Grupo pede investigação de Flávio Bolsonaro por posse de imóvel e vê advocacia administrativa
Imóvel era antes ocupado pela família do jogador Richarlison
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Via Folha de São Paulo – O coletivo Derrubando Muros enviou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar o processo que atribuiu o direito de ocupação de um imóvel de luxo para o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). O imóvel era antes ocupado pela família do jogador do Tottenham Richarlison.
“Não é uma mera disputa entre entes privados. Trata-se de patrimônio da União. É de todos os brasileiros”, afirma José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros. Segundo a denúncia, há indícios de advocacia administrativa, ou seja, uso de algo público para benefício particular.
O terreno é de propriedade da União. O que Richarlison havia comprado era o direito de ocupação da propriedade Segundo ele, foi feito um investimento de cerca de R$ 10 milhões dele junto a outros parceiros.
Logo após Richarlison ter adquirido a posse do imóvel, surgiram pessoas interessadas em comprá-lo. Entre eles estava Flávio Bolsonaro, segundo o jogador. “Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, afirmou o atleta nas redes sociais neste sábado (17).
De acordo com o documento do Derrubando Muros, a iniciativa não pretende representar nenhuma das partes envolvidas, nem restabelecer sua posse em favor de pessoa determinada.
A ocupação do local por Richarlison estaria consolidada à espera de decisão administrativa da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), “que é conhecida como lenta para decidir”, diz Martins.
Nesse ínterim, o jogador teria sido procurado pelo advogado e amigo de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz, o que foi recusado por Richarlison.
Segundo Richarlison, Willer e Flávio entraram diretamente na SPU com o pedido de regularização do imóvel em favor do senador.
“O pedido foi aceito em tempo recorde, Richarlison perdeu o imóvel e a ilha passou a pertencer a Flávio Bolsonaro”, afirma o coordenador do Derrubando Muros.
De acordo com a Justiça do Rio de Janeiro, uma sentença extinguiu o processo em outubro de 2025, sem julgamento do mérito, por renúncia de uma das partes. Em janeiro de 2026, após o trânsito em julgado, o processo foi arquivado.
A disputa pelo casarão —equipado com cachoeira particular e situado próximo ao aeroporto da região costeira do Rio de Janeiro— estende-se desde 2020. O atleta e seus sócios negociaram a compra do imóvel, mas foram surpreendidos em 2022 por um mandado de reintegração de posse movido pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer Tomaz.
Em manifestações anteriores sobre o caso, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer atuação irregular, afirmando manter apenas relação de amizade com Willer Tomaz. Já o empresário sustentou que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais do imóvel, classificando os antigos ocupantes como invasores.
Segundo reportagem do UOL, Willer Tomaz, além de ser investigado por fraudes contra a Previdência, recebia minutas de decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e de manifestações do MPF (Ministério Público Federal) antes da publicação, aponta investigação da Polícia Federal.