família passou a procurar informações entre funcionários, visitantes e integrantes da excursão, enquanto equipes também fizeram buscas em diferentes pontos da região.
Outro obstáculo foi a ausência de imagens que pudessem indicar para onde a idosa havia seguido.
Segundo relatos da família, as imagens das câmeras disponíveis no local eram apagadas automaticamente e já não estavam armazenadas quando foram solicitadas para auxiliar a investigação.
Sem registros que pudessem mostrar o caminho percorrido por Beatriz, a apuração passou a depender principalmente de testemunhos, buscas e consultas a hospitais, casas de repouso e outras instituições.
A família também recebeu ligações e informações sobre possíveis avistamentos ao longo dos anos. As pistas foram verificadas, mas nenhuma levou à localização da idosa.

Marido ficou 49 dias em Aparecida procurando a esposa
Delmar permaneceu por 49 dias em Aparecida acompanhando pessoalmente as buscas por Beatriz.
Em entrevista da época, afirmou que sentia que a permanência da família na cidade incomodava algumas pessoas e instituições. “Somos um incômodo. Tenho a impressão de que gostariam que já tivéssemos saído”, afirmou.
Delmar também disse que continuava cobrando as autoridades por respostas sobre o desaparecimento.
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Família distribuiu mais de 60 mil cartazes
Os quatro filhos de Beatriz Joanna Von Hohendorff Winck mantiveram a procura pela mãe ao longo dos anos. A família criou páginas na internet, divulgou fotografias, participou de programas de televisão e percorreu diferentes regiões do país atrás de informações.
Segundo reportagem publicada em 2024, mais de 60 mil cartazes de “procura-se” haviam sido distribuídos durante a mobilização.
Em 2020, oito anos após o desaparecimento, o filho João Carlos Winck ainda mantinha a esperança de encontrar a mãe. Naquele período, a família já havia feito dezenas de viagens pelo Brasil em busca de possíveis pistas.

O material genético de familiares também foi cadastrado no Banco Nacional de Perfis Genéticos, permitindo eventuais cruzamentos caso restos mortais ou outros materiais relacionados ao caso sejam encontrados no futuro.
Inquérito de Beatriz Winck foi arquivado
Após anos de diligências sem resultado, o inquérito policial acabou sendo encaminhado à Justiça e arquivado.
Em 2024, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso havia sido investigado e que o arquivamento ocorreu depois de diversas diligências sem resultado. Segundo a pasta, a investigação pode ser retomada caso surjam novas informações relevantes.
Até hoje, não houve esclarecimento sobre o que aconteceu com Beatriz.
Marido morreu sem descobrir o paradeiro de Beatriz
Em novembro de 2025, Delmar Winck morreu aos 95 anos, sem conseguir descobrir o que havia acontecido com a esposa.
Para o filho, João Carlos Winck, a esperança permanece, inclusive para descobrir qual foi o destino da mãe caso ela tenha morrido.