“Tenho medo que ele esteja precisando de mim”: mulher busca pai desaparecido há 46 anos em Goiás
João Francisco Campos, conhecido como Galego ou Lavareda, tem 83 anos e pode ter passado por Paraúna e Rio Verde
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Há 46 anos, Maria de Lourdes Campos procura pelo pai, João Francisco Campos, com quem perdeu o contato ainda na infância, em Goiânia. Segundo os documentos reunidos pela família, João tem 83 anos e é conhecido pelos apelidos Galego e Lavareda. A filha segue atrás de pistas que possam revelar onde ele está e se ainda está vivo. A última informação sobre o paradeiro do idoso surgiu em Paraúna e aponta para Rio Verde. “Tenho medo que ele esteja precisando de mim”, diz a filha.
Moradora de Uberlândia (MG), Maria contou ao Mais Goiás que ela e os irmãos foram criados pela avó materna, em São Luís de Montes Belos, enquanto João tentava manter contato com os filhos. Segundo ela, a mãe não permitia os encontros e, depois de uma série de mudanças da família, os dois perderam completamente o contato. “Meu pai ia ver a gente, mas minha mãe não permitia. Ela sumia pelo mundo e, quando aparecia, brigava com minha avó porque meu pai procurava nós”, relembra.
Aos 16 anos, Maria se casou e, durante anos, não conseguiu avançar na procura. Nos anos 1990, fez um apelo em uma rádio de Goiânia e enviou cartas para emissoras de televisão, mas não recebeu informações sobre o paradeiro do pai.
Em 2003, depois de aprender a usar a internet, passou a divulgar o desaparecimento. A busca ajudou Maria a localizar os seis irmãos de João e a conhecer parte da família paterna. Mesmo assim, nenhuma das novas conexões foi capaz de indicar onde o pai estava.

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Pista pode levar a Rio Verde
Anos depois, Maria encontrou um antigo endereço de João em Paraúna, no Sudoeste de Goiás. Ela foi até a cidade, procurou informações no hospital e conversou com moradores, mas não conseguiu descobrir o paradeiro dele.
Durante a busca, entretanto, um homem afirmou ter trabalhado com João e o reconheceu ao ver uma fotografia. Segundo o relato, um antigo patrão teria levado João e outros trabalhadores de Paraúna para Rio Verde.
A informação fez Maria ampliar a busca para o município. Ela ainda pretende ir até Rio Verde para tentar confirmar a passagem do pai pela cidade e encontrar novas pistas sobre o destino dele.
João é descrito pela filha como um homem branco, ruivo, com sardas e cerca de 1,65 metro de altura. Ele possui uma cicatriz na mão esquerda, entre os dedos, provocada, segundo Maria, por uma facada sofrida em 1974.
Ao longo da vida, João trabalhou como chapa, em lavouras, como caseiro e vaqueiro. Também trabalhou no Arroz Brejeiro entre 1970 e 1975.

Exame de DNA
Na tentativa de localizar o pai, Maria também procurou a Polícia Civil. Ela realizou um exame de DNA em Uberlândia em 23 de agosto de 2021 e, segundo conta, voltou recentemente às autoridades em busca de informações.
De acordo com Maria, ela foi orientada a ampliar as buscas para Goiânia e Rio Verde. A filha também questionou se João poderia ter morrido sem identificação e sido enterrado como indigente, mas não há confirmação dessa hipótese.
Maria teme ainda que o pai possa estar vivo em algum abrigo ou trabalhando em uma propriedade rural sem contato com familiares. Como ele exerceu atividades informais durante boa parte da vida, ela também considera a possibilidade de que tenha passado anos trabalhando sem registro, mas não há confirmação de que tenha sido vítima de exploração.
Depois de quase cinco décadas sem respostas, Maria diz que não quer desistir. “Eu desejo muito saber dele e cuidar dele se ele estiver vivo”, afirma.
Quem tiver informações sobre João Francisco Campos, conhecido como Galego ou Lavareda, pode procurar a Polícia Civil ou entrar em contato com a família.
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