Com participação crescente no mercado profissional, mulheres sofrem com trabalho invisível em casa
Considerando apenas os afazeres domésticos, elas trabalham cerca de 40 horas a mais do que os homens por mês
Com participação crescente no mercado de trabalho, as mulheres brasileiras seguem enfrentando uma dupla jornada marcada pela sobrecarga de atividades domésticas não remuneradas. Dados recentes mostram que, apesar dos avanços profissionais, o chamado trabalho invisível dentro de casa ainda recai majoritariamente sobre elas.
Mulheres lideram lares e ampliam presença no mercado
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres são responsáveis por 49,1% dos lares no Brasil, evidenciando o protagonismo feminino na organização familiar. No mercado de trabalho formal, elas representavam 41,4% dos empregos em dezembro de 2025, conforme o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, elaborado pelos ministérios do Trabalho e das Mulheres.
Carga doméstica segue maior que a dos homens
Mesmo com maior inserção profissional, as mulheres continuam dedicando mais tempo às tarefas domésticas. De acordo com o IBGE, elas trabalham, em média, quase 40 horas a mais por mês do que os homens em atividades relacionadas à casa e à família.
Essa diferença evidencia a permanência de uma divisão desigual do trabalho doméstico, considerada um dos principais fatores de sobrecarga feminina no país.
Desigualdade salarial persiste
Além da carga maior de trabalho, as mulheres ainda enfrentam desigualdade na remuneração. O relatório de transparência salarial aponta que elas recebem, em média, 21,3% a menos do que os homens, mesmo considerando o trabalho formal.
O cenário reforça que, apesar da maior participação no mercado, as condições ainda são desiguais.
Economia do cuidado impacta o PIB
O trabalho doméstico e de cuidado, muitas vezes não remunerado, tem impacto direto na economia. Estudo de 2023 do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) aponta que, se fosse contabilizada, a chamada economia do cuidado poderia acrescentar ao menos 8,5% ao Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Desigualdade também tem recorte social e racial
Especialistas destacam que a sobrecarga feminina também varia conforme renda e raça. Em geral, mulheres de maior renda conseguem terceirizar tarefas domésticas, enquanto esse trabalho costuma recair sobre mulheres negras, ampliando desigualdades estruturais.
Política nacional busca equilibrar responsabilidades
Em 2024, foi instituída a Política Nacional de Cuidados, que reconhece o trabalho doméstico e prevê a divisão mais equilibrada das responsabilidades entre homens e mulheres. A proposta busca garantir o direito ao cuidado tanto para quem recebe quanto para quem exerce essas funções.
Apesar do avanço, especialistas apontam que a efetividade da medida depende da implementação prática e de mudanças culturais que reduzam a naturalização do trabalho doméstico como responsabilidade feminina.