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Cerrado lidera perda de vegetação no país e supera a Amazônia pelo terceiro ano seguido

Dados do Inpe mostram redução no desmate, mas Cerrado mantém liderança na perda de vegetação

Cerrado lidera perda de vegetação no país e supera a da Amazônia redução no desmate, mas Cerrado mantém liderança na perda de vegetação
Cerrado de Goiás (Foto: Governo de Goiás)

Mesmo com a queda nos índices de desmatamento, o Cerrado voltou a liderar a perda de vegetação no Brasil em 2025 e superou a Amazônia pelo terceiro ano consecutivo. Os dados mostram que, apesar dos avanços na política ambiental, o bioma segue como o mais pressionado do país, principalmente por atividades em áreas privadas.

Após começar 2026 sob críticas na área ambiental, em razão de um vazamento durante a perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, o governo Lula recebeu uma notícia positiva: o desmate caiu nos dois maiores biomas brasileiros no ano passado. Ainda assim, os números reforçam que o Cerrado continua perdendo mais vegetação do que a Amazônia.

Em 2025, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia foi de 3.817 km², o que representa uma redução de 8,7% em relação a 2024. Já no Cerrado, o índice chegou a 5.369 km², uma queda de 9% na comparação anual, mas ainda superior ao registrado na floresta amazônica.

Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e foram divulgados nesta sexta-feira (9). O sistema funciona como um alerta rápido, mapeando áreas de desmate para orientar ações de fiscalização do Ibama e de outros órgãos ambientais. Os números não representam o dado final, que é apurado pelo Prodes, também do Inpe, e divulgado anualmente.

Mesmo com a redução pelo segundo ano consecutivo nos dois biomas, o impacto ambiental segue elevado. Somadas, as áreas desmatadas em Amazônia e Cerrado totalizaram 9.186 km² em 2025 — o equivalente a cerca de seis vezes a área da cidade de São Paulo.

Na Amazônia, o ritmo de queda do desmatamento vem desacelerando. Após atingir mais de 10 mil km² em 2022, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o índice caiu pela metade em 2023. Em 2024, a redução foi de 19%, e agora chegou a 8,7%. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a desaceleração está ligada à seca extrema e ao aumento da degradação florestal causada por incêndios, embora a tendência de queda tenha sido mantida.

De acordo com o MMA, desde agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas do Deter ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior. O governo atribui o resultado à ampliação das ações de prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, com atuação conjunta de diferentes ministérios e órgãos federais.

Entre os estados amazônicos, Mato Grosso respondeu por quase metade da área desmatada, com 1.497 km², o terceiro maior valor da série histórica iniciada em 2015 — um aumento de quase 60% em relação a 2024. Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) também aparecem entre os líderes, embora ambos tenham registrado queda nos índices, de 36% e 9%, respectivamente.

No Cerrado, o cenário é concentrado na região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Maranhão lidera o ranking do desmate, com 1.190 km², seguido por Tocantins (1.133 km²) e Piauí (1.005 km²). A Bahia aparece logo depois, com 703 km² de vegetação perdida. A região reúne, ao mesmo tempo, uma forte fronteira do agronegócio e áreas ainda bem preservadas do bioma.

Apesar de ocupar cerca de 24% do território brasileiro, o Cerrado tem registrado, pelo terceiro ano seguido, uma área desmatada maior do que a da Amazônia, que cobre aproximadamente metade do país. Segundo o MMA, isso ocorre porque as dinâmicas de desmatamento nos dois biomas são diferentes.

Ao contrário da Amazônia, onde o desmate é mais restrito, no Cerrado a maior parte da supressão de vegetação ocorre em propriedades privadas. Pelo Código Florestal, é permitido desmatar até 80% da área do imóvel no bioma — ou até 65% em regiões de transição para a floresta amazônica. Na Amazônia, o limite é de 20%.

Diante desse cenário, o ministério afirma ter intensificado o diálogo com os estados do Matopiba, ampliando a cooperação técnica, aprimorando os processos de autorização de desmatamento e reforçando o monitoramento e a fiscalização. Segundo a pasta, os esforços já começam a refletir em reduções nos índices e em maior rigor nos controles estaduais.

Em 2025, o desmatamento na Amazônia atingiu o menor nível dos últimos oito anos. Já no Cerrado, os 5.369 km² de vegetação perdida representam a menor taxa desde 2021, embora o bioma siga como o mais afetado do país.