Caças de Anápolis perseguiram Óvnis na noite ‘mais misteriosa da aviação’; veja fotos
'Noite oficial dos ÓVNIs no Brasil' deixou FAB em alerta; caso completa 40 anos sem explicação
Nem mesmo os roteiros de Steven Spielberg dariam conta de prever o que aconteceu no Brasil há 40 anos. O nosso próprio “Dia D” não teve efeitos especiais, mas mobilizou radares, pilotos e colocou a aviação militar em alerta máximo. Em 19 de maio de 1986, caças de Anápolis perseguiram óvnis na noite que ficaria conhecida como a “mais misteriosa da aviação” no país. O episódio, batizado de “Noite Oficial dos ÓVNIs”, deixou a FAB em alerta após a detecção de dezenas de objetos voadores não identificados — e, até hoje, segue sem explicação definitiva.
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Na prática, o que parecia ficção científica virou operação militar real. Naquela noite, radares, torres de controle e pilotos passaram a registrar movimentações incomuns no céu, dando início a uma mobilização da Aeronáutica. O primeiro alerta foi emitido às 20h15 pelo Centro de Controle de Brasília, após a torre de São José dos Campos (SP) identificar luzes vermelhas, que alternavam para tons de amarelo, verde e alaranjado. As ocorrências se estenderam por cerca de cinco horas, até 0h30 do dia seguinte, quando o último dos caças envolvidos pousou na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.

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Caças de Anápolis em ação contra óvnis
Diante da situação, a FAB colocou aeronaves em modo de combate — conhecido no jargão militar como “rojão”, o que significa autorização para uso de armamento em caso de ameaça. Caças F-5 chegaram a decolar de Anápolis para interceptar os alvos detectados pelos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta).
Ao todo, cerca de 21 óvnis foram identificados e perseguidos por aeronaves militares. Pilotos relataram comportamentos incomuns dos objetos, como manobras em zigue-zague, curvas em ângulos de 90 graus sem redução de velocidade e mudanças bruscas de altitude — movimentos considerados impossíveis para a tecnologia da época.
Além disso, nem todos os caças conseguiram “travar” os alvos em seus radares de bordo. Em diversas situações, quando o contato era estabelecido, os objetos aceleravam de forma repentina e desapareciam, dificultando qualquer tentativa de interceptação.
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Outro fator que chamou atenção foi o comportamento considerado “inteligente” dos objetos. Relatos apontam que alguns óvnis mantinham distância constante das aeronaves militares, mudavam de trajetória ao serem perseguidos e, em certos momentos, pareciam reagir às ações dos pilotos.
Um dos pilotos chegou a relatar contato por radar com um dos alvos, mas perdeu o sinal após o objeto acelerar rapidamente. Outro afirmou que o óvni desapareceu a uma velocidade estimada superior a 18 mil quilômetros por hora.
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Objetos surgiam e desapareciam dos radares
Um dos pontos mais intrigantes da ocorrência foi a inconsistência entre os registros visuais e os radares. Em determinados momentos, os objetos apareciam apenas nos equipamentos, sem serem vistos a olho nu. Em outros, eram claramente visíveis no céu, mas não apareciam nos sistemas de detecção.
Essa alternância levantou dúvidas técnicas e contribuiu para o caráter misterioso do episódio, já que não se encaixa nos padrões conhecidos de aeronaves ou fenômenos atmosféricos convencionais.
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Noite oficial dos Óvnis no Brasil mobilizou o país
Naquela noite, os óvnis foram vistos simultaneamente em pelo menos quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Civis, militares e controladores de voo relataram luzes no céu.
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Cerca de dois mil militares, entre cadetes e oficiais da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), afirmaram ter observado os fenômenos, seja a olho nu ou com o uso de binóculos. A Aeronáutica considerou apenas os casos em que houve confirmação simultânea por radar e contato visual.
Outro aspecto observado foi que alguns objetos se deslocavam em formação, mantendo distância regular entre si e realizando movimentos coordenados, como se seguissem algum tipo de padrão organizado no céu.
Gravações oficiais divulgadas posteriormente mostram que o clima entre controladores e pilotos era de tensão e surpresa. Em uma das comunicações, um controlador relata: “Tem um em cima de Brasília agora. Em cima de Brasília! Ele quer brincar com a defesa”.
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FAB, documentos oficiais e mistério sem resposta
A repercussão foi imediata e levou a FAB a convocar uma coletiva de imprensa dias depois. O então ministro da Aeronáutica, Otávio Júlio Moreira Lima, afirmou que o espaço aéreo brasileiro havia sido efetivamente invadido e descartou a hipótese de ilusão de ótica, já que os radares detectaram massas sólidas.
“Só podemos dar explicações técnicas, e não as temos”, declarou o ministro à época. “Seria muito difícil para nós falarmos sobre a hipótese de que esses objetos seriam de origem extraterrestre.”
Em 2015, documentos oficiais foram liberados pelo Arquivo Nacional, incluindo relatórios detalhados e áudios das comunicações entre pilotos e controladores durante a operação. Em um dos registros, os objetos são descritos como tendo características sólidas e comportamento que sugeria algum tipo de controle.
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Óvnis no Brasil: histórico e números
Os registros da FAB sobre óvnis no Brasil remontam à década de 1950. Um dos documentos oficiais reúne 662 casos, com destaque para o período entre 1977 e 1978, quando houve um pico de 148 ocorrências — o equivalente a 22,3% do total.
Ainda assim, a Noite Oficial dos ÓVNIs de 1986 segue como o episódio mais emblemático da ufologia brasileira, tanto pela quantidade de testemunhas quanto pelo envolvimento direto das Forças Armadas e pela documentação oficial existente.
Quatro décadas depois, o caso continua sem explicação definitiva e segue despertando curiosidade entre especialistas, pesquisadores e a população.
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